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sábado, 13 de agosto de 2011

Lot, amor à primeira vista - parte 2

No Lot, a gente vê em todos os lugares muretinhas feitas de pedra construidas na idade média. Elas parecem meio frageis, equilibradas meio por acaso, temos a impressão que cairão no primeiro vento. Mas, pombas, estão la ha milhares de anos! E estão por toda parte, nas cidades, nas estradas, no meio do nada.



Outra maravilha são as falésias da região, que ha centenas de anos foram usadas como parede de casas (e é logico que as casas estão la até hoje - e habitadas), o que da a impressão de que os imoveis estão dentro da pedra, um espetaculo.



Num dia de passeio, na hora do almoço, decidimos parar em algum lugar charmosinho pra poder comer nossos sandubas e acabamos caindo por acaso em St-Martin-des-Vers. O legal é que em qualquer lugar que a gente para, se deslumbra.



As videiras estão por toda parte

Fomos também em St-Cirq-Lapopie, que é a preferida da região por sua estética montanhosa e por causa disso cheia de turistas. Eu continuo preferindo as outras, perdidas, com vida cotidiana de verdade. Mas isso não me impediu de babar um pouco.





Reparem no teto de uvinhas


Realmente conhecer o Lot foi uma feliz surpresa. Fiquei encantada com cada cantinho que descobri e moraria la facil, facil. Sinceramente, acho a região bem mais bonita que Paris e seus arredores. Tudo bem que são duas coisas incomparaveis (uma é campo e outra é cidade), mas eu gostei bem mais de conhecer o primeiro. Não sou uma pessoa de museus e multidões, prefiro a calma das cidadezinhas e paisagens naturais. So que normalmente minha preferência vai sempre para as regiões praianas e dessa vez cheguei ao extremo de colocar o Lot acima das minhas cidades litorâneas favoritas. So não fiquei triste em ir embora porque sabia que minha viagem estava apenas começando...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Lot, amor à primeira vista - parte 1

Confesso que não gosto muito de posts de viagens. Nos blogs que leio, esses textos são o que menos me interessam. Então eu também evito escrevê-los, porque acho que nunca vou conseguir explicar todas as sensações de uma viagem, todos os sentimentos e as fotos tampouco fazem jus à beleza do lugar. Mas dessa vez eu quero deixar registrado um pedacinho da viagem que ando fazendo, nem que seja pra eu ler mais tarde depois e lembrar das sensações. Aviso logo que é um post longo e cheio de fotos (obrigada Luci por me ajudar a carrega-las!)

:)

Depois da casa da Luci, pegamos o trem rumo à Toulouse (onde moram os pais do cheri) para pegar o carro e começar nossa road trip. Primeira vez que acampo de carro, minhas viagens até aqui sempre foram no perrengue de levar apenas o que você pode carregar, então dessa vez enchemos a mini-caminhonete de tralha. Levamos até mesa, minha gente! Nunca na historia desse pais pensei um dia em levar cadeiras pra acampar. Engraçado que todo mundo no camping tinha não apenas mesa e cadeiras, mas rede, churrasqueira, todos os utensilios de cozinha e até microondas. Sem contar os campings que têm tudo que você pode imaginar: de quadra de tênis e mini-golfe até piscinas imensas e varios brinquedos pras crianças. Acampamento na França é uma instituição, tem toda uma infra-estrutura por tras.


Então fomos no departamento do Lot, no sul do pais. Cheri conhece bem a região, suas raizes estão ali. Sempre ouvia ele falar dessas cidadezinhas e ficava imaginando como era e so agora pude constatar com meus proprios olhos. E olha, minha imaginação estava longe da realidade: era impossivel eu imaginar algo tão, mas tão lindo! Porque ele até dizia que era bonito e tal, mas sabe como é né, somos suspeitos pra falar da nossa região de origem. E dei graças aos céus que ele me levou até ali, pois eu nunca tinha ouvido falar em Lot e com certeza não teria ido se não fosse por ele. Alias, não cruzei nenhum brasileiro (nem latino, nem americano, nem asiatico, nem africano, nem europeu do leste) durantes os cinco dias que ficamos la. Os poucos turistas eram 80% franceses e o resto era alemão, belga, inglês e holandês. Engraçado como essas nacionalidades descobriram a região e fizeram uma corrida pelas ruinas para depois reforma-las e transforma-las em casas de campo. Tem muito proprietario inglês por ali.

Ficamos na cidadezinha de Marcilhac-sur-Céné e dali iamos passear pelo arredores. A primeira cidade que paramos, Espédaillac foi a que eu mais gostei, não sei se pela novidade, ou simplesmente porque ela era bonita mesmo. E o melhor, sem nenhum turista! Eu disse nenhum. Os moradores são muito simpaticos e depois de 4 anos em Paris, estranhei quando todos eles me cumprimentavam quando me cruzavam. Espédaillac é uma daquelas cidades que a gente acha que não existe mais, que vimos apenas nos filmes antigos de guerra. Pois sim, elas existem e estão ali no Lot. E eu mal pude crer nos meus olhos, tamanha era a beleza.

As casas são sempre de pedra

Aquela argolinha servia pra prender os cavalos

Casa dos hobbits?

Posso morar aqui?

 Depois passamos por duas outras cidadezinhas, Quissac e Caniac. O bisavô do cheri era de Quissac e andava todo dia 8km pra ir e voltar da escola, que ficava em Caniac.


Achei as cadeiras um charme e parece que o chão foi feito com pedras de uma antiga via romana

Achamos dois antepassados do cheri na listinha da 2a GM


Primeira vez que vejo uma mulher guerreira numa igreja. Imagino que seja Joana D'Arc


Paramos numa floresta no caminho e eu aproveitei pra experimentar a culinaria local. Pas mal!
Continua...

sábado, 6 de agosto de 2011

Lyon, um detalhe geografico

Andei meio desiludida com o blog, acho que vocês ja perceberam. Ao mesmo tempo que tenho achado inutil fazer posts sérios sobre assuntos relevantes, também não queria mais expor minha vida pessoal de cabo a rabo por aqui. Então não via muita lógica. Estava sem vontade de escrever e pronto, não me forçava. Mas a verdade é que a blogsfera me trouxe tanta coisa boa, que me sinto em dívida permanente com ela. As amizades virtuais se tornaram reais e eu acabei conhecendo muita gente bacana, gente que virou amiga pra vida toda. Poderia parar por aqui, já que essas amizades já independem da internet, mas é tão legal essa interação virtual, que sinto que estaria perdendo algo se parasse de escrever.

Um dos maiores presentes que o blog me trouxe foi a Luci. Temos tanta coisa em comum, mesmas opiniões sobre praticamente todos os assuntos, tantas afinidades, que já até cansei de dizer "ah, você também?". Apesar de morarmos em cidades diferentes, sempre conseguimos nos ver com certa regularidade. Dessa vez eu e cheri que fomos visitar. Colocamos Lyon como primeira parada do mês e meio de viagem pelo sul da França que estamos fazendo, e assim, domingo passado desembarcamos em Lyon.

Quer dizer, Lyon é maneira de dizer. Fui pra casa da Luci e calhou dela ser em Lyon. Estava tão ocupada tagarelando que nem tive tempo de pôr o pezinho pra fora de casa. Cheri ainda deu uma voltinha com Camilo, sairam durante 4h e quando voltaram nos encontraram praticamente na mesma posição. Nem prestei atenção no que estava acontecendo ao meu redor, acho que fui super anti social com os colocataires da casa, não sei nem dizer ao certo quem estava por lá. Acho que tinha uma inglesa, mas não tenho certeza. Sabe aquela brincadeira que a gente dá a mão e roda tão rapido que a única pessoa que fica no foco é a que está na sua frente? Então.

O que mais gosto na casa da Luci é que me sinto em casa. Não sei explicar direito, mas parece que lá é tudo tão autêntico e verdadeiro que não há espaço para joguinhos sociais. Eu posso ser eu mesma, sem me preocupar o que vão pensar de mim. A gente se sente tão à vontade, que 5 minutos depois de chegar, o cheri já estava esparramado no sofá.

Claro que conheci as amigas Bernadette, Juliette e Jeanette. Estupidas como o esperado e barulhentas pra quem pegou o quarto mais proximo delas (mas juro que não me incomodei). Comi uvas e tomates do jardim e me balancei na rede como ha muito tempo não fazia. Teve até churrasco, luxo total! Falamos sem parar durante dois dias, dormi 3h na ultima noite, mas o tempo nunca é suficiente pra dizer tudo o que gostaria, nem se eu passasse um ano la com eles.

Com toda certeza, o melhor da vida virtual é quando ela se torna real. E então minha vontade de escrever no blog voltou, o problema é que não vou ter muito tempo pra isso. De qualquer forma vou tentar atualizar minhas andanças pelo sul da França por aqui.

Adivinha quem bebeu?

sábado, 2 de julho de 2011

A caça ao tesouro

Eu ja tinha falado na caça ao tesouro que as subprefeituras de Paris organizam na cidade, mas nunca tinha participado de uma delas. Aqui no 12éme arrondissement, além da caça ao tesouro estavam programados também varios esportes gratuitos no Jardin de Reuilly, de tiro ao alvo à dança, de tênis à equitação. Até o muro de escalada que eu faço ia abrir as portas para curiosos. Tudo no mesmo dia e no mesmo lugar. Convoquei logo a Maite (que conheci no piquenique e virou minha amiga de infância), mas não conseguimos arrastar mais ninguém, so o cheri que apareceu algumas vezes para nos ajudar. Como não sabiamos direito como era o esquema da caça ao tesouro, estavamos preparadas pra abandonar a corrida se fosse chata e ficar ali nos esportes. Mas nossa previsão não podia estar mais errada.


No inicio da caça, eles nos dão um jornalzinho com um mapa, as instruções e um texto enorme de duas paginas que são as pistas. Custamos a entender como funcionava a coisa, mas depois pegamos o jeito. Demoramos uns 15 minutos so pra entender a primeira pista e logo depois desviamos muito do caminho por causa de um problema de linguistica e perdemos quase uma hora indo para a direção errada. Engraçado que as pistas eram tão subjetivas que a gente interpretava do jeito que queria dependendo do que estava no caminho. Pra gente, vermes de metal e monstros metropolitamos eram os prédios, ja que estavamos na rua, mas a Maite descobriu que, olha so, era o metrô! (na hora não parece tão obvio, juro!). Depois que voltamos pro caminho certo pegamos o jeito de vez. O percurso é super detalhado, a cada passo que davamos tinha dicas. E se a primeira vista as pistas não tinham sentido nenhum, a gente entendia quando dava de cara com elas (do lado do coração, no "rappel", vire entre duas cerejas que iluminam a passagem, que significava: à esquerda, onde tem uma placa de trânsito que esta escrito 'rappel", passe entre duas luminarias presas na parede). Uma das dicas era um muro alto de um prédio, meio artistico, com uma pintura e uma poesia. Dai cruzamos uma mulher que disse: "Moro por aqui ha anos e nunca vi ninguém prestar atenção nesse muro. Fico feliz de que pelo menos hoje as pessoas dêem uma olhadinha".

Por três vezes tivemos que entrar em lojas para pegar as dicas. Dai tinhamos que responder algumas perguntas - a primeira foi numa petshop, dai tinhamos que nomear cinco filmes da Disney que tinham cães e gatos. Que bom que o cheri estava la, pois não iamos adivinhar que 101 Dalmatas era 101 Dalmaciens e a Dama e o Vagabundo era La belle et le clochard. A segunda vez foi num cavista, tinhamos que acertar o cheiro de pelo menos dois dos quatro potinhos que ele nos apresentava. Palmas pra Maite, pois se dependesse de mim, estariamos até agora no cavista. A ultima era uma loja de decoração e tinhamos que dizer de qual animal pertenciam as plumas de um abajour. De novo, sorte nossa que o cheri estava la, pois não sabiamos como era ganso em francês.

Era engraçado ver grupinhos parados na calçada, olhando para todos os lados, apontando em todos os sentidos, tentando entender o jornalzinho. Nem adiantava muito colar e seguir ou outros, pois dava a impressão que estava todo mundo perdido (e depois descobrimos que existiam percursos diferentes também). Tinha muita gente participando, adolescentes, adultos, familias, velhinhos, todos concentrados em desvendar o caminho. Foram quase 6km (isso apenas o caminho oficial, sem contar as vezes que rodamos perdidas) e nossa caça ao tesouro durou 5h! O tempo passou tão voando que nem vimos, acabamos nem almoçando.


Mas no fim eu ja estava tão cansada que não aguentava andar. Acabamos passando novamente pelo jardim onde estavam tendo os esportes e olha, que decepção, ainda bem que não ficamos la! Descobri que o tênis se resumia a uma rede mal-amarrada na altura do joelho onde crianças de 3 anos praticavam. O boxe era um saco de bater e a equitação, pasmem, eram pôneis que as crianças davam voltinhas na pelouse! Imagina o mico se eu tivesse ficado la pra isso. Ainda bem que estavamos curtindo bem a caça ao tesouro. O objetivo do jogo era conseguir descobrir onde era o fim do percurso e se inscrever para o sorteio dos prêmios, que incluia viagem de fim de semana e jantar em restaurante. Não tinha prêmio para quem chegasse primeiro, era tudo sorteio.

Eu e Maite decidimos ficar para ver o sorteio na prefeitura. Foi muito engraçado, pois estavam rolando varios casamentos por la, então tinham duas galeras diferentes: a dos bem-arrumados e a dos mulambos suados e cansados, todo mundo fazendo fila (modo de dizer) pra entrar. Dava a impressão que éramos um bando de penetras. A boa surpresa foi um shozinho instrumental excelente de um grupo chamado Omega Fanfare. Que coisa animada! Depois tiveram os sorteios e obvio que não ganhamos nada. Mas talvez tenha sido melhor assim, pois sabe qual foi um dos prêmios oferecidos? Um queijo! Juro pra vocês. Tem que ser muito francês pra dar um premio desses, né não?


No fim das contas valeu muito a pena. Nos divertimos muito, o tempo voou e conhecemos alguns cantinhos charmosos de Paris que não conheciamos. Quem estiver por aqui no ano que vem não pense duas vezes, vai. Mas aviso logo que o francês tem que estar afiadinho, pois decifrar as pistas não é tarefa muito facil não.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Piquenique confirmado!.... NOT!

*Update - A mudança na previsão do tempo me fez cancelar o piquenique!

 

Então pessoal, o piquenique esta confirmadissimo! A méteo ta meia-boca, parece que não vai ter aquele solão de rachar, mas a previsão é de 23° com algumas nuvenzinhas, ta bom, né? Talvez seja até melhor pra gente não torrar no sol (ai pollyanna). Lembrando que todos estão super convidados, mesmo se você nunca comentou aqui no blog, viu? Quem se identifica com o blog so pode ser uma pessoa muito, muito bacana! ;) E pode levar quem quiser, claro. 

Pra facilitar o encontro, vamos marcar 13h30 na saida do metro Porte Dorée (linha 8), em frente ao Mc Donald's (quando sair do metrô, pegue uma das saidas da direita). A rua esta em obras por causa do Tramway, então não estranhem. De la seguimos juntos para o parque. Quem for chegar mais tarde, me ligue para saber onde estamos. Meu telefone é 06 37 08 32 28.

Levem as comidinhas e bebidas que quiserem. Cangas são bem-vindas, menos aquelas com a bandeirona do Brasil, logico (mentira, admito que tenho uma dessas, hahaha). Eu vou levar raquetes de badminton, se alguém tiver mais joguinhos, levem também! Seria bom que vocês confirmassem presença aqui nos comentarios, so pra gente ter uma vaga ideia de quantas pessoas irão.

Estou super ansiosa pra encontrar todo mundo! Até sabado!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Piquenique da Porte Dorée



Aposto que todo mundo que mora na França esta tão euforico quanto eu com essa primavera com cara de verão. A gente tem a impressão que valeu a pena esperar seis meses de frio pra poder curtir esse calorzinho bom demais. Esse fim de semana os parque estavam lotados, todo mundo se camiseta, brincando com agua, sorrisão na cara, suor escorrendo pelo rosto. Em quatro ano de Paris, nunca vi o Bois de Vincennes tão cheio! Tinha uma fila imensa pra andar nos barquinhos, nunca vi isso minha gente!

Tem tanta luz de repente que fica dificil até abrir os olhos na rua, eu que ja estava acostumada à escuridão do pôr do sol às 5h da tarde. Agora o sol esquenta de verdade e fica com a gente até às 9h da noite! Eh muita felicidade pra uma pessoa so! Bora dividir, né pessoal?

Convido leitores, blogueiros, amigos e simpatizantes para um super piquenique na Porte Dorée. Ja fizemos um, deu super certo. Sera sabado, dia 30 de abril, às 13h da tarde. Reservem na agenda, combinamos os detalhes quando estiver mais proximo. O legal é que também esta rolando a Foire du Trône, então quem quiser ainda pode dar uma voltinha de montanha russa.

Tragam comidinhas, bebidas, filhos, namorados, raquetes de badminton e o que mais der na telha. Eu sei que tem muita gente que lê o blog e não comenta, então não se intimidem, é pra todo mundo vir mesmo! O objetivo é justamente conhecer mais gente bacana que mora em Paris. Tragam amigos!

*Mas atenção, se a previsão do tempo não for favoravel, o piquenique sera adiado. :/

domingo, 29 de agosto de 2010

Top 10 - Passeios diferentes em Paris

Ja faz algum tempo que estou devendo um novo top 10, mas faltava assunto. Toda vez que eu pensava em alguma coisa, depois mudava de ideia achando que aquilo não era tão interessante assim. Bom, então dessa vez fiz uma seleção de programas off the beaten track que servem tanto para turistas quanto para pessoas que moram em Paris, mas ainda não conhecem esses cantinhos. Essa é a apenas a minha seleção: não hesitem em recomendar seus passeios preferidos!

10- Promenade Plantée
A promenade plantée é um caminho verde de quase 5km entre a Place de la Bastille e o boulevard periférique (o anel rodoviario que circunda Paris). Foi construida numa antiga linha ferroviaria, a linha de Vincennes. Eu adoro, o caminho é muito tranquilo, rodeado de flores e tão calmo que às vezes a gente duvida se esta mesmo na capital francesa. Os guias dizem pra começar na Bastille, mas eu aconselho fazer o caminho inverso: desça no metrô Bel-Air e va em direção à Bastille, ja que la tem bem mais coisas pra fazer quando chegar, como almoçar num restaurante charmosinho.
* Metrô linha 6, estação Bel-Air

9- Basilique de Saint-Denis
Considerada por muitos como uma das igrejas mais bonitas da região parisiense, a Basilique de Saint-Denis é pouco visitada pelos turistas por causa da sua relativa distância do centro da cidade. Na verdade ela fica localizada fora de Paris, na cidade vizinha de Saint-Denis (aquela onde imigrantes incendiaram carros em 2005), mas é acessivel em metrô. Ela foi construida no ano de 475 - não, não é um erro de digitação - e sofreu diferentes modificações e reformas ao longo dos séculos até chegar à sua forma atual. De estilo gotico, a igreja abriga sepulturas de reis da França. Aproveite o passeio para conhecer um pouco os suburbios mais "problematicos" da capital, da pra notar a diferença entre o glamour parisiense e a realidade periférica.
* Metrô linha 13, estação Basilique de St-Denis

8- Roller pela cidade
Tudo bem que turistas geralmente não carregam um par de patins na mala em caso de emergência, mas deveriam! Paris oferece dois passeios semanais pela cidade para os patinadores. O primeiro acontece toda sexta à noite, mas tem um nivel bem avançado: a balada é em alta velocidade e quem não tem muita intimidade com patins acaba ficando pra tras. Mas não se preocupem, tem ainda a segunda opção que acontece todo domingo à tarde e é bem mais tranquilo. Ja cansei de ver pais e mães patinadores empurrando carrinho de bebe. A cada semana os percursos de ambos são diferentes e todo passeio conta com o apoio da prefeitura, que oferece ambulância, patrulha de segurança e policiais, de patins, é claro.

* Pari Roller - Encontro aos pés da torre Montparnasse sextas às 21h30, metrôs linhas 4, 6, 12 e 13 estação Montparnasse-Bienvenüe

* Roller & Coquillages - Encontro na Place de la Bastille domingos às 14h30, metrô linhas 1, 5 e 8 estação Bastille

* Aluguel de patins aqui e aqui

7- Bercy Village
O Bercy Village é um lugarzinho aconchegante e original que poucos turistas conhecem em Paris. Eu diria que é um mini-shopping a céu aberto, cheio de lojinhas charmosas, restaurantes, bares e um enorme complexo de cinemas. Fica localizado onde antes era um importante local de armazenamento e comércio de vinhos. Acho que o slogan do centro comercial corresponde muito bem à realidade: "um parênteses em Paris". Adoro a cervejaria The Frog, onde fabricam suas proprias cervejas. Recomendo aquela que tem um toque de gengibre. Hummm!
* Metrô linha 14, estação Cour Saint-Emilion.

6- Bike nos bois de Vincennes e Boulogne
Paris é uma cidade verde. Em cada cantinho descobrimos um parque, um refugio pra quem precisa sair do tumulto de uma capital. E com certeza os dois maiores refugios desse tipo em Paris são os dois bois (pronuncia-se boah), o de Vincennes e o de Boulogne. Eles ficam nas extremidades da cidade e são muito, muito grandes. Geralmente ficamos so com as pontinhas deles, fazemos um piquenique bem perto de Paris mas esquecemos todo o restante do bois, ja que é longo demais de andar. Então uma boa opção é alugar uma bicicleta e explorar o interior dos parques. Eh tanto verde, por tantos quilômetros, que a gente realmente duvida estar em Paris. Pode ir sem medo porque não é perigoso e nem tem muito como se perder, ja que tem varias ruas dentro deles. Mas é sempre bom levar um mapa.
* Bois de Vincennes - Metrô linha 8, estação Porte Dorée; ou linha 1, estações Saint-Mandé ou Château de Vincennes

* Bois de Boulogne - Metrô linha 1, estação Porte Maillot; ou linha 2, estação Porte Dauphine; ou linha 10, estação Porte d'Auteuil

5- Concertos gratuitos na Radio France
Somente o passeio até a RFI (Radio France Internacional) ja vale a pena: a famosa maison de la radio é um prédio redondo e original, localizado no 16ème arrondissement de Paris, considerado o mais chique da capital. Mas um motivo melhor ainda para a visita são os concertos que a maison promove, grande parte deles gratuitos. Geralmente é de musica classica, mas também tem outros gêneros. O site da radio com a programação dos shows é meio confuso, então o melhor é comprar aqueles guias semanais tipo Pariscope pra saber sobre os proximos concertos. Dica: como os lugares são limitados, é bom chegar cerca de 1h30 antes do inicio do espetaculo, pra garantir seu lugar.
* RER C, estação Avenue du Pdt Kennedy

4- Passeio no ônibus 72
Como boa utilizadora e grande fã dos ônibus de Paris, tenho uma linha preferida: a 72, Hotel de Ville - Parc de Saint-Cloude. Sempre que posso dou um jeitinho de pegar esse ônibus, pois acho que ele faz um dos trajetos mais belos da capital francesa e a cada vez sinto um quentinho no coração so de olhar a paisagem. Ele passa pelo museu do Louvre, pelo jardim de Tuilleries, pela Place de la Concorde, pelo Petit Palais, pela Torre Eiffel. E na volta, na direção Parc de Saint-Cloude - Hotel de Ville, ele vai beirando o Sena o tempo todo, super gostoso. Eu so fui até a Radio France (aproveitem o 72 para assistirem os concertos da RFI!), nunca fui até o final, mas aposto que se continuarmos teremos ainda mais belezas. Os tickets dos ônibus são os mesmos do metrô e podem ser usados até 1h30 depois da primeira validação em outros ônibus ou Tramways.

3- Cité Universitaire
A cidade universitaria de Paris é um lugar que vale a pena conhecer. Ela abriga maisons de diversos paises, como a maison du Brésil, a maison du Liban, a maison de l'Inde, e cada uma delas conserva a arquitetura e o estilo de seu pais. A do Brasil é do tipo Oscar Niemeyer, bem acimentada com janelinhas coloridas. Minha preferida é a do Japão, que tem um jardinzinho na frente que é uma graça! Entre as maisons tem muito espaço verde onde se pode fazer esportes e piqueniques. Algumas vezes por ano a Cité U, como é conhecida, organiza festas onde todo mundo é bem-vindo. Os moradores de cada maison vendem pratos tipicos de sua região de origem e apresentam espetaculos de dança e musica tradicionais.
* RER B ou Tramway 3, estação Cité Universitaire


2- Visita aos esgotos de Paris
Hum, por que não? Visitar o esgoto de Paris não é um dos passeios mais glamourosos que se pode fazer na França, mas com certeza é bem original. Por 4,30 euros, o turista pode conhecer o subterrâneo da cidade durante uma hora e aprender como funciona o sistema de esgoto. Podemos ver as estações de tratamento e as diferentes maquinas usadas ao longo do tempo. Na verdade é um programa muito instrutivo e eu garanto que o unico rato que você vera sera o de pelucia na lojinha de souvenirs, na saida.
* Metrô linha 9, estação Alma-Marceau (atravessar a ponte)

1- Caça ao tesouro
Sabia que em Paris são organizadas varias caças ao tesouro? São diversas associações, e mesmo a prefeitura, que incentivam turistas e moradores a investigar mistérios para conseguir encontrar o tesouro primeiro. Os limites geograficos da brincadeira são determinados antes, mas geralmente ela abrange boa parte da cidade, sendo necessario pegar metrô, ônibus ou bicicleta para seguir para a proxima pista. Parece uma otima desculpa para bater perna por ai, ainda mais se tiver uma criança por perto, ja que o tesouro dara a ela motivação e energia suficientes para andar o dia inteiro! Eh verdade que algumas caçadas podem ser cansativas demais para as crianças, mas tem diversas alternativas, como uma limitada so na Ile de la Cité.
Exemplos de mais caça ao tesouro aqui e aqui.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Igreja ou museu?

Estou pra fazer esse post ha um tempão, mas agora tenho um bom motivo: se eu não fizer logo, a Luci, que esta em Berlin, vai me roubar o assunto! :)

Na minha viagem para Munique, Praga e Berlin com minha mãe, o que mais vi foram igrejas. Eu ja disse que estava com minha mãe, né? Na verdade eu so entrava mesmo pra descansar - essa era a unica oportunidade que ela me dava, mesmo que involuntariamente, de esticar as pernas. Eu ficava la sentadinha olhando pro teto e pras outras centenas de turistas pensando como a função da igreja estava ultrapassada. Tudo era tão velho, tão arcaico, tão fora da nossa realidade que as pessoas não podiam se conter e tiravam fotos de tudo. A igreja como função religiosa esta perdendo espaço para a igreja função museu. Todos os outros serviços da sociedade foram se modernizando, menos a igreja, que se manteve exatamente do jeitinho que era, tornando-se uma espécie de portal do tempo.

Em Praga, calhou de ter uma missa numa das igrejas que entramos. Cumprindo o ritual, fui logo me sentando enquanto minha mãe rumava para a lojinha de souvenir (a igreja pode ser velha mas não é nada boba). Fiquei assistindo aquela missa estranha, com turistas fotografando a igreja, a missa e os fieis como se fosse um ritual exotico. Os flashes na cara do padre me constrangiam, mas ele parecia estar acostumado. Pensei em ligar o laptop, "sera que aqui ja tem wireless?", achei melhor não. Então chegou o momento da missa onde as pessoas têm que cumprimentar umas às outras e eu me senti aliviada ao ver que estava afastada dos outros e não precisaria participar da brincadeira. Mas vi que o padre não acabava nunca seus cumprimentos e ja tinha passado da metade da igreja. E veio vindo. Dai notei que ele perguntava em inglês pra todo mundo que estava sentado "Where are you from?". Quando ele chegou perto de mim pensei que tinha sido uma boa ideia não ter ligado o computador.

- Where are you from?
- Brazil.
- Brazil! Very good, very good!

Isso é que é padre globalizado. Os flashes até aumentaram.

Estava nessa dinâmica de igreja-museu, quando em Berlim me deparei com a unica igreja que realmente me impressionou. Na verdade duas, uma do lado da outra. A primeira era uma igreja destruida pelos bombardeios da guerra, que eles não restauraram e deixaram ela la, em ruinas, para lembrar os estragos que uma guerra pode fazer. Em vez disso, construiram ao lado uma nova igreja, bem moderna, pra contrastar com a antiguidade da primeira e lembrar que bom, as coisas evoluem. A-do-rei a igreja! Ela é linda, clean e cool, como uma igreja que acompanha seu tempo deveria ser. Acho que assistir uma missa ali faria muito mais sentido do que naqueles museus com pinturas datadas e imagens assustadoras. Veja bem, não estou contestando a arte, mas na nossa realidade atual não nos identificamos mais com aqueles personagens para fazer parte do nosso dia-a-dia! Parece que a nova igreja de Berlin respeita mais a inteligência de seus fieis, dizendo, ei, você esta vendo, a gente evolui junto contigo! Você não precisa mais rezar em bancos duros e desconfortaveis! Aquela decoração ultrapassada a gente deixa pros museus! Aqui é apenas um local de fé, esperança e compreensão! Querer prender os fieis no século retrasado não da, né?

O problema é que a modernização mais necessaria da Igreja Catolica eles não podem fazer: atualizar a biblia para nossa realidade. Goodbye, fieis!






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