Mostrando postagens com marcador moizinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador moizinha. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nunca subestime um coração partido

Deixar Paris está sendo o fim de relacionamento mais difícil que já tive na vida. Eu estou bem, já me conformei, já tenho uma outra cidade na minha vida, estou fazendo novos planos e aproveitando minha liberdade. O problema é ela: Paris está se revelando muito mais rancorosa do que eu imaginava.

Paris está me sabotando desde que eu voltei de férias apaixonada por outras cidades do sul da França. Espedaillac foi um golpe muito forte, eu sinto. Quando disse que os vilarejos são muito mais lindos do que a capital, eu sei que de alguma forma ela ouviu e se ofendeu. Quando eu me maravilhei com a Corse, tenho certeza que Paris pensou: "ela nunca olhou pra mim com essa admiração". E desde então ela anda fazendo da minha vida um inferno.

Depois de cinco anos de convivência, ela conhece muito bem meus pontos fracos e não hesita um segundo em utilizá-los contra mim. Ela me ataca na alma com toda a falta de gentileza que seus piores habitantes podem ter. Ela me mostra toda sua grosseria, sua ambição cega, sua mesquinharia. Ela aponta o dedo na minha cara, ri e me faz chorar em público. Ela me atinge no bolso através de sistemas complexos sobre o qual não tenho o menor controle. Ela me mostra o que há de pior na humanidade, ela me faz ter pensamentos furiosos e cheios de ódio, mostrando também o que há de pior em mim.

Sequer a reconheço mais. No início do nosso relacionamento ela me deu tudo. Ela me deu um lar, um emprego. Ela me ensinou muitas coisas, aprendi tanto! Ela me deu até um diploma, mas as coisas mais importantes que aprendi não foram em sala de aula. Paris me ensinou uma língua nova. Paris me ensinou a sempre olhar os dois lados da história. Ela me ofereceu tudo o que havia de melhor nela e eu peguei. Realmente me senti acolhida. Se no início não tinha muitos amigos, eu não me importava. Quando uma tristezinha ou uma solidão batia, eu saia de casa, ia admirar a beleza lá fora e tudo ficava bem novamente. Quem precisa de amigos quando se tem Paris?, eu pensava. E ela adorava ouvir esse tipo de coisa. Foi nossa melhor época juntas.

Com o tempo fui fazendo amigos e deixei de olhar tanto para cima para olhar mais para baixo, tomando cuidado com o caminho na volta pra casa de madrugada. Ela não estava totalmente satisfeita, mas acabou se conformando porque via que eu estava mais feliz. Mas nos sabíamos que nosso relacionamento já não era o mesmo. Eu já não podia mais suportar o metrô lotado que ela me oferecia. Passei a pegar ônibus. Eu comecei a reclamar da multidão, dos turistas, dos preços. Ela se ofendeu. O ganha-pão que ela oferecia passou a ser insuficiente para meu crescimento. Minha existência na cidade começou a parecer sem sentido e então eu decidir por um ponto final na nossa relação e ir embora.

Foi aí que Paris se decidiu a me prejudicar como podia. Ela me deu os golpes mais baixos que uma cidade pode dar numa pessoa. O que ela não percebe, é que isso tudo que ela está fazendo só me dá mais vontade de ir embora e a cada dia que passa eu tenho mais certeza de que tomei a boa decisão. Sim, amei Paris e vou continuar a amá-la pra sempre, mas de uma forma diferente. Ela sempre terá um espaço no meu coração - o que vivemos juntas não se esquece jamais. Mas ela precisa entender que esse joguinho sujo não serve pra nada. Não é melhor dizermos adeus sem mágoas, sem rancores, apenas lembrando os bons momentos?

Não me leve a mal, Paris. Sou nômade demais pra ficar numa cidade só. Mas nunca vou esquecer tudo o que você fez por mim, nem das vezes que você piscou quando me viu passar. So peço por favor, me deixe ir em paz.

Depois da tempestade...

sábado, 13 de agosto de 2011

Lot, amor à primeira vista - parte 2

No Lot, a gente vê em todos os lugares muretinhas feitas de pedra construidas na idade média. Elas parecem meio frageis, equilibradas meio por acaso, temos a impressão que cairão no primeiro vento. Mas, pombas, estão la ha milhares de anos! E estão por toda parte, nas cidades, nas estradas, no meio do nada.



Outra maravilha são as falésias da região, que ha centenas de anos foram usadas como parede de casas (e é logico que as casas estão la até hoje - e habitadas), o que da a impressão de que os imoveis estão dentro da pedra, um espetaculo.



Num dia de passeio, na hora do almoço, decidimos parar em algum lugar charmosinho pra poder comer nossos sandubas e acabamos caindo por acaso em St-Martin-des-Vers. O legal é que em qualquer lugar que a gente para, se deslumbra.



As videiras estão por toda parte

Fomos também em St-Cirq-Lapopie, que é a preferida da região por sua estética montanhosa e por causa disso cheia de turistas. Eu continuo preferindo as outras, perdidas, com vida cotidiana de verdade. Mas isso não me impediu de babar um pouco.





Reparem no teto de uvinhas


Realmente conhecer o Lot foi uma feliz surpresa. Fiquei encantada com cada cantinho que descobri e moraria la facil, facil. Sinceramente, acho a região bem mais bonita que Paris e seus arredores. Tudo bem que são duas coisas incomparaveis (uma é campo e outra é cidade), mas eu gostei bem mais de conhecer o primeiro. Não sou uma pessoa de museus e multidões, prefiro a calma das cidadezinhas e paisagens naturais. So que normalmente minha preferência vai sempre para as regiões praianas e dessa vez cheguei ao extremo de colocar o Lot acima das minhas cidades litorâneas favoritas. So não fiquei triste em ir embora porque sabia que minha viagem estava apenas começando...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Lot, amor à primeira vista - parte 1

Confesso que não gosto muito de posts de viagens. Nos blogs que leio, esses textos são o que menos me interessam. Então eu também evito escrevê-los, porque acho que nunca vou conseguir explicar todas as sensações de uma viagem, todos os sentimentos e as fotos tampouco fazem jus à beleza do lugar. Mas dessa vez eu quero deixar registrado um pedacinho da viagem que ando fazendo, nem que seja pra eu ler mais tarde depois e lembrar das sensações. Aviso logo que é um post longo e cheio de fotos (obrigada Luci por me ajudar a carrega-las!)

:)

Depois da casa da Luci, pegamos o trem rumo à Toulouse (onde moram os pais do cheri) para pegar o carro e começar nossa road trip. Primeira vez que acampo de carro, minhas viagens até aqui sempre foram no perrengue de levar apenas o que você pode carregar, então dessa vez enchemos a mini-caminhonete de tralha. Levamos até mesa, minha gente! Nunca na historia desse pais pensei um dia em levar cadeiras pra acampar. Engraçado que todo mundo no camping tinha não apenas mesa e cadeiras, mas rede, churrasqueira, todos os utensilios de cozinha e até microondas. Sem contar os campings que têm tudo que você pode imaginar: de quadra de tênis e mini-golfe até piscinas imensas e varios brinquedos pras crianças. Acampamento na França é uma instituição, tem toda uma infra-estrutura por tras.


Então fomos no departamento do Lot, no sul do pais. Cheri conhece bem a região, suas raizes estão ali. Sempre ouvia ele falar dessas cidadezinhas e ficava imaginando como era e so agora pude constatar com meus proprios olhos. E olha, minha imaginação estava longe da realidade: era impossivel eu imaginar algo tão, mas tão lindo! Porque ele até dizia que era bonito e tal, mas sabe como é né, somos suspeitos pra falar da nossa região de origem. E dei graças aos céus que ele me levou até ali, pois eu nunca tinha ouvido falar em Lot e com certeza não teria ido se não fosse por ele. Alias, não cruzei nenhum brasileiro (nem latino, nem americano, nem asiatico, nem africano, nem europeu do leste) durantes os cinco dias que ficamos la. Os poucos turistas eram 80% franceses e o resto era alemão, belga, inglês e holandês. Engraçado como essas nacionalidades descobriram a região e fizeram uma corrida pelas ruinas para depois reforma-las e transforma-las em casas de campo. Tem muito proprietario inglês por ali.

Ficamos na cidadezinha de Marcilhac-sur-Céné e dali iamos passear pelo arredores. A primeira cidade que paramos, Espédaillac foi a que eu mais gostei, não sei se pela novidade, ou simplesmente porque ela era bonita mesmo. E o melhor, sem nenhum turista! Eu disse nenhum. Os moradores são muito simpaticos e depois de 4 anos em Paris, estranhei quando todos eles me cumprimentavam quando me cruzavam. Espédaillac é uma daquelas cidades que a gente acha que não existe mais, que vimos apenas nos filmes antigos de guerra. Pois sim, elas existem e estão ali no Lot. E eu mal pude crer nos meus olhos, tamanha era a beleza.

As casas são sempre de pedra

Aquela argolinha servia pra prender os cavalos

Casa dos hobbits?

Posso morar aqui?

 Depois passamos por duas outras cidadezinhas, Quissac e Caniac. O bisavô do cheri era de Quissac e andava todo dia 8km pra ir e voltar da escola, que ficava em Caniac.


Achei as cadeiras um charme e parece que o chão foi feito com pedras de uma antiga via romana

Achamos dois antepassados do cheri na listinha da 2a GM


Primeira vez que vejo uma mulher guerreira numa igreja. Imagino que seja Joana D'Arc


Paramos numa floresta no caminho e eu aproveitei pra experimentar a culinaria local. Pas mal!
Continua...

sábado, 6 de agosto de 2011

Lyon, um detalhe geografico

Andei meio desiludida com o blog, acho que vocês ja perceberam. Ao mesmo tempo que tenho achado inutil fazer posts sérios sobre assuntos relevantes, também não queria mais expor minha vida pessoal de cabo a rabo por aqui. Então não via muita lógica. Estava sem vontade de escrever e pronto, não me forçava. Mas a verdade é que a blogsfera me trouxe tanta coisa boa, que me sinto em dívida permanente com ela. As amizades virtuais se tornaram reais e eu acabei conhecendo muita gente bacana, gente que virou amiga pra vida toda. Poderia parar por aqui, já que essas amizades já independem da internet, mas é tão legal essa interação virtual, que sinto que estaria perdendo algo se parasse de escrever.

Um dos maiores presentes que o blog me trouxe foi a Luci. Temos tanta coisa em comum, mesmas opiniões sobre praticamente todos os assuntos, tantas afinidades, que já até cansei de dizer "ah, você também?". Apesar de morarmos em cidades diferentes, sempre conseguimos nos ver com certa regularidade. Dessa vez eu e cheri que fomos visitar. Colocamos Lyon como primeira parada do mês e meio de viagem pelo sul da França que estamos fazendo, e assim, domingo passado desembarcamos em Lyon.

Quer dizer, Lyon é maneira de dizer. Fui pra casa da Luci e calhou dela ser em Lyon. Estava tão ocupada tagarelando que nem tive tempo de pôr o pezinho pra fora de casa. Cheri ainda deu uma voltinha com Camilo, sairam durante 4h e quando voltaram nos encontraram praticamente na mesma posição. Nem prestei atenção no que estava acontecendo ao meu redor, acho que fui super anti social com os colocataires da casa, não sei nem dizer ao certo quem estava por lá. Acho que tinha uma inglesa, mas não tenho certeza. Sabe aquela brincadeira que a gente dá a mão e roda tão rapido que a única pessoa que fica no foco é a que está na sua frente? Então.

O que mais gosto na casa da Luci é que me sinto em casa. Não sei explicar direito, mas parece que lá é tudo tão autêntico e verdadeiro que não há espaço para joguinhos sociais. Eu posso ser eu mesma, sem me preocupar o que vão pensar de mim. A gente se sente tão à vontade, que 5 minutos depois de chegar, o cheri já estava esparramado no sofá.

Claro que conheci as amigas Bernadette, Juliette e Jeanette. Estupidas como o esperado e barulhentas pra quem pegou o quarto mais proximo delas (mas juro que não me incomodei). Comi uvas e tomates do jardim e me balancei na rede como ha muito tempo não fazia. Teve até churrasco, luxo total! Falamos sem parar durante dois dias, dormi 3h na ultima noite, mas o tempo nunca é suficiente pra dizer tudo o que gostaria, nem se eu passasse um ano la com eles.

Com toda certeza, o melhor da vida virtual é quando ela se torna real. E então minha vontade de escrever no blog voltou, o problema é que não vou ter muito tempo pra isso. De qualquer forma vou tentar atualizar minhas andanças pelo sul da França por aqui.

Adivinha quem bebeu?

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Programão de sabado - hospital

Sabado de sol. Atrasados, corri pra lavar a louça acumulada. Um dos 50 copos na pia estava rachado e eu não vi. Peguei o copo e passei a esponja com força. Ele quebrou na minha mão e me cortou. Olhei pro corte e vi que a coisa tinha sido feia. Gritei pelo nome do cheri mil vezes até ele aparecer, assustado. Mostrei minha mão e ele fez uma cara feia. Ainda fez o tipico uh-la-la-la-la-la-la.... Quanto mais ''las' na boca de um francês, mais grave é a situação, saibam disso. E eu disse "Ei, não fala assim que você me assusta!" e ele tentou disfarçar. Depois respondeu "acho que precisamos ir ao médico". Foi quando eu olhei pro chão da sala e vi que estava cheio de sangue pingado da minha mão. Não sentia dor nenhuma. Soube ali que nosso sabado tinha acabado.

Minha sorte é que eu estava pronta pra sair de casa. Vestida e calçada. Se eu estivesse de pijama, acho que teria saido na rua de pijama mesmo. Enrolei a mão numa toalha e fui na farmacia pedir uma indicação enquanto cheri desligava o fogão, pegava as bolsas e fazia o que tinha que ser feito. Furei fila na farmacia e fui logo dizendo que eu tinha me cortado e não sabia se precisava ir pro hospital. Um cara super simpatico e atencioso me levou pra tras da loja e pediu pra eu mostrar o corte pra ele. Fui desembrulhando a mão e vi que a toalha ja estava cheia de sangue. "uh-la-la-la-la-la-la....", ele disse. Perguntou se eu queria sentar, respondi que não. Ele desinfectou o corte, mas disse que não ia mexer muito porque não sabia se ainda tinha vidro la dentro e tal. Mas falou pra eu ir sim pra emergência e me indicou um hospital em Saint-Mandé, fora de Paris, que era mais vazio que os outros. Estavamos caminhando para tras do balcão, quando de repente senti que meu corpo estava vazio de sangue e que eu estava prestes a cair. Nunca tinha sentido isso antes! Mas tentei me manter forte, pensava que poxa, era so um corte, por que estava me sentindo tão mal? Cheri chegou na farmacia e eu nem o vi direito. Perguntei pro cara se eu podia sentar dizendo que não tava me sentindo bem. Sentei. Ele disse que era normal, era o choque. Lembrei que não tinha comido nada o dia todo e de repente uma fome monstra tomou conta de mim. Fiquei com tanta fome que não sabia como eu poderia reunir forçar pra chegar em casa e comer. O cara da farmacia dizia que a gente poderia pegar um taxi pro hospital ou então o metrô. So a visão de entrar num metrô naquele momento me fez piorar, era a ultima coisa no mundo que eu era capaz de fazer. Dai os dois ficaram discutingo logistica e eu fui me recompondo. Ufa, ja estava bem melhor.

Cheri subiu de novo no apartamento pra pegar umas coisas e ver exatamente onde ficava o tal do hospital. Como eu estava melhor, disse que não valia a pena pegar um taxi, o melhor seria ir de ônibus. Porque eu posso estar mal, mas continuo pão dura. E ja estava me sentindo bem, nem fome eu tinha mais. No ônibus encontramos um conhecido que foi logo me estendendo a mão pra dizer bonjour e eu tive que dizer "xi, não vai dar, cortei a mão e estou indo pro hospital". E todo o ônibus olhou pra mim. Na verdade o hospital era bem pertinho de casa, mas chato de chegar até ele. Tivemos que pegar o metrô também, mas apenas por uma estação, so pra não precisar andar mesmo. Eu ja estava bem tranquila, parecia que estava indo dar um passeio no parque. A essa altura o corte ja doia.

Chegamos no hospital, fui levada diretamente pra uma sala e atendida por duas enfermeiras divertidas que disseram "ah, jolie!" quando viram meu corte. Uma delas perguntou se eu estava em dia com a vacina de tétano, eu (que odeio agulhas) disse que tinha quase certeza que sim, mas como eu minto mal, ela disse que ia fazer o teste mesmo assim. E o teste, minha gente, era um furo no dedo. Com tanto sangue espalhado por ali, por que não aproveitar, né? Mas nem deu tempo de reclamar, ela ja foi logo pegando meu dedo e furando, e pra minha surpresa, nem senti!

Colocaram minha mão dentro de uma tijela com iodo e disseram que eu tinha que ficar assim por pelo menos 15 minutos, mesmo que ardesse. E olha, ardeu. O problema é que não foram 15 minutos, mas quase 2h! Até tirei um cochilo. Dai chegou o médico, que certamente era mais novo que eu. Ele parecia meio perdidão, mas era muito atencioso. Explicou que a região do corte concentrava muitos nervos e tendões importantes e que era preciso ter certeza de que nenhum deles tinha sido atingido. Dai ele mexeu de um lado, mexeu do outro, fez testes de movimentos e quando acabou eu perguntei: "E ai? Pegou algum nervo importante?" e ele respondeu "Acho que não. Perai que vou chamar meu colega". Aparece um menino que não devia ter mais de 22 anos, mas todo seguro de si. Foi logo pegando uma pinça e avisando que ia doer um pouquinho. PQP. Chegaram a conclusão que tava tudo ok, era so dar um pontinho aqui e outro ali e ia ficar tudo certo.

Quando fiquei sozinha com meu médico novamente perguntei "Então, você é estudante?", ele respondeu "interno", depois riu e disse, "sim, estudante". Dai conversamos sobre como a faculdade de medicina é dificil, sobre a escolha da especialidade e percebi que se fosse outra ocasião, a gente poderia sair todo mundo pra tomar uma cerveja - eu, ele, as enfermeiras e todos os outros estudantes que passaram pra dar uma olhadinha no meu corte (e que, tenho a nitida impressão, ficaram um tantinho decepcionados por meus nervinhos estarem intactos). Mas não, ele estava apenas costurando meu dedo e eu tinha que chama-lo de vous. Me senti num episodio de Gray's Anatomies.

O legal é que ele me explicava passo-a-passo o que ia fazer. Disse que apesar do meu corte ser grande, ele so precisaria dar dois pontos porque foi fundo e meio na horizontal. Negociamos se teria anestesia ou não e decidimos que não teria. Dai ele narrava tudo o que estava fazendo (ja que eu não estava olhando): "Agora estou procurando o melhor lugar pra pôr o ponto. Voilà. Agora vou furar, atenção! Hooooop-la! Mais uma vez, mais uma vez, hop-la! Pronto, a metade ja foi, viu como não doi tanto assim?", um fofo. Prefiro um estudante simpatico do que um velho experiente que nem liga pra mim. Depois ele me disse: você é bem menos sensivel do que pensa. Eu precisava ouvir isso.

A enfermeira voltou com a tal da injeção contra o tétano. Eu disse pra ela que talvez não fosse necessario, que tinha sido vidro e não metal e blablabla. Ela respondeu "tétano mata, sabia?". Um argumento bastante razoavel, cedi. Dai ela perguntou: "Você pretende ter filhos? Isso não é nada perto de um parto". Estou convencida a não ter filhos. Ela foi pegando meu braço e eu falei: "Mas não é melhor dar no mesmo braço dos pontos? Assim eu fico apenas com um braço invalido", mas ela respondeu "Não se preocupe, essa vacina não doi depois". Resultado - hoje estou com dois braços invalidos. Thanks, nurse.

Saimos de la sem pagar um tostão. Amo a França. Passei 3h no hospital e achei muito, depois descobri que nos hospitais de Paris às vezes temos que esperar até 8, 9h pra sermos atendidos. Dos males, o melhor. Descobri que levar pontos não é assim tão assustador e que eu sou bem mais forte do que eu pensava. Juro que da proxima vez não vou fazer cara feia pra nenhuma agulha. Cheri tem me ajudado a fazer coisas simples como pôr comida no prato ou abrir uma lata. Não pude resistir a piada quando estava a caminho do banheiro: "quando eu terminar, te chamo, ta?". 

Daqui a dez dias tiro os pontos.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O melhor amigo do casal

Achei tão lindo quando alguém disse nos comentarios que gostava especialmente dos meus posts sobre amizade... Pois é, não sei se sou uma pessoa sortuda por ter cruzado com tanta gente bacana ou se sou apenas sensivel a esse tipo de encontro e transformo uma situação banal em algo bem mais importante o que realmente é. O curioso é que não sou absolutamente uma pessoa dramatica ou romântica, que fica suspirando pelos cantos e lendo poemas. Não sou. Mas quando falo sobre amizade e tudo o que vem com ela, me da sim um friozinho na barriga.

A historia de hoje aconteceu ha pouco mais de quatro anos, quando eu e o cheri fomos viajar pelo sul da América do Sul. Fizemos tudo de ônibus, saindo do Rio de Janeiro. Quando cruzamos a fronteira da Argentina, ficamos um tempinho na cidade de Puerto Iguazu, acampados. Costumavamos comer perto do campping num lugarzinho (não da pra chamar de restaurante) que servia "1/4 de pollo con papas fritas". A espelunca era tão suja e sombria, que a gente tinha que escolher entre comer dentro e respirar aquele cheiro estranho e trocar sorrisos sem-graça com a familia que morava/trabalhava ali ou comer do lado de fora e ser assediado pelos cachorros de rua que achavam que se eles olhassem fixamente para um pedaço de frango, ele cairia magicamente no chão. Geralmente escolhiamos o lado de fora. Dai um dia tinha apenas um cachorro la, um pastor alemão, e todos os outros cães ficavam afastados e olhavam de longe. Cheri falou pra eu não dar comida pra ele, mas é claro que eu dei.

Terminamos de comer, pagamos a conta, nos levantamos e saimos andando. Adivinha quem veio junto? Atravessamos ruas, cruzamos esquinas, andamos e andamos e ele com a gente. Achei o maximo, nunca tive cachorro (nem gato, o unico animal que tive foi um papagaio/maritaca que ficou com a gente quase 20 anos, o Lula) e o meu sonho de criança era um cachorro me seguir na rua pra eu chegar em casa e dizer "mas mãe, ele me seguiu até aqui! Posso ficar com ele?". Por mais que eu tentasse atrair os cães, eles nunca me seguiam. Então nesse dia fiquei super satisfeita. So que tinha um problema: eu não ia voltar pra casa e não podia pedir minha mãe pra ficar com ele, pois dali a dois dias continuariamos nossa viagem que incluia 30h de ônibus até Salta. No campping, ja à noite, decidimos que o melhor seria despistar o cachorro (decidimos não, cheri decidiu e eu, muito contrariada, aceitei). Antes de irmos pra nossa barraca, fomos no banheiro. O cão parou na porta e ficou nos esperando, educado que era. O banheiro tinha duas saidas, então entramos por uma e saimos pela outra. Ainda dei uma espiada e o vi la, atento, esperando pela gente. MORRI DE PENA, mas o que poderiamos fazer? Cinco minutos depois de entrarmos na barraca, ouvimos um barulho do lado de fora: era ele, o esperto. Dessa vez, morri foi de orgulho. Pois ele passou a noite toda dormindo ao lado da nossa barraca. Latiu algumas vezes, certamente nos protegendo de terriveis malfeitores.

No dia seguinte ele perambulou com a gente mais um pouco. Não lembro exatamente o que fizemos, mas acho que o roteiro incluiu uma parada no supermercado, onde mais uma vez o gentleman nos esperou o tempo todo do lado de fora. A gente andava na rua e as pessoas paravam pra olhar: que cachorro educado! Os donos nem precisam pôr coleira! Cheri disse que ele nos seguia porque eu dei comida pra ele. Mas poxa, eu ja dei comida pra milhares de cães e isso nunca aconteceu.

Ele nos adotou realmente. Parece que estava pensando "Hum, tô a fim de ter dois humanos... Olha esses dois ai, eles cheiram a frango, por que não?". Uma coisa é certa: se estivessemos em casa, ele viraria integrante da familia. Agora imaginem a minha dor no coração em não poder ficar com esse cachorro que nos escolheu. Não tinha jeito mesmo. Aquele era apenas o inicio de uma viagem de dois meses de ônibus, seguida da nossa ida definitiva pra Paris. Não voltamos pro Rio, pegamos o avião em Buenos Aires. Fiquei muito triste. Iriamos embora de Puerto Iguazu no dia seguinte bem cedinho, então não queriamos simplesmente abandona-lo. Pensei, pensei e cheguei a conclusão de que ele so poderia ter fugido da policia, ja que era um pastor alemão muito educado e tinha um comissariado bem perto do lugar onde o encontramos (ou melhor, onde ele nos encontrou). Pronto, fomos na policia perguntar se eles tinham perdido um cachorro e todo mundo super estranhou a pergunta. Não, eles não têm cães ali. Então explicamos que tinhamos que ir embora, mas que o cachorro nos seguia o tempo todo e tal. Eles ouviam com total ceticismo, aquela cara de "aham, sei". Disseram pra deixa-lo la que iam encontrar uma solução e ja foram levando ele pro quintal atras do prédio. Ja estavamos na rua quando ouvimos uns gritos e barulhos estranhos - era nosso cão correndo atras da gente com corrente pendurada e oficiais atras dele. Os policiais pareciam incrédulos: "Ele se soltou e fugiu pra ir com vocês mesmo! Tem certeza de que estão com ele ha apenas um dia? Como é possivel?".

So deu tempo de dar mais um tchau até os policiais o levarem de volta pra delegacia. O que me confortava é que eu sabia que ele não seria mal-tratado, pois era de raça e bem treinado. Se não encontrassem seu dono original (não tinha coleira nem nada), pelo menos alguém ficaria com ele. O que não impede nenhum pouco a minha tristeza toda vez que lembro dessa historia e sinto tê-lo abandonado. Acho que esse cachorro era o unico cachorro do mundo que o cheri aceitaria levar pra casa. Pena que não tinhamos casa naquele momento.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Segundas-feiras







*Post descaradamente copiado da Helô.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A amiga da travessia

Ainda na onda esportista que anda aqui no blog, estive pensando na primeira (e unica) vez que fiz uma travessia no mar. Eu tinha uns 14 ou 15 anos, ainda competia e estava um pouco receosa de nadar em mar aberto. Gosto de piscinas limpinhas e seguras onde podemos ver tudo o que acontece, sem correr o risco de dar de cara com um peixe - pra ser otimista. A travessia foi em Niteroi, 3km, de Camboinhas até Itaipu. Quase toda a turma estava la, empolgadissima, enquanto as mães e os pais tentavam sabotar a competição: "filho, tem certeza? Se você não quiser ir não precisa, viu?".

A minha largada foi um tremendo fiasco. O mar estava grande e eu, afobada. Dado o sinal, sai correndo, me joguei na agua cheia de motivação e... levei um baita caldo. Levantei toda zonza e percebi que tinha perdido os oculos. Procurei um pouco no meio dos outros afobados, em vão. Voltei pra areia e arranjei outros oculos, de um modelo que eu não gostava e que não se adaptava no meu rosto. Segunda tentativa de passar a arrebentação, ja traumatizada, fui devagarzinho, devargazinho, ja estava quase la quando de repente... achei meus oculos. Quais as chances? Mas e agora, se eu voltasse perderia mais tempo ainda e teria que passar novamente pela arrebentação. Amarrei os oculos emprestados no maiô, em cima do ombro pra não fazer peso e comecei a nadar.

Achei tudo muito estranho, gente se esbarrando em toda parte. Fui me adaptando devagarinho, ultrapassando uns, sendo ultrapassada por outros. A agua estava tão escura que mal dava pra ver a mão. Comecei a pensar: nossa, deve ter um monte de animais por aqui. Sera que tem muito peixe embaixo de mim? E se tiver um tubarão me me rodeando? Fui entrando em leve desespero. Foi ai que eu percebi que tinha um bicho preto enorme agarrado no meu braço. Entrei em pânico. Comecei a gritar involuntariamente em alto mar, sacudindo os braços pro bicho desgrudar de mim, mas quando olhei melhor... era apenas o numero de inscrição pintado de nanquim (que alias deixou uma marca de sol super tentência, pergunte aos meus amigos da escola). Eu em plena adolescência so pensei no mico que estava pagando e tentei disfarçar o melhor que pude. Ainda bem que os outros estavam mais preocupados em nadar e não me deram muita atenção.

Aprendida a lição, me acalmei e fui pegando o ritmo da coisa. O mais dificil era saber pra onde eu estava indo, porque a corrente acabava me levando pra onde ela bem entendesse. Uma amiga foi sem querer pra uma direção completamente diferente e quando percebeu teve que fazer uma volta enorme. Eu fui nadando, pensando em outras coisas, então me dei conta que tinha uma menina nadando do meu lado ha bastante tempo. Sera que eu a conhecia? Sincronizei nossas respiradas, mas não a reconheci. Continuamos nadando juntas, na mesma velocidade, no mesmo ritmo de braçadas, respirando sempre juntas. Aquela parceria foi me dando mais confiança. A gente ultrapassava as outras pessoas uma de cada lado, depois nos juntavamos novamente. Se alguém queria passar entre a gente, nos nos juntavamos e obrigavamos a pessoa a passar pelo lado. E seguimos assim.

Mas teve um momento em que eu ja não aguentava mais. Estava cansada e os oculos amarrados no maiô estavam me machucando. Fazer uma ferida por atrito na agua salgada não é muito recomendado pra quem faz travessia (e pra quem não faz também). Estava doendo pra caramba. Tentei continuar pra ficar com minha nova amiga, mas não deu, estava exausta e dolorida. Precisava muito descansar. Bom, paciência, eu seria mais uma a quem ela ultrapassaria, pelo menos ela saberia que era mais forte que eu. Competição é competição. Parei. Tirei a cabeça da agua. Ela parou também. E gritou "bora, bora! Continua". E eu obedeci.

Eh engraçado quando a gente acha que esta no limite das forças, que não da mais mesmo, e na verdade o que falta é apenas uma razão pra continuar, um pequeno incentivo, alguém que diga, vem eu confio em você. E eu continuei nadando com ela, as duas lado a lado, incentivando uma a outra, até o final da travessia. A chegada foi brusca. Depois de passar tanto tempo na calma do mar, no silêncio, controlando limites numa luta interna e externa que te exigia toda a concentração, chegar na areia da praia de pernas bambas, ouvir aquele barulho todo era muito estranho. Parecia o caos e eu ouvia gente me oferecendo agua, gatorade, frutas, gente me dizendo que eu tinha que passar na mesa e dar meu nome, mães ansiosas querendo saber se seus filhos iam chegar vivos e inteiros. Demorei uns minutos pra me acostumar e quando olhei pros lados pra procurar minha companheira, não achei.

E quase 15 anos depois da travessia, a lembrança desse dia que continua mais forte minha memoria é essa amizade fugaz, a mais rapida de toda minha historia.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Os beneficios da corrida e um desafio



Três meses de corrida e uma grande surpresa: o troço é bom pra caramba. A chegada da primavera so ajuda: quando abro a janela e vejo aquele céu azul, morro de vontade de sair e dar uma volta no parque. Ja quase abandonei o casaco de vez e o alongamento do fim deixou de ser aquela tortura glacial, ao contrario, é muito bom alongar enquanto o solzinho te esquenta.

Fiquei realmente impressionada com os beneficios que a corrida me trouxe e por isso quis dividir minha experiência aqui no blog. A corrida afetou praticamente todas as areas da minha vida. Primeiro, o obvio: emagreci. E isso sem fazer o menor esforço com a comida, pelo contrario, tenho comido bem mais. Como mais doces, mas também como mais frutas e legumes. Não sei até que ponto é fisico ou psicologico, o negocio é que eu tenho tido vontade de comer coisas mais saudaveis mesmo. Em dois meses eu senti muita diferença nas minhas pernas, elas ficaram tão mais durinhas. Diria que perdi 70% das celulites. Também perdi gordura no corpo todo e eu tenho a nitida impressão de ter perdido 5kg em cada bochecha. Até a minha pele melhorou!

Depois tem aquele bem-estar que o esporte proporciona. Eu corro e fico me sentindo disposta e bem-humorada o dia inteiro. No inicio eu fiquei bem menos ansiosa, mas depois tudo voltou ao normal e eu voltei a ser aquela pilha de ansiedade de sempre quando estimulada, esse problema a corrida não solucionou. Aqui na França tem uma expressão que acho que não usamos muito no Brasil: higiene de vida, que quer dizer cuidar de você mesmo, se organizar, cuidar da saude, levar um estilo de vida mais saudavel. E não consigo pensar em expressão melhor pra explicar a mudança que tem me ocorrido nos ultimos meses - é isso, minha higiene de vida melhorou. Porque se antes eu acordava 8h30 e passava as manhãs na internet antes de ir pro trabalho, hoje eu acordo às 7h30, vou correr e quando volto, volto ativa, querendo fazer algo de util. O meu tempo ficou mais precioso.

Tenho corrido dia sim, dia não, 6km cada vez, o que da uns 40 minutos. Minha meta é participar de uma corrida de 10km em junho, no castelo de Vincennes.

Estou gostando tanto, mas tanto de correr, que estou fazendo a maior propaganda. Falo tão empolgada que quem vê de longe acha que eu tô tentando convencer a pessoa a entrar pra uma seita ou algo assim. Dai minha amiga Tati veio me dizer que queria correr, mas não tem tempo, nem disposição. Ela disse que tenta acordar cedo pra correr 1h, mas não consegue. E eu respondi que se eu tivesse que acordar pra correr uma hora, eu também não iria. Imagina ela que esta apenas começando! Não da pra ir com muita sede ao pote, porque primeiro que o corpo não vai aguentar, não é Luci? E depois, não adianta nada fazer planos grandiosos antes de dar o primeiro passo.

Falei pra ela: "Tati, eu te garanto que se você correr 20 minutos, três vezes na semana, seu corpo vai se transfomar em dois meses". Não é tão ruim acordar pensando que vai correr 20 minutinhos, né? Da até pra dormir mais uma meia horinha. Dai ela topou o desafio e topou que eu escrevesse sobre isso aqui no blog. Daqui a dois meses a Tati vai voltar aqui e vai nos contar o que aconteceu com ela. A unica regra é regularidade - não pode faltar. Ela ainda tem o agravante de ser fumante, de não gostar de acordar cedo e de estar bastante tempo parada. Olha a responsabilidade heim, Tati! (nada como uma boa motivação).

Se alguém também quiser aceitar o desafio e escrever um post aqui no blog contando a experiência, sinta-se convidado.

*Update: a Mariana recomendou esse video nos comentarios, incrivel!

terça-feira, 29 de março de 2011

Recolhendo as expectativas

Adoro expectativas quebradas. Tanto quanto eu quebro, tanto quanto os outros quebram. Não tem nada melhor do que descobrir que o que parece não é, que o que eu tinha certeza é falso. Adorava a cara que as pessoas faziam quando eu (aquela menina doce e desengonçada, que demorava três horas pra comer) dizia que era a terceira melhor nadadora do Rio de Janeiro. Ou a expressão dos desconhecidos quando me viam com o cabelo raspado na rua. Ou o espanto dos amigos de rave: "Como assim você NÃO TEM tatuagem?".

As pessoas te conhecem e traçam uma linha que define o que você é e o que você não é capaz de fazer. Lembro quando eu era criança, colocava mentalmente meus amigos em situações imaginarias e tentava adivinhar suas atitudes, coisas bobas: sentar no chão da rua pra comer um sanduiche - a Camila não faz, nem a Fabi. A Elaine faz. A Soraia? Se eu fizer, ela faz também. E provavelmente eu acertava quase todas as respostas baseadas no conhecimento que eu tinha sobre meus amigos. Dai quando alguém fazia algo fora dos seus padrões, era tão legal! Olha la, fulana esta jogando futebol com os meninos! Eu sempre quis quebrar expectativas quando criança, mas so fui capaz de fazer isso na adolescência.

No fim do ano passado conheci uma brasileira, como dizer?, que cumpria todos e cada um dos estereotipos da brasileira gostosona. Mulata, altissima, corpão, cabelo afro ao natural, cheirosa, vaidosa, simpatica, sorridente. Um amor de pessoa. Super animada. A beleza dela era tão desconcertante que a gente até esquecia o que estava dizendo no meio da frase. Tipo assim, o sonho de qualquer carnavalesco. E o que a moçoila faz da vida? Modelo? Rainha da bateria? Cantora-atriz-manequim? Nada disso, ela é cientista. Simples assim. E eu daria tudo pra ver a cara dos gringos babões quando ela abrisse a boca pra dizer, de pernas cruzadas com uma taça de vinho na mão: "Sou cientista e estou concluindo minha tese sobre...". Recolhe o queixo, por favor.

Nada mais monotono do que pessoas que fazem exatamente aquilo que você acha que elas vão fazer. E o pior: ainda acham que é surpresa.

domingo, 6 de março de 2011

O que se faz num domingo de carnaval na França? Atualiza-se o blog

Sim, sim, estou sumida e não tenho desculpa - na França nem tem carnaval! Mas é que estava vivendo um pouquinho mais la fora do que aqui dentro desse computador. So que minha tatica deu errado, ja que o tempo que eu gastava com o blog, acabei gastando com coisas nada importantes. Foi o José Fernando quem me alertou para as terriveis consequências da ausência do Porte Dorée para a humanidade - posso me gabar um pouco e copiar o comentario aqui?

"Que absurdo. Um serviço público como o Porte Dorée há 15 dias sem atualização! Leitores dependes químicos do blog, como eu, passando mal do lado de fora, sem atendimento. Onde estão as autoridades desse país que não fazem nada?"

José Fernando, quais as chances de você morar em Paris pra eu te pagar uma bière?

Sabe como é blogueiro, né? Achamos que todas as pessoas que nos lêem são seres evoluidos e iluminados. E aqueles que não nos lêem ou - o horror, o horror! - não nos linkam, ainda não encontraram o caminho da luz. José Fernando acabou de mostrar que é dotado de incrivel bom gosto e é em homenagem a ele que retomo o blog depois de curtas férias.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Contando historias

Eu sempre fui melhor me exprimindo por escrito do que falando. Se tenho uma super historia pra contar e decido fazer oralmente, minha super historia perde o pé, a cabeça e principalmente a graça, depois que eu, sem querer, contar como ela termina logo na primeira frase. Não que eu domine a arte de contar historias por escrito, mas pelo menos acho que me esforço mais. Piadas então, sou péssima. A forma mais eficaz de eu fazer as pessoas rirem das minhas piadas, é ter uma crise de riso no meio do processo e não conseguir contar o fim. Dai todo mundo ri por contagio mesmo. Mais simples, não?

O meu problema é que tendo a resumir demais as coisas: não é importante? Tiro. Não é essencial? Corto. Dai minha historia (ou pior, minha piada) fica mais parecendo um artigo de jornal. Eh que tenho trauma de gente que funciona nos detalhes. Quem nunca ouviu uma amiga contar: "Então eu fui jantar com aquele cara maravilhoso. Estava na metade da minha lasanha quando ele olhou nos meus olhos e...", nesse momento ela para, coloca o indicador na boca, franze as sombrancelhas e diz: "Não, minto. Eu estava comendo frango grelhado naquele dia, eu acho". Ei, amiga? Foco! Pior que ela não vai te contar o que aconteceu com o bonitão enquanto não lembrar exatamente o que comeu naquela noite.

Bom, eu tiro esses detalhes mesmo escrevendo. Porque tem coisas que são interessantes pra gente lembrar, mas na hora de contar uma historia pra alguém, não é interessante saber se você saiu de casa às 9 ou às 11h. Mas é verdade que escrevendo a gente tem tempo de rever todos esses detalhes, e falando não. Então eu, na duvida, saio cortando tudo sem moderação e minha historia murcha. Por isso admiro muitissimo as pessoas que sabem falar bem e mais ainda, aquelas que sabem ser engraçadas. Gente, tem que ser muito guerreiro pra fazer um daqueles stand up shows - é você la, sozinho, centro das atenções,  na obrigação de atender a expectativa do publico e fazer dezenas de pessoas rirem, sem qualquer recurso! São meus herois.

Dito isso, deixo aqui o video do Rafinha Bastos (que provavelmente vocês ja conhecem), alguém que realmente sabe contar uma historia.


domingo, 23 de janeiro de 2011

Ida ao templo budista

Uma das minhas resoluções deste ano é conseguir melhorar minha ansiedade, que esta chegando a niveis insuportaveis. Dai que, convenientemente, ao lado da minha casa tem um centro budista importante, no meio do Bois de Vincennes (sempre vejo os monges dando uma voltinha no parque). Uma vez passei por la e li que eles fazem meditação quase todos os dias às 9h30 da manhã e é gratuito e aberto ao publico. Hum, por que não? Como começo a trabalhar apenas 11h15, la fui eu.


O que dizer da experiência? Resumindo bem, diria apenas que sou uma cética intratavel. Não sei bem o que eu estava esperando, mas não entrei no espirito da coisa. Primeiro que não era so meditação, era sobretudo um grupo de orações e cantorias. Para mim, foi exatamente como assistir uma missa: fiquei muito entediada e não entendia nada do que era falado (tudo era cantado em outra lingua). Todos estavam muito engajados - enquanto eles procuravam seu eu interior, eu pensava "ei, talvez eu possa contar minha vinda ao templo tibetano no blog!". Enquanto eles almejavam o nirvana, eu pensava "que fome. imagina se meu estômago ronca nesse silêncio...". Enfim, um não-pertence total. Abandonei o papel participativo que me cabia e tomei aquele de observadora antropologica. Mais ou menos quando a parte evangélica da minha familia junta todo mundo pra fazer uma oração. A parte catolica adora o entusiasmo e reza mais do que na missa. E fica todo mundo de mãos dadas, de olhos cerrados com força, resmungando amém senhor, acreditando de verdade. E eu la, olhando pra todo mundo, admirando o espetaculo como expectadora, não como protagonista, tentando captar a energia.

Mas no pagode budista fiquei um pouco decepcionada. Não sei nada sobre o budismo, mas esperava que ele fosse um pouco mais centrado na razão, no poder da mente, sabe? Essa coisa de rezar, de falar com seres superiores, de fazer oferendas, não cola muito comigo. Eu não acredito em deus, oras. Mas por alguma razão esperava entrar la e me maravilhar de alguma forma. Pensar "isso é exatamente o que eu estava procurando! Agora sei o sentido da vida e serei uma pessoa mais equilibrada e serena". E então começaria a comer orgânicos e me tornaria vegetariana.

Pode parecer doidera, mas a unica época da minha vida que eu me senti fazendo realmente parte de uma religião foi a época que eu ia em raves. Eu me sentia tão livre no meio daquela natureza toda, com todas aquelas pessoas que eu amava, com aquele mantra que saia das caixas de som e aquela energia boa, que eu lembro de ter pensado sinceramente que aquele sim era o real sentido da vida e que nada mais importava. Como era um ritual de todo fim de semana, com as mesmas pessoas, eu considerava minha igreja.

Mas não sinto a menor falta da religião na minha vida. Ela simplesmente não me faz falta. Eu so queria algo pra me ajudar a canalizar minha energia, mas de forma racional. Não quero ofender a religião de ninguém, mas achei engraçado ver aqueles parisienses brancos e ricos sentados de pernas cruzadas tentando entoar um mantra tibetano que eles não conseguiam sequer pronunciar. Acho otimo que a globalização dê mais opções de crenças às pessoas. Mas essa "escolha" de religião vai contra a minha logica pessoal. Explico: de um ponto de vista antropologico, as pessoas são religiosas porque nasceram numa cultura religiosa. Se te ensinam que Jesus morreu na cruz para salvar a humanidade, você tem fortes chances de acreditar nisso durante toda sua vida. Eh um caminho perfeitamente justificavel. Mas o que leva alguém a adotar uma religião com a qual nunca teve nenhum contato e assim, do nada, passar a acreditar que aquela sim, é A Verdade. Por que alguém se identifica com uma religião cuja lingua não entende e cujo estilo de vida não combina com seu? Sera que não é so um tantinho ridiculo pagar não sei quantos mil euros para fazer um retiro espiritual nas montanhas do Tibet?

Acho que mudar drasticamente de religião é a mesma coisa que se tornar ateu: você renega tudo o que foi te ensinado e parte pra outra. Por que então a primeira opção é muito mais socialmente aceita do que a segunda?

Eu invejo em parte aquelas pessoas que acreditam em tudo. Tipo a minha avo que tem umas quinze religiões (na duvida é melhor se garantir). Deve ser muito emocionante acreditar no que diz a cartomante, ou muito reconfortante acreditar que você tem uma vida boa porque nas outras vidas você fez o bem (e consequentemente culpar as vitimas pela sua propria desgraça), ou ainda muito encorajador ouvir o santo dizer que se você colocar uma galinha no cruzamento você conseguira o emprego dos seus sonhos.

Eu simplesmente não consigo. A ansiedade vai bem, obrigada.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Férias digital não programada

Brasileiras e brasileiros, desculpem pelo sumiço. Decidi tirar uma folguinha do blog, sabe? Fim do ano, tanta coisa pra fazer, estava sem tempo e sem vontade de escrever. Morri de rir com o comentario da Borboleta que disse que "ja deu tempo de anotar a receita do quiche, você ja pode postar outra coisa".

Espero que todos tenham passado um excelente fim de ano. Tomara que tenham tido uma farta ceia de natal, ganho muitos presentes, feito suas listinhas de resoluções para 2011, tomado muito champagne e cerveja, comido muito chocolate. Da minha parte, passei um otimo natal e um ano novo promissor com a Luci e a Aline, em Lyon. Se virar o ano rindo até não poder mais é garantia de felicidade o ano todo, não temos o que nos preocupar até 2020. Obrigada meninas, esse foi um dos meus melhores Reveillons ever!

E o blog volta com sua programação normal. Feliz 2011 para todos!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O casaco mais feio do mundo

Acho que ja reclamei do frio pra todo mundo, então vocês ja sabem que em Paris esta um frio do cão! Amanhã a previsão é maxima de -3° e estou deprimida demais pra falar a minima. Nesse contexto de catastrofe (ainda não entendi porque não decretam logo estado de calamidade publica) eu tive que sair da minha casinha confortavel e quente para, argh, ir trabalhar. Tenho um casaco preferido pra ficar em casa. Ele é fofo, confortavel, cheiroso, macio, quentinho e tão largo que às vezes, em caso de frio extremo como janela aberta pra circular o ar, eu dobro as pernas, enfio o casaco por cima delas e fico em bolinha até tudo voltar ao normal. Esse casaco seria perfeito para usar no dia a dia contra o frio a não ser por um motivo: ele é muito, mas muito feio.

Pra começar, digo que ele é meu, mas na verdade é do cheri, eu que me apossei. Então ele é grande demais pra mim. Depois que as cores são muito anos 80, sabe aqueles coloridões? Pois é. Agoram vejam o meu dilema: sair quentinha, mas muito desconjuntada ou passar um pouco de frio mas não destruir a retina dos passantes? Pois eu tenho saido com ele, mas debaixo do meu casacão longo que so tiro quando chego na casa das crianças que tomo conta. Mas nem quero falar da expressão de terror das mães quando vêem tamanha afronta à civilidade dentro de suas proprias casas.

Dai que hoje estava indo trabalhar, andando o mais rapido possivel por causa do frio. Mãos congelando porque não achei a outra luva, duas calças, casaquinho quente, estava xingando essa cidade fria e todos os seus habitantes, até que parei em frente a uma loja e vi um cenario de filme. A vitrine tinha varios quadros, desenhos, pinturas e dentro dela vi um cara lindo desenhando, concentrado no seu trabalho, rodeado de livros, pinceis, tintas, lapis e um labrador caramelo maravilhoso deitado na frente da mesa dele. O cara parecia tão feliz, tão realizado, um sorriso lindo, num ateliê que parecia tão quentinho e confortavel em contraste com a rua fria. Acho que vi até uma lareira. Parecia tudo tão irreal, sera que existe mesmo alguém feliz no trabalho, sera que não é mito? Sera mesmo que alguém pode trabalhar com seu cachorro? E fiquei ali parada admirando a cena por alguns minutos, agradecendo mentalmente o cara por não ser egoista e não ter se trancado num quarto com muros, até que o cachorro me viu, saiu correndo na minha direção e ficou chorando na porta. O dono me viu, sorriu, se levantou, abriu a porta e o cachorro me trouxe um ursinho de pelucia pra brincar com ele. Foi ai que vi seu casaco horrendo (ou medonho, como diz minha mãe), quase tão desengonçado quanto o meu. O cara, muito simpatico, me explicou que ali era um ateliê de arquitetura e eu respondi que seu cachorro era muito fofo e fui embora. Fiquei com a impressão que podia ser o inicio de uma historia de amor, mas com a protagonista errada, uma vez que eu ja encontrei o cheri da minha vida e não o troco por nada nesse mundo, nem por um labrador. Então meninas, quem quiser eu dou endereço, porque acho muito desperdicio um cenario daqueles sem nenhum friozinho na barriga. E nesse frio todo mundo merece ter alguém pra esquentar os pézinhos na hora de dormir, mesmo que seja pra terminar tudo no primeiro desabrochar de flores. Pelo menos pra isso o frio tem que servir! So não esqueça de vestir o casaco mais feio que tiver no seu armario.

sábado, 27 de novembro de 2010

Guerra no Rio

Quando decidi morar na França fiquei triste por deixar meus amigos e minha familia, é claro. Porém, fiquei duas vezes feliz: a primeira por chegar em um lugar novo e a segunda por sair do Rio. Acho que eu devo ser uma das poucas cariocas que diz não gostar de morar no Rio. Poxa, eu vivia com medo! Tinha medo de sair à noite e voltar de madrugada, tinha medo quando cruzava uma viatura de policia na linha vermelha, tinha medo de ir da minha casa na Tijuca para a casa da minha avo em Olaria, passando por varias favelas e ouvindo tiros pelo caminho. Acontece que o meu Rio não é Ipanema, Leblon, Gavea. O meu Rio é Olaria, Ramos, Penha, Complexo do Alemão e somente aos 17 anos, Tijuca.

E eu não tinha medo so por mim. Quando minha mãe ia sozinha pra casa da minha avo eu morria de preocupação até ela ligar pra dizer que tinha chegado. Eu também morria de medo pela minha familia por parte de mãe que mora numa rua de acesso ao morro do alemão e pela familia do meu pai que mora na Penha, cercada de favelas. Quando eu fui embora continuei preocupada, claro, mas era menos pontual, porque eu não sabia quando minha mãe estava indo pra minha avo ou quando o bicho estava pegando nos morros. Mas às vezes eu ligava pro meu pai e ouvia os tiros no telefone.

O mais impressionante é a normalidade com que a gente encara a violência. Isso ficou ainda mais claro depois que vim morar fora do pais. Para mim, era absolutamente normal ouvir barulho de tiro e rajadas de metralhadoras. O cheri me zoava cada vez que eu ouvia um barulho e dizia "Xiiii, é tiro". Uma vez, logo no inicio, quase me joguei no chão achando que tinha tiro bem perto da gente. Imaginem o ridiculo da cena! Mas para mim ja era reflexo de sobrevivência! No começo desconfiava de crianças negras que detectava com o canto do olho e quando olhava pra elas me sentia a pior das pessoas: via crianças como qualquer outra, de mochila indo pra escola. Mas é isso que nos, cariocas, fazemos: desconfiamos de crianças negras que cruzamos na rua! E ainda as chamamos de trombadinhas. Eh dificil admitir, é muito triste, mas é verdade.

Cheguei ao ponto de acreditar que o Rio era um caso perdido. Não tem mais solução, pensava. E todo mundo à minha volta também pensava o mesmo. Imaginem a minha surpresa e felicidade ao conversar com cariocas que diziam que a violência no Rio estava melhorando com a nova politica implantada pelo governador Sérgio Cabral, com suas UPPs. Minha mãe disse que o caminho para a casa da minha avo estava bem tranquilo, meus amigos do Grajau disseram que as favelas em voltas estavam numa paz que nunca tinham visto antes, mas uma coisa me preocupava: todo mundo dizia que os bandidos estavam sendo expulsos de suas comunidades e se concentrando no gigante Complexo do Alemão e o dia que a policia invadisse o Alemão a coisa ia ficar feia.

Achei normal a reação dos bandidos para tentar pôr a população em pânico para que ela fizesse pressão para acabar com essa politica que os esta prejudicando. Mas a população não é boba e pela primeira vez esta totalmente do lado da policia. Acho que a grande maioria dos cariocas é favor de ir até o fim, como se essa fosse uma batalha final de uma guerra que durou décadas. E eu pensei, poxa minha familia ja vive sob risco constante, então pelo menos dessa vez é por um bom motivo e quem sabe, pela ultima vez. Como estou longe não sei exatamente qual o clima do Rio nesse momento, mas meu amigo Flavio me deu uma ideia do otimismo geral:

"Eu realmente acho que alcançamos um divisor de águas. O clima na cidade é estranho demais. As pessoas estão com medo, mas o que se destaca mais é o engajamento da população, a coragem. Todos estão do lado da polícia, e finalmente conseguimos ver a polícia do nosso lado. Lá na Penha, as pessoas estavam dando água para os PMs!!! Onde já se viu isso no RJ!!! É a hora, e todos já sacaram isso. A sensação é de que não dá pra voltar atrás, agora é só ir pra frente. Mudou alguma coisa na cidade, não sei se pra melhor ou pior, mas alguma coisa mudou claramente.

Amanda, o Brasil é o país do futuro? A Tânia esteve aqui e disse que é o que mais se fala por aí. E eu acredito nisso, acho que em 4-5 anos essa cidade vai se transformar absurdamente. Limpeza, segurança, educação das pessoas, trânsito, Lagoa Rodrigo de Feitas, Baía de Guanabara... isso tudo vai mudar, seja por bem ou por mal. Seja profundamente ou só uma maquiagem para o mundo ver, mas essa cidade já começou o seu processo de mudança.

Nesses últimos dias de "atentados terroristas" e guerra declarada, Amanda, você tem que ver as declarações das pessoas nas ruas, ninguém se prende muito ao momento, todos falam da esperança no futuro. As pessoas estão muito conscientes de que precisam pagar por 20 e tantos anos de descaso com a segurança pública. Então estão falando assim mesmo: Temos que passar por isso, para isso acabar e chegarmos em um lugar melhor. O clima é muito diferente (acho que dá para notar pelo tom desse texto que escrevi, né?)".

Achei muito emocionante o que ele escreveu, mas não posso simplesmente gritar "agora é a hora, a policia tem que acabar com a festa dos bandidos", quando minha familia é refém dessa disputa. Eles estão la, presos dentro da casa que julgam mais segura, com medo. Minha priminha de um ano esta la. Quem foi trabalhar não conseguiu voltar e primos foram dormir na casa de amigos. Com certeza ter minha familia la no meio da guerra me faz ter uma postura diferente do que eu teria se eles não tivessem la. Provavelmente eu nem estaria tão interessada no assunto, estaria acompanhando meio de longe, entusiasmada com as mudanças que estão acontecendo e torcendo pra o exército invadir logo pra devolver a paz no Rio. Mas sera que para chegar à paz temos que passar pela guerra? Adorei a iniciativa da ONG Rio de Paz que propõe uma negociação de rendição dos bandidos, para que o alemão não se transforme em um campo de guerra. O pior é ler na internet mensagens de odio dizendo que não tem esse negocio de rendição, tem que invadir e matar todo mundo, jogar uma bomba de preferência!

Porque eu sei que é muito improvavel que aconteça algum dano fisico na minha familia se eles continuarem se escondendo, mas so esse terror, esse medo constante, ja é uma violência tremenda. Imagina dormir com medo de uma bala perdida invadir sua casa, imagina temer que bandidos te obriguem a escondê-los no meio da madrugada? Imagina ouvir barulho de tiros sem cessar? Helicopteros voando no seu telhado?

Estar longe não ajuda. Fico grudada nas informações, querendo saber de todos os detalhes. Quero muito que tudo isso termine de uma vez. Eu estou na França, mas o meu coração, mais do que nunca, esta no Rio.

domingo, 21 de novembro de 2010

Resultado da brincadeira

Pessoal, adorei vocês terem participado da minha brincadeira! Obrigada!! Ninguém acertou todas, mas também ninguém errou todas. Poxa, mas agora nem tem tenho vontade de dizer a verdade, ja que vocês acham que sou essa pessoa inteligente, corajosa, dotada de talento para a musica, hehehehe! Duas coisas me impressionaram: muita gente errou achando que eu era nerd e muita gente acertou que eu trabalhei de faxineira. Ok, sem mais delongas, ai vão as verdades e as mentiras:

Eu era a nerd da minha turma no segundo grau
Mentira. Passei longe disso: quase repeti de ano! Nem estudei pro vestibular e fiquei muito longe de passar em uma universidade publica. No ginasio (ainda existe ginasio?) eu era boa aluna, mas me dedicava muito mais à natação e minha matéria preferida era educação fisica.
 
Eu me formei em sapateado
Verdade. Essa é minha preferida pra chocar conhecidos. Ninguém que me conheça pessoalmente (e principalmente que tenha ido a uma boate ou a um samba comigo) acredita que eu tenha feito seis anos de sapateado e cinco de dança moderna. Danço feito um poste! O detalhe é que eu sempre detestei, mas por alguma razão eu dizia que queria continuar quando minha mãe perguntava a cada renovação de matricula. Devia ser masoquista.
 
Eu ja fiz fotos de propaganda quando criança
Verdade. Eu era uma criança bonita e ja dei uma de modelo uma vez ou outra. Mas os processos de seleção estavam atrapalhando meus treinos de natação e minha treinadora me fez escolher: "Você quer ser modelo ou nadadora?" e eu escolhi ser nadadora. Não tinha talento para modelo. Tampouco para nadadora.

Eu ja saltei de paraquedas
Mentira. Gente, estou superando meus limites fazendo escalada indoor! Paraquedas é im-pos-si-vel. Uma vez o dono do hotel em Ipanema que eu trabalhava me ofereceu um salto de paraquedas em Buzios, ele ia pagar tudo pra mim e eu recusei. Existe pessoa mais cagona que eu?

Eu fui eleita a segunda melhor flautista na minha escola de musica
Mentira. Não sei tocar nenhum instrumento e notas musicais são um mistério para mim. Mas sempre tive vontade de aprender. Agora me digam: porque diabos em vez de fazer sapateado, eu não fazia aula de violino? A sala era logo ao lado! Mas um dia ainda aprendo a tocar alguma coisa.

Eu ja sai de casa com a toalha enrolada na cabeça duas vezes
Mentira. Sinto decepciona-las, mas isso nunca aconteceu comigo. Hehehe! Por pouco, mas não aconteceu.
 
Eu namorei três anos um professor de educação fisica
Verdade. Meu primeiro namorado (na verdade quando começamos a namorar, ainda estavamos no segundo grau). Gostava muito dele, mas hoje não temos mais NADA A VER. E na época achava que iamos ficar juntos para sempre, aquela coisa toda. Que bom que ele terminou comigo, senão não teria feito um milésimo das coisas que fiz.

Eu ja raspei a cabeça
Verdade. Passei maquina 3 ou 4 no cabelo quando tinha 20 anos. Fui na casa do meu namorado da época (não é esse ai de cima) e pedi pra ele raspar. Foi uma libertação, recomendo.

Eu ja dei um soco na cara de alguém
Mentira. Acho que nunca briguei tão feio com alguém a ponto de querer dar um soco na cara.

Eu fiz plastica na orelha de abano
Mentira. Nunca tive as orelhas "descoladas", como se fala na França. E nem que tivesse faria uma cirurgia estética.

Eu nunca fiz dieta
Verdade. Sempre fui magra, quando criança detestava isso. Quer dizer, sempre fui magra até pouco tempo, porque ta rolando um ganho de peso no momento, culpa dos queijos franceses. Depois que escrevi essa lembrei que eu e o cheri dissemos uma vez que iamos fazer dieta, mas no fim das contas não fizemos nada, deu tudo errado, então acho que da pra dizer que nunca fiz dieta.

Eu ja trabalhei de faxineira
Verdade. Um dos piores trabalhos que ja fiz e olha que nem era pra limpar casas, mas escritorios. Foi na Australia, mas abandonei rapidinho, pois preferi ir trabalhar nas fazendas, onde o trabalho era mais pesado fisicamente, mas eu podia conversar com os outros e ninguém me olhava como um ser inferior.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...