terça-feira, 30 de novembro de 2010

O casaco mais feio do mundo

Acho que ja reclamei do frio pra todo mundo, então vocês ja sabem que em Paris esta um frio do cão! Amanhã a previsão é maxima de -3° e estou deprimida demais pra falar a minima. Nesse contexto de catastrofe (ainda não entendi porque não decretam logo estado de calamidade publica) eu tive que sair da minha casinha confortavel e quente para, argh, ir trabalhar. Tenho um casaco preferido pra ficar em casa. Ele é fofo, confortavel, cheiroso, macio, quentinho e tão largo que às vezes, em caso de frio extremo como janela aberta pra circular o ar, eu dobro as pernas, enfio o casaco por cima delas e fico em bolinha até tudo voltar ao normal. Esse casaco seria perfeito para usar no dia a dia contra o frio a não ser por um motivo: ele é muito, mas muito feio.

Pra começar, digo que ele é meu, mas na verdade é do cheri, eu que me apossei. Então ele é grande demais pra mim. Depois que as cores são muito anos 80, sabe aqueles coloridões? Pois é. Agoram vejam o meu dilema: sair quentinha, mas muito desconjuntada ou passar um pouco de frio mas não destruir a retina dos passantes? Pois eu tenho saido com ele, mas debaixo do meu casacão longo que so tiro quando chego na casa das crianças que tomo conta. Mas nem quero falar da expressão de terror das mães quando vêem tamanha afronta à civilidade dentro de suas proprias casas.

Dai que hoje estava indo trabalhar, andando o mais rapido possivel por causa do frio. Mãos congelando porque não achei a outra luva, duas calças, casaquinho quente, estava xingando essa cidade fria e todos os seus habitantes, até que parei em frente a uma loja e vi um cenario de filme. A vitrine tinha varios quadros, desenhos, pinturas e dentro dela vi um cara lindo desenhando, concentrado no seu trabalho, rodeado de livros, pinceis, tintas, lapis e um labrador caramelo maravilhoso deitado na frente da mesa dele. O cara parecia tão feliz, tão realizado, um sorriso lindo, num ateliê que parecia tão quentinho e confortavel em contraste com a rua fria. Acho que vi até uma lareira. Parecia tudo tão irreal, sera que existe mesmo alguém feliz no trabalho, sera que não é mito? Sera mesmo que alguém pode trabalhar com seu cachorro? E fiquei ali parada admirando a cena por alguns minutos, agradecendo mentalmente o cara por não ser egoista e não ter se trancado num quarto com muros, até que o cachorro me viu, saiu correndo na minha direção e ficou chorando na porta. O dono me viu, sorriu, se levantou, abriu a porta e o cachorro me trouxe um ursinho de pelucia pra brincar com ele. Foi ai que vi seu casaco horrendo (ou medonho, como diz minha mãe), quase tão desengonçado quanto o meu. O cara, muito simpatico, me explicou que ali era um ateliê de arquitetura e eu respondi que seu cachorro era muito fofo e fui embora. Fiquei com a impressão que podia ser o inicio de uma historia de amor, mas com a protagonista errada, uma vez que eu ja encontrei o cheri da minha vida e não o troco por nada nesse mundo, nem por um labrador. Então meninas, quem quiser eu dou endereço, porque acho muito desperdicio um cenario daqueles sem nenhum friozinho na barriga. E nesse frio todo mundo merece ter alguém pra esquentar os pézinhos na hora de dormir, mesmo que seja pra terminar tudo no primeiro desabrochar de flores. Pelo menos pra isso o frio tem que servir! So não esqueça de vestir o casaco mais feio que tiver no seu armario.

sábado, 27 de novembro de 2010

O verdadeiro problema do Rio

Meu entusiasmo com uma possivel mudança no Rio diminuiu bastante. Tudo bem que nesse momento estamos todos precisando de um pouco de otimismo e esperança, mas acho que o caminho é muito mais longo do que a gente quer crer. Estou gostando de ver os cariocas unidos, apoiando a policia e certos de que dias melhores virão. Mas temos que assumir que mudanças reais estão ainda muito longe de acontecer. Porque, como sempre, o buraco é mais embaixo. A dura verdade é que o problema do Rio não é o trafico de drogas.

Podem prender todos os traficantes, podem acabar com trafico, podem até legalizar as drogas que a violência vai continuar. Esse é so um dos meios encontrados pelos bandidos para ganhar dinheiro. Se não tiver drogas tera assalto, sequestro, e sabe-se la o que mais. Nos ultimos anos temos ouvido muito dizer que a educação é a solução, que trabalhos sociais são indispensaveis, que escolinhas de esportes ajudam as crianças a se manterem longe de problemas. Eh verdade que todas essas coisas são indispensaveis, mas sozinhas elas não se sustentam. Parece que com esse discurso a classe média quer lavar as mãos de qualquer responsabilidade, ja que educação é papel do governo. Fico surpresa que se fale tão pouco na real raiz do problema: a desigualdade social.

Enquanto houver tamanha disparidade entre os salarios, havera violência. Fiz uma pequena pesquisa pra comprovar essa teoria e vou expor aqui alguns dados. Pra começar, acho que todos sabem que o Brasil é um dos paises mais desiguais do mundo. A brilhante ideia dos militares de aumentar o bolo pra depois dividir não deu certo e até hoje sofremos as consequências. Não deu certo simplesmente porque ninguém nunca quer dividir. Pra se ter uma idéia, os 10% mais ricos do Brasil ganham em média 51 vezes mais que os 10% mais pobres. Esse numero é pior que o Peru (30 vezes), o México (25 vezes), a China (21 vezes). Entre os paises desenvolvidos, a comparação chega a ser humilhante: EUA (16 vezes), Portugal (15 vezes), França (9 vezes), Japão (4,5). Esse grafico sobre desigualdade que tirei da Wikipedia também nos ajuda a ter uma ideia do absurdo:


A violência esta muito mais ligada à desigualdade social do que à pobreza sozinha. Pessoas extremamente pobres convivendo com pessoas extremamente ricas se revoltam, sobretudo porque não ha quase nenhuma possibilidade de mudar de classe social, por mais que o capitalismo te queira convencer do contrario. O grafico abaixo que eu fiz mostra como desigualdade social e violência caminham lado a lado:

Desigualdade e violência em 21 paises:

A linha azul representa o coeficiente de Gini, um calculo que mede a desigualdade; a linha vermelha mostra a taxa de homicidios por 100 habitantes; e a linha pontilhada verde representa a porcentagem da população abaixo da linha de pobreza de cada pais. Os numeros foram transformados em uma escala de 0 a 1 para facilitar a comparação de indices diferentes. Vemos claramente que a violência tem relação direta com a desigualdade social e que a pobreza interfere pouco. E podemos perceber também que mesmo se o Brasil diminuir pela metade seus homicidios, ainda assim estara muito longe da média entre os paises desenvolvidos.

Acabar com o trafico nas favelas tem que ser apenas o inicio de uma politica conjunta entre todas as esferas do poder e da sociedade. Parece que os responsaveis pela segurança publica estão fazendo um bom trabalho prendendo os bandidos, mas apenas isso não é suficiente. A repressão sozinha nunca foi a solução pra nada. Teria que entrar sim a educação, os projetos sociais, mas acima de tudo a sociedade tem que estar disposta a dividir o bolo. Chegou a hora. Não da pra querer paz sem abrir mão de alguns privilégios. Não é na base da porrada que o problema da violência vai acabar, é na base da justiça - ela é unica via duravel. Não adianta nada o exército, a marinha e a aeronautica invadirem as favelas, se os pobres continuam pobres. Outros marginais vão surgir, se não com o trafico de drogas, com outra coisa.

Dividir o bolo é dificil porque todo mundo se acha pobre, ja que todos se nivelam para cima, nunca para baixo, se comparando com aquele tio rico ou com o vizinho bem de vida. Mas nos, classe média, precisamos sair da bolha que vivemos e assumirmos que somos a elite do Brasil e que não adianta nada continuarmos nos comparando com milionarios se a maioria da população vive na miséria.

 E ai, você esta disposto a dividir seu pedaço?

Guerra no Rio

Quando decidi morar na França fiquei triste por deixar meus amigos e minha familia, é claro. Porém, fiquei duas vezes feliz: a primeira por chegar em um lugar novo e a segunda por sair do Rio. Acho que eu devo ser uma das poucas cariocas que diz não gostar de morar no Rio. Poxa, eu vivia com medo! Tinha medo de sair à noite e voltar de madrugada, tinha medo quando cruzava uma viatura de policia na linha vermelha, tinha medo de ir da minha casa na Tijuca para a casa da minha avo em Olaria, passando por varias favelas e ouvindo tiros pelo caminho. Acontece que o meu Rio não é Ipanema, Leblon, Gavea. O meu Rio é Olaria, Ramos, Penha, Complexo do Alemão e somente aos 17 anos, Tijuca.

E eu não tinha medo so por mim. Quando minha mãe ia sozinha pra casa da minha avo eu morria de preocupação até ela ligar pra dizer que tinha chegado. Eu também morria de medo pela minha familia por parte de mãe que mora numa rua de acesso ao morro do alemão e pela familia do meu pai que mora na Penha, cercada de favelas. Quando eu fui embora continuei preocupada, claro, mas era menos pontual, porque eu não sabia quando minha mãe estava indo pra minha avo ou quando o bicho estava pegando nos morros. Mas às vezes eu ligava pro meu pai e ouvia os tiros no telefone.

O mais impressionante é a normalidade com que a gente encara a violência. Isso ficou ainda mais claro depois que vim morar fora do pais. Para mim, era absolutamente normal ouvir barulho de tiro e rajadas de metralhadoras. O cheri me zoava cada vez que eu ouvia um barulho e dizia "Xiiii, é tiro". Uma vez, logo no inicio, quase me joguei no chão achando que tinha tiro bem perto da gente. Imaginem o ridiculo da cena! Mas para mim ja era reflexo de sobrevivência! No começo desconfiava de crianças negras que detectava com o canto do olho e quando olhava pra elas me sentia a pior das pessoas: via crianças como qualquer outra, de mochila indo pra escola. Mas é isso que nos, cariocas, fazemos: desconfiamos de crianças negras que cruzamos na rua! E ainda as chamamos de trombadinhas. Eh dificil admitir, é muito triste, mas é verdade.

Cheguei ao ponto de acreditar que o Rio era um caso perdido. Não tem mais solução, pensava. E todo mundo à minha volta também pensava o mesmo. Imaginem a minha surpresa e felicidade ao conversar com cariocas que diziam que a violência no Rio estava melhorando com a nova politica implantada pelo governador Sérgio Cabral, com suas UPPs. Minha mãe disse que o caminho para a casa da minha avo estava bem tranquilo, meus amigos do Grajau disseram que as favelas em voltas estavam numa paz que nunca tinham visto antes, mas uma coisa me preocupava: todo mundo dizia que os bandidos estavam sendo expulsos de suas comunidades e se concentrando no gigante Complexo do Alemão e o dia que a policia invadisse o Alemão a coisa ia ficar feia.

Achei normal a reação dos bandidos para tentar pôr a população em pânico para que ela fizesse pressão para acabar com essa politica que os esta prejudicando. Mas a população não é boba e pela primeira vez esta totalmente do lado da policia. Acho que a grande maioria dos cariocas é favor de ir até o fim, como se essa fosse uma batalha final de uma guerra que durou décadas. E eu pensei, poxa minha familia ja vive sob risco constante, então pelo menos dessa vez é por um bom motivo e quem sabe, pela ultima vez. Como estou longe não sei exatamente qual o clima do Rio nesse momento, mas meu amigo Flavio me deu uma ideia do otimismo geral:

"Eu realmente acho que alcançamos um divisor de águas. O clima na cidade é estranho demais. As pessoas estão com medo, mas o que se destaca mais é o engajamento da população, a coragem. Todos estão do lado da polícia, e finalmente conseguimos ver a polícia do nosso lado. Lá na Penha, as pessoas estavam dando água para os PMs!!! Onde já se viu isso no RJ!!! É a hora, e todos já sacaram isso. A sensação é de que não dá pra voltar atrás, agora é só ir pra frente. Mudou alguma coisa na cidade, não sei se pra melhor ou pior, mas alguma coisa mudou claramente.

Amanda, o Brasil é o país do futuro? A Tânia esteve aqui e disse que é o que mais se fala por aí. E eu acredito nisso, acho que em 4-5 anos essa cidade vai se transformar absurdamente. Limpeza, segurança, educação das pessoas, trânsito, Lagoa Rodrigo de Feitas, Baía de Guanabara... isso tudo vai mudar, seja por bem ou por mal. Seja profundamente ou só uma maquiagem para o mundo ver, mas essa cidade já começou o seu processo de mudança.

Nesses últimos dias de "atentados terroristas" e guerra declarada, Amanda, você tem que ver as declarações das pessoas nas ruas, ninguém se prende muito ao momento, todos falam da esperança no futuro. As pessoas estão muito conscientes de que precisam pagar por 20 e tantos anos de descaso com a segurança pública. Então estão falando assim mesmo: Temos que passar por isso, para isso acabar e chegarmos em um lugar melhor. O clima é muito diferente (acho que dá para notar pelo tom desse texto que escrevi, né?)".

Achei muito emocionante o que ele escreveu, mas não posso simplesmente gritar "agora é a hora, a policia tem que acabar com a festa dos bandidos", quando minha familia é refém dessa disputa. Eles estão la, presos dentro da casa que julgam mais segura, com medo. Minha priminha de um ano esta la. Quem foi trabalhar não conseguiu voltar e primos foram dormir na casa de amigos. Com certeza ter minha familia la no meio da guerra me faz ter uma postura diferente do que eu teria se eles não tivessem la. Provavelmente eu nem estaria tão interessada no assunto, estaria acompanhando meio de longe, entusiasmada com as mudanças que estão acontecendo e torcendo pra o exército invadir logo pra devolver a paz no Rio. Mas sera que para chegar à paz temos que passar pela guerra? Adorei a iniciativa da ONG Rio de Paz que propõe uma negociação de rendição dos bandidos, para que o alemão não se transforme em um campo de guerra. O pior é ler na internet mensagens de odio dizendo que não tem esse negocio de rendição, tem que invadir e matar todo mundo, jogar uma bomba de preferência!

Porque eu sei que é muito improvavel que aconteça algum dano fisico na minha familia se eles continuarem se escondendo, mas so esse terror, esse medo constante, ja é uma violência tremenda. Imagina dormir com medo de uma bala perdida invadir sua casa, imagina temer que bandidos te obriguem a escondê-los no meio da madrugada? Imagina ouvir barulho de tiros sem cessar? Helicopteros voando no seu telhado?

Estar longe não ajuda. Fico grudada nas informações, querendo saber de todos os detalhes. Quero muito que tudo isso termine de uma vez. Eu estou na França, mas o meu coração, mais do que nunca, esta no Rio.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Gente de Oz - Simon

Quando decidi largar a vida urbana australiana e rumar para o campo, uma amiga me indicou um backpacker (albergue em australianês) que te arranja emprego nas fazendas e te leva de van todos os dias pra trabalhar, em troca do pagamento da tua hospedagem. Esse esquema funciona muito bem por la e todo mundo sai ganhando: você, que não tem os contatos certos para arranjar emprego na agricultura e acaba conseguindo um trabalho e ainda transporte para esse trabalho, e o dono do backpacker que normalmente não teria nenhum hospede naquele fim de mundo, fica com sua espelunca lotada por causa de seus contatos com os fazendeiros.

Mas quando cheguei em Stanthorpe, uma cidadezinha trinta quilômetros depois das botas perdidas de Judas (onde conheci o cheri, hihihi) para trabalhar pela primeira vez nas fazendas, tive que ficar num hotel em vez do albergue porque estava lotado. Fiquei la uns três dias até abrir uma vaguinha no outro. No quarto do meu hotel tinha... uma cama. E so. Sem armario, sem espelhos, sem banheiro, sem mesa, sem televisão. Luxo total. E se no backpacker sempre tem gente pra conversar, rir, beber, naquele hotel so tinha uns velhos estranhos de pescoço queimado de sol e rosto vermelho de tanto beber. Na falta do que fazer eu ia ver TV na sala comum e foi assim que conheci o Simon.

Simon era um australiano de uns 30 anos, de olhos bem tristes. Ele falava e a gente sentia imediatamente a melancolia que emanava dele. Simon também estava trabalhando na colheita, mas como tinha carro proprio e era australiano, não precisava depender dos donos de albergues. A gente assistia filmes na TV e conversava e um dia ele resolveu me contar porque estava la. Disse que tinha uma noiva de quem gostava muito e um dia os dois tiveram uma briga feia por bobeira. Ele voltou pra casa e ela foi dar uma volta no mato pra espairecer. So que a menina acabou cruzando uma cobra, foi mordida e morreu naquele dia. Depois da briga. Ele disse que não podia acreditar, que se sentiu muito culpado e que não poderia continuar vivendo do mesmo jeito, como se nada tivesse acontecido. Então deixou a vida dele pra tras e foi viajar pela Australia: trabalhava quando dava, dormia onde podia, conversava com quem queria ouvir e assim ia tocando sua nova vida. Ja fazia dois anos depois da morte da noiva e ele ainda não tinha planos para o futuro.

Depois que me mudei para o backpacker continuei indo visita-lo quando dava e uma vez até levei o cheri. Ele era uma pessoa tranquila, que gostava de conversar, mas que a gente via que estava passando por um momento dificil. Acabamos perdendo o contato, mas sua historia nunca saiu da minha cabeça. Nem imagino seu sofrimento. Eu so posso torcer muito para que ele tenha conseguido refazer sua vida e superado esse triste trauma.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Poder sobre os desesperados: o sonho da elite conservadora que esta escorrendo pelas mãos

Ontem ouvi um dialogo na televisão francesa que me chocou profundamente. Uma mulher que trabalha numa agência de empregos estava falando como o sistema que liga as empresas aos desempregados precisa ser dinamizado. Ela explicava que às vezes era obrigada a exigir um processo longo e trabalhoso, geralmente bem longe da residência do desempregado, para um trabalho de apenas dois dias. Disse que a pessoa desiste, que não quer se colocar nessa situação de merda por causa de dois dias de trabalho. Ai um jornalista, Eric Zemmour, conhecido por suas posições racistas e conservadores, respondeu indignado: "Isso é um absurdo, isso é so porque eles têm allocation familiales (tipo um bolsa-familia francês, com a diferença que o montante é maior)". A moça disse que sinceramente, ela achava que nem se eles não tivessem, iriam. E o cara, do alto da sua arrogância, alegou que "Se eles estivessem passando fome, iriam" (s'ils crevaient de faim). 

O mais triste é pensar que se na França esse tipo de frase desumana merece destaque na televisão, no Brasil ela é senso-comum, passa completamente despercebida e aposto que tem muita gente que até agora não viu nada de chocante na afirmação do cara.Quantas pessoas ja não ouvi reclamando na internet do bolsa-familia, que agora ta dificil arranjar empregada porque ela prefere receber 100 euros do governo do que um salario de 300 pra trabalhar como escrava. O argumento é o mesmo do cara da TV: é melhor que eles estejam morrendo de fome mesmo, porque ai vão fazer qualquer coisa para a gente. Eh muito bom quando a pessoa ja não tem mais dignidade, esta desesperada, pois ela aceita trabalhar por comida e roupa velha. A gente da uns trocados e ela vira nossa escrava. O bolsa-familia devolveu o poder de decisão de gente tão humilhada, devolveu o respeito perdido, devolveu a dignidade.

Eh por isso que eu não admito que falem mal do bolsa-familia. E é por isso que eu tenho um grande problema em respeitar alguém de direita, porque simplesmente acho inadimissivel que discordem de um programa tão justo e humano. Podem me chamar de radical, de intolerante, mas a verdade é que eu quero distância de pessoas que vêm cheias de ironia e falam "E ai, ta feliz com a eleição? Agora vamos continuar sustentando os pobres". E falam isso sem tomar o menor conhecimento de causa, sem ter ideia que além de salvar a vida de muita gente, esse dinheiro movimenta a economia local, gera empregos, diminui a migração interna, diminui a violência e vai até mesmo evitar essa pessoa preconceituosa e alienada de ter seu celular de ultima geração roubado.

Eric Zemmour por acaso acha que se tiver gente passando fome na França todos vão se sacrificar para trabalhar dois dias num emprego de merda ou sera que alguns deles vão se revoltar com a situação e começar uma onda de violência? Porra, a coisa é tão simples que me da sono tentando explicar a essas pessoas que ajudar o proximo é ajudar a si mesmo. Vou mandar esse cara dar uma voltinha no pais dos sonhos dele, o Brasil (ainda!), pra ele ver qual o resultado da politica que gostaria de implantar.

domingo, 21 de novembro de 2010

Resultado da brincadeira

Pessoal, adorei vocês terem participado da minha brincadeira! Obrigada!! Ninguém acertou todas, mas também ninguém errou todas. Poxa, mas agora nem tem tenho vontade de dizer a verdade, ja que vocês acham que sou essa pessoa inteligente, corajosa, dotada de talento para a musica, hehehehe! Duas coisas me impressionaram: muita gente errou achando que eu era nerd e muita gente acertou que eu trabalhei de faxineira. Ok, sem mais delongas, ai vão as verdades e as mentiras:

Eu era a nerd da minha turma no segundo grau
Mentira. Passei longe disso: quase repeti de ano! Nem estudei pro vestibular e fiquei muito longe de passar em uma universidade publica. No ginasio (ainda existe ginasio?) eu era boa aluna, mas me dedicava muito mais à natação e minha matéria preferida era educação fisica.
 
Eu me formei em sapateado
Verdade. Essa é minha preferida pra chocar conhecidos. Ninguém que me conheça pessoalmente (e principalmente que tenha ido a uma boate ou a um samba comigo) acredita que eu tenha feito seis anos de sapateado e cinco de dança moderna. Danço feito um poste! O detalhe é que eu sempre detestei, mas por alguma razão eu dizia que queria continuar quando minha mãe perguntava a cada renovação de matricula. Devia ser masoquista.
 
Eu ja fiz fotos de propaganda quando criança
Verdade. Eu era uma criança bonita e ja dei uma de modelo uma vez ou outra. Mas os processos de seleção estavam atrapalhando meus treinos de natação e minha treinadora me fez escolher: "Você quer ser modelo ou nadadora?" e eu escolhi ser nadadora. Não tinha talento para modelo. Tampouco para nadadora.

Eu ja saltei de paraquedas
Mentira. Gente, estou superando meus limites fazendo escalada indoor! Paraquedas é im-pos-si-vel. Uma vez o dono do hotel em Ipanema que eu trabalhava me ofereceu um salto de paraquedas em Buzios, ele ia pagar tudo pra mim e eu recusei. Existe pessoa mais cagona que eu?

Eu fui eleita a segunda melhor flautista na minha escola de musica
Mentira. Não sei tocar nenhum instrumento e notas musicais são um mistério para mim. Mas sempre tive vontade de aprender. Agora me digam: porque diabos em vez de fazer sapateado, eu não fazia aula de violino? A sala era logo ao lado! Mas um dia ainda aprendo a tocar alguma coisa.

Eu ja sai de casa com a toalha enrolada na cabeça duas vezes
Mentira. Sinto decepciona-las, mas isso nunca aconteceu comigo. Hehehe! Por pouco, mas não aconteceu.
 
Eu namorei três anos um professor de educação fisica
Verdade. Meu primeiro namorado (na verdade quando começamos a namorar, ainda estavamos no segundo grau). Gostava muito dele, mas hoje não temos mais NADA A VER. E na época achava que iamos ficar juntos para sempre, aquela coisa toda. Que bom que ele terminou comigo, senão não teria feito um milésimo das coisas que fiz.

Eu ja raspei a cabeça
Verdade. Passei maquina 3 ou 4 no cabelo quando tinha 20 anos. Fui na casa do meu namorado da época (não é esse ai de cima) e pedi pra ele raspar. Foi uma libertação, recomendo.

Eu ja dei um soco na cara de alguém
Mentira. Acho que nunca briguei tão feio com alguém a ponto de querer dar um soco na cara.

Eu fiz plastica na orelha de abano
Mentira. Nunca tive as orelhas "descoladas", como se fala na França. E nem que tivesse faria uma cirurgia estética.

Eu nunca fiz dieta
Verdade. Sempre fui magra, quando criança detestava isso. Quer dizer, sempre fui magra até pouco tempo, porque ta rolando um ganho de peso no momento, culpa dos queijos franceses. Depois que escrevi essa lembrei que eu e o cheri dissemos uma vez que iamos fazer dieta, mas no fim das contas não fizemos nada, deu tudo errado, então acho que da pra dizer que nunca fiz dieta.

Eu ja trabalhei de faxineira
Verdade. Um dos piores trabalhos que ja fiz e olha que nem era pra limpar casas, mas escritorios. Foi na Australia, mas abandonei rapidinho, pois preferi ir trabalhar nas fazendas, onde o trabalho era mais pesado fisicamente, mas eu podia conversar com os outros e ninguém me olhava como um ser inferior.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mostre-me teu blog, te direi quem és

A Rita fez um post otimo sobre a imagem que ela passa como blogueira, para os leitores. Ela diz que todo mundo pensa que ela é meiga, doce, centrada, enfim, um poço de sobriedade, mas que a realidade pode ser diferente. A Denise também falou sobre isso hoje, em como as pessoas a julgam por nunca reclamar de nada no blog, de so falar das coisas boas da vida dela, como se ela quisesse fazer acreditar que tudo é perfeito no seu mundinho. Não é porque não escrevemos sobre nossos problemas e dramas pessoais que eles não existem e como selecionamos o nosso lado que queremos mostrar ao outro, pode ser que passemos uma impressão completamente equivocada.

Pode ser que aquele blogueiro engraçadissimo demore 10 minutos para pensar em cada piada, o que faz dele na vida real, um ser não tão perspicaz assim. Pode ser que aquela blogueira que faz o maior drama em cada post use a internet como terapia e, ao contrario do que imaginamos, seja super animada na vida real. A Luci, por exemplo, me intimidava um pouco. Sempre tão descontraida, tão engraçada, tão cool, que eu achava que ela ia me atropelar contando todas as coisas interessantes que ela fazia na vida e ia acabar me achando monotona demais para ser amiga dela. Claro que estou exagerando e ja sabia que ela era legal, mas foi um reconforto conversar com ela 5 min e ver que ela superava todas as minhas expectativas. Pra quem lê seu blog e não a conhece pessoalmente, posso garantir que além daquela irreverência toda, a Luci também tem o lado doce da Rita, sabe ouvir, tem um sotaque delicioso, é uma pessoa simples e continua engraçada, logico.

Fiquei pensando qual a impressão que passo pra vocês. A Carol ja me disse que eu sou mais figura de verdade do que pareço no blog (não sei o que ela quis dizer, mas encarei como elogio, hihihi). Sera que passo uma imagem séria demais falando de Sarkozy, de politica, de nacionalismo, de feminismo? Gente, eu falo muita besteira, viu? No inicio posso parecer meio timida, meio sem jeito, mas depois que vou pegando intimidade, pronto.

Então inspirada no joguinho de "eu ja / eu nunca" que esta rolando por ai cujo o mérito é justamente chocar a impressão que as pessoas têm da gente, eu vou fazer um pouco diferente. Lanço 12 frases, 6 verdadeiras, 6 falsas, e gostaria que vocês tentassem adivinhar quais as verdadeiras.

Eu era a nerd da minha turma no segundo grau
Eu me formei em sapateado
Eu ja fiz fotos de propaganda quando criança
Eu ja saltei de paraquedas
Eu fui eleita a segunda melhor flautista na minha escola de musica
Eu ja sai de casa com a toalha enrolada na cabeça duas vezes
Eu namorei três anos um professor de educação fisica
Eu ja raspei a cabeça
Eu ja dei um soco na cara de alguém
Eu fiz plastica na orelha de abano
Eu nunca fiz dieta
Eu ja trabalhei de faxineira

Eh verdade que algumas coisas podem ser surpreendentes até para quem me conhece pessoalmente, mas é so uma brincadeira pra eu saber como vocês me vêem. :) Blogueiras, convido vocês a fazerem o mesmo!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Super Mamika

Quero apresentar pra vocês uma nova heroina: a Super Mamika!


Sacha Goldberger, é fotografo e teve a genial ideia de pedir pra sua avo posar pra ele. Parece que os dois se divertem muito se fantasiando e tirando fotos e Mamika morre de orgulho do netão querido. Todas as entrevistas que vi da super-heroina são hilarias, ela tem um bom-humor fantastico combinado com "não-ligo-para-o-que-os-outros-pensam". O resultado dessa brincadeira:













Super Mamika esta em exposição até dia 30 de novembro na galeria Wanted Paris.

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