Virginie Despentes é uma figura que me intriga muito. Eh verdade que comecei com o maior tapa na cara que uma autora pode dar, que é Baise-moi, mas logo depois li Apocalypse Bébé, seu ultimo livro, e minha perplexidade em relação a ela continua. AB é de longe bem menos punk que Baise-moi, mas ainda assim me incomoda. O livro conta a historia de uma adolescente que desaparece e uma detetive particular (não muito motivada) que é contratada pra encontrar a menina.
Pra mim com certeza o ponto alto é a construção dos personagens. Eles são tão bem-feitos, tão logicos, tão redondinhos, que parece que a autora tem um pos-doc em psicologia. As historias são contadas pelo ponto de vista deles, e como quase todos os personagens têm voz, muitas vezes temos duas versões da mesma historia. Conseguimos simpatizar e solidarizar com ambas e vamos vendo como tudo se encaixa. Da gosto de ler paginas tão bem escritas.
Alguns elementos de Baise-moi estão presentes em AB, principalmente no que diz respeito ao sexo (nao na mesma intensidade). O mundo da Despentes é totalmente depravado e ela nos faz acreditar que tudo aquilo que ela relata é a vida real, nos é que somos conservadores demais. Seu estilo rapido e sem rodeios de escrever também esta presente, o que faz com que a gente leia o livro inteiro sem perceber que ja chegou ao fim. Como em Baise-moi, AB também traz um pedacinho do universo muçulmano, mas sem maior destaque. E as girias sao regra na escrita de Despentes, tive que parar a leitura muitas vezes pra procurar o significado de algumas delas.
Tenho algumas criticas também. Pra começar, não gostei do final. Achei facil demais, apesar de tirar o fôlego (longe de ser previsivel, alias). Mas é so minha opinião, a Dé, por exemplo, gostou. Outra coisa que me incomodou muito foram as passagens machistas, o que é muito curioso, ja que a Despentes é assumidamente feminista. E é interessante ler o livro tendo essa informação porque nossa reação muda completamente. Se o autor fosse um homem, eu bufaria na hora e acharia um absurdo ler tais coisas. Mas como é a Despentes, a feminista, eu lia e pensava que aquilo na verdade era uma critica à sociedade machista, que ela estava apenas denunciando o tratamento dado às mulheres e tal. Mas cara, ela fala coisas tão, mas tão sexistas, tão chocantes e toda hora, que cansa, sabe. Eu não quero ouvir pérolas machistas, nem que elas venham de uma feminista. Isso so serve pra manter as coisas como elas são.
Apocalypse Bébé era um dos favoritos para o ultimo Goncourt, maior prêmio da literatura francesa. O outro favorito era La carte et le territoire, que acabou levando. Li os dois e sinceramente acho que a Despentes merecia mais. Em todo caso, ela é uma promessa das letras por aqui e se continuar escrevendo com certeza leva o prêmio em breve.
Apocalypse Bébé era um dos favoritos para o ultimo Goncourt, maior prêmio da literatura francesa. O outro favorito era La carte et le territoire, que acabou levando. Li os dois e sinceramente acho que a Despentes merecia mais. Em todo caso, ela é uma promessa das letras por aqui e se continuar escrevendo com certeza leva o prêmio em breve.





















