Por causa de uma maior igualdade social, a França tem um fenômeno que não temos no Brasil: os trabalhos temporarios de verão. Durante as férias, muitos estudantes procuram um jeito de ganhar uma graninha extra e encontram a solução nos empregos de férias, que começa a partir de agora e vai até setembro, dependendo do curso. Vale tudo: lavador de louça, garçon, caixa de supermercado, estoquista, baba, arrumadeiro de quarto de hotel, animador em colônia de férias, o negocio é conseguir levantar um pouco de argent de poche, ‘dinheiro de bolso’ como eles chamam aqui.
Acho interessante porque praticamente todos os estudantes fazem esse tipo de ‘subemprego’ nem que seja pelo menos uma vez na vida. E isso é super importante para a classe média dar valor ao trabalho não intelectual, o trabalho pesado mesmo. Até o Sarko ja fez! Parece que não o suficiente, mas fez. Imagina so no Brasil se um estudante de segundo grau de uma escola particular ou de uma faculdade viraria caixa de supermercado no verão?! Primeiro que ele ia ter vergonha dos amigos o verem trabalhando la, e segundo, que o salario de um caixa de supermercado não vale nada para a classe média. Imagina trabalhar 9 horas por dia, provavelmente fins de semana, e ganhar 400 reais? Isso a mamãe da de mesada, oras! Por isso as classes sociais não se misturam no Brasil. Elas vivem em mundo diferentes. E o adolescente que acha que não vale a pena trabalhar por 400 reais, nunca vai descobrir por conta propria que a maioria da população ganha isso pra sustentar a familia inteira. Ele so vai ler essa noticia no jornal e ignorar, pois essa realidade esta muito longe dele. No maximo ele vai se solidarizar com a empregada da familia, mas nunca vai se comparar à ela.
Faz parte da formação do carater de uma pessoa compreender a situação dos menos favorecidos e no Brasil essa tarefa fica muito mais dificil se existir um abismo entre as classes por causa dos salarios desiguais. O unico contato que os ricos tem com os pobres sao seus porteiros, suas empregadas/escravas do lar, sempre em uma relação de superioridade.







