sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Mudança de endereço
O endereço é www.amandalourenco.com
Obrigada a todos que me acompanharam aqui! See you on the other side.
(Tá meio bagunçado ainda, mas vou ajeitando)
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Pessimismo à francesa
Percebi que os franceses são muito, mas muito pessimistas. Mas não foi preciso sair da França para saber disso, você diz. Ou melhor, não foi preciso sequer ir pra França, todo mundo sabe! Sim, sim, concordo. É uma ideia generalizada que paira sobre a cabeça dos franceses, mas que agora eu posso ver exatamente onde estão esses sinais de pessimismo.
Por exemplo, a tão usada expressão "bon courage" nada mais é que uma ode ao pessimismo. Uma vez estávamos no Brasil e o cheri, ao terminar as compras no supermercado, disse "Coragem!" à caixa que estava nos atendendo. Eu logo chamei a atenção dele, não se fala isso no Brasil. Não dizemos "força aí" às pessoas que cruzam nosso caminho porque não partimos do princípio de que elas estejam precisando de encorajamento para continuar trabalhando. Partimos do princípio de que tá todo mundo muito satisfeito de estar ali trabalhando. Tudo bem que isso pode não ser verdade, mas ora, isso é ser otimista.
Estava lendo uma matéria sobre um vendedor francês que, ao contrário da população mundial, gosta das segundas-feiras de manhã. Ele disse que sua mãe inglesa sempre dizia pra ele "enjoy your day!", ao invés do terrível "bon courage". Poxa, isso faz toda a diferença na vida de uma criança, não? Imagina ir pra escola todo dia ao som de "força", "coragem", "fé que você vai conseguir sobreviver a mais um dia". Um horror, esses franceses.
Não é à toa que eles vivem pensando na aposentadoria.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
O punhal de Le Pen
Mohamed contou ao jornal Le Monde que perdeu seu pai dia 3 de março de 1957, depois de uma visita de uma tropa de paraquedistas franceses. O chefe do grupo era o jovem Jean-Marie Le Pen, "grande, forte e loiro". O pai de Mohamed, Ahmed Moulay, fazia parte do Front de Libération Nationale, partido radical que lutava contra a colonização francesa e acabou consquistando a independência da Argélia (e que mais tarde demonstrou não ser nenhum um pouco democrático, mas isso é outra história). Então, no meio da noite, Le Pen invade a casa da família Moulay e submete Ahmed, que tinha então 42 anos, a um interrogatório macabro. O que se segue são intermináveis horas de tortura com água e eletricidade, sob os olhos aterrorizados da mulher e dos seis filhos de Ahmed. Diante da resistência do argelino em não delatar seus companheiros, Le Pen e sua tropa vão embora deixando um cadáver para trás.
O irônico é que o jovem Jean-Marie Le Pen esqueceu um punhal com seu nome gravado no local do crime. Mohamed, que na época tinha 12 anos, encontra a faca e sem pensar duas vezes a esconde. No dia seguinte Le Pen volta para recuperar o objeto, mas não acha. Trata-se de uma faca da Hitlerjugend, a Juventude Hitlerista, fabricada nos anos 30.
Essa história, Mohamed guardou por 45 anos e decidiu contar apenas quando viu Jean-Marie Le Pen no segundo turno das eleições presidenciais, há exatos 10 anos. O político conservador processou Mohamed e o jornal Le Monde por difamação e perdeu. O punhal foi uma das provas do processo e daqui a um mês será levado de volta para a Argélia, onde se tornará peça de um museu.
Acho assustador pensar que é desse tipo de gente que a política francesa é feita. Que a UMP esteja pensando em fazer aliança com um partido fundado por um assassino. Claro que imagino (e espero) que Jean-Marie Le Pen tenha evoluído e não seja mais a mesma pessoa que invadiu a casa da família Moulay. Muito menos quero julgar Marine Le Pen pelos erros do pai. Mas é a essência que conta, sabe? É o ambiente do qual essas pessoas vieram.
Mohamed Moulay morreu há dois dias, aos 67 anos.
*Informações tiradas dessa matéria do Le Monde.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
A esquerda francesa no caminho certo
A princípio, o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais francesas pode assustar, afinal de contas ver a extrema-direita conquistar quase um quinto do eleitorado parece realmente preocupante. Mas depois de uma análise mais fria, a esquerda francesa pode suspirar aliviada: ela está exatamente onde deveria estar. É claro que o risco sempre existe, mas o cenário político atual privilegia o partido Socialista de François Hollande como nunca antes.
Essa é a quinta vez que um presidente tenta a reeleição na história recente da França, mas é a primeira vez que o candidato-presidente não termina na frente no primeiro turno, o que reflete a grande rejeição de Nicolas Sarkozy. O atual presidente bateu recordes de impopularidade durante todo seu governo, o que leva a crer que seu partido teria melhores chances se tivesse apresentado um outro candidato, alguém com a imagem menos desgastada. A campanha popular contra Sarkozy foi provavelmente mais eficiente que a campanha pró-François Hollande. O site de informação francês Rue 89, por exemplo, criou o aplicativo "600 razões para não votar Sarkozy" que se espalhou rapidamente pela internet. O que garantiu o sucesso do aplicativo foi a relevância dos 600 motivos, pesquisados minuciosamente pelo jornalista Samuel Duhamel. Entre as razões estão: "Porque ele enviou o exército francês ao Chade em fevereiro de 2008 para manter o ditador Idriss Déby no poder", ou ainda "Porque uma viagem de 24h à ilha de Reunião por 1,6 milhões de euros (quase 4 milhões de reais) saídos do bolso do contribuinte é jogar dinheiro pela janela", sempre com suas devidas fontes.
Desta forma, é natural que os eleitores da UMP que rejeitam a figura de Sarkozy busquem alternativas e o caminho encontrado por parte deles foi o da extrema-direita de Marine Le Pen. Irônico que um dos objetivos da campanha de Sarkozy tenha sido justamente abocanhar parte do eleitorado lepenista, mas na verdade perdeu votos para ela. A candidata do Front National adotou um discurso mais leve em relação ao pai, repudiou a ideia de que seria racista e soube passar uma postura menos radical, mas sempre mantendo uma posição anti-imigração. Em um momento de crise, esse tipo de discurso é tentador para os operários. Voilà os 18%.
A grande preocupação agora é para onde vão esses eleitores. Marine Le Pen já garantiu que não apoiará Nicolas Sarkozy e incentivará seus admiradores a votarem nulo. É pouco provável os votos irem em peso para o presidente, pois os eleitores lepenistas não seguem a lógica da direita versus esquerda, é sobretudo um voto de protesto. Ora, protesto contra Sarkozy. Então somar as pontuações da direita não significa nada nessas eleições.
Todas as pesquisas apontam para uma vitória de François Hollande do segundo turno, nenhuma dá a vitória para Sarkozy. Se os prognósticos estiverem corretos, existe uma grande possibilidade que pela primeira vez a França seja governada por uma maioria de esquerda em todas as suas esferas políticas. A esquerda já conta com uma maioria nas prefeituras, nos conselhos regionais e no senado. Mas a conquista mais importante acontecerá em junho desse ano nas eleições legislativas, de onde sai a força do governo. Se o partido Socialista conseguir a presidência, a tendência é conseguir também as legislativas e se o quadro se confirmar, será a oportunidade de ouro para a esquerda francesa mostrar seu valor, justamente em um momento que o país se mostra com uma mentalidade cada vez mais conservadora.
*Texto escrito antes da possível junção da UMP com o FN (que na verdade não muda muita coisa nas presidenciais, mas nas legislativas). Outro texto meu sobre as eleições foi publicado aqui.
domingo, 1 de janeiro de 2012
Conselhos práticos para quem vai deixar a França
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
A nova pequena
- Por favor!
- Non.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Nunca subestime um coração partido
domingo, 4 de setembro de 2011
Leitura de férias: La vie devant soi, Romain Gary
domingo, 21 de agosto de 2011
Calanques, o caminho até as águas cristalinas
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Provence, a perfumada
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Curtinhas de férias
Curtinhas do camping
* estamos funcionando no "modo galinhas": quando anoitece a gente dorme, quando amanhece a gente acorda.
* nossos vizinhos não apreciam nossa matutinidade e ficam resmungando do barulho. Pombas, não quer ouvir barulho vai pro hotel! No camping tem gente legal e gente chata. Os indícios apontam que somos os chatos. Aceite.
* ter dor de barriga às 3h da manhã é a pior coisa que pode te acontecer num camping.
Curtinha da estrada
* fiquei pasma com um motorista que decidiu brincar no trânsito indo de uma ponta à outra da auto-estrada, passando por todas as pistas, várias vezes. Em alta velocidade, brincando com a vida dos outros. Choquei, nunca vi isso no Brasil, cheri disse que já viu várias vezes aqui.
Curtinhas do Sul da França
* sei que cheri se sente em casa quando vai na padaria e pede um chocolatin ao invés de pain au chocolat e vai ao supermercado e pede uma poche, em vez de um sac plastique.
* ser parisiense no sul é uma coisa muito constrangedora pra você.
Curtinha da máquina fotográfica
* cheri mostra toda sua crueldade no fim do dia quando diz "vamos fazer a seleção das fotos?"
Curtinha da praia
* ainda não entendi a lógica das francesas: na praia é topless, na rua a blusa é obrigatória. Continuo pagando de piriguete com minha parte de cima do biquíni na cidade. Quero nem saber.
domingo, 14 de agosto de 2011
Argelès, a nossa praia
Na nossa primeira semana de viagem, nós dormimos em vários lugares diferentes (Lyon, Lot, casa de um amigo perto de Albi e Toulouse). Tive a impressão de não parar um minuto, de fazer o dia render 30h, de pegar a estrada dia sim e outro também. Mas então domingo passado nós fomos pra Argelès, cidade onde os pais do cheri têm uma casa de praia. Passamos uma semana lá e tive a sensação de parar no tempo. Os dias passavam devagar, a gente não tinha pressa pra nada, a preguiça reinava, e o melhor: estava muito calor e muito sol.
Rapidamente entramos numa rotininha que consistia em café da manhã, praia, almoço, praia, banho, janta, sorvete. Comíamos super bem, já que comprávamos as frutas e legumes direto com o produtor e putz, que diferença! Em Paris os tomates têm gosto de água, em Argelès eles mal tinham sementes! E o melhor, tudo baratinho. O sorvete, ah o sorvete! Gente, o que era aquilo? Eu tomei um de caramel salé no primeiro dia e não troquei mais, porque nada poderia ser mais gostoso do que aquilo, por que arriscar, né?
A praia também era ótima, pertinho de casa. O único problema era a água, gelada demais. Eu parecia uma bocó pra entrar no mar, sofrendo aos pouquinhos, enquanto todo mundo entrava de uma vez. Mas estava tão calor, que depois que eu entrava, ficava me perguntando por quê não havia entrado antes. Comprei um biquíni francês e, desculpe às fieis aos modelos brasileiros, adorei! É tão mais confortável! Posso me movimentar à vontade sem me preocupar se tudo continua no lugar. Joguei frescobol sem medo de ser feliz. Mas uma coisa que notei é que ninguém anda de biquíni na rua, mesmo que seja a rua da praia. Saiu da praia, tá todo mundo tapado de novo, eu me sentia uma ET. Em compensação, as tiazonas tudo no topless na areia! Quer dizer, não era só tiazona não, tinha muita garotinha também. Acho ótimo, mas numa praia tão lotada nunca que eu faria.
Outra coisa chata era o vento. Sorte que a areia não era fininha, senão seria impossível. Mas cada vez que o vento ficava mais forte eu me preparava pra ser atingida por um guarda sol voador a qualquer instante. Tenso.
E sim, a cidade estava lotada! Argelès é uma das cidades praianas com mais campings, contamos uns 40 no mapa. Mas o mais impressionantes não era a quantidade de pessoas, mas sim a quantidade de crianças! Era muita criança, vou te falar. Acho que pelo menos 30% da galera tinha até 10 anos. E por causa disso, milhares de brinquedos, de parques de diversões, de atividades. E lógico, crianças correndo, chorando, gritando, fazendo manha, jogando areia em você e algumas bem fofinhas pra gente dizer olha que cuticuticuti. Mas poxa, estou de férias, chega de crianças!
Mas parece que eu não fiquei satisfeita com esse tanto de pitico e fui atrás da minha própria. A menina de 4 anos que eu tomava conta estava passando férias na casa da avó, que mora perto de Argelès. Sua mãe nos chamou pra ir almoçar lá e nós fomos. Ela disse que a pequena nem dormiu direito no dia anterior de tão ansiosa que estava com minha chegada, a fofa. Tudo o que uma babá quer ouvir. Os avós dela moram num lugar incrível, isolados de tudo, um paraíso. Fiquei encantada. Eles construíram um lago e tudo. O avô era naturista, felizmente fomos embora do lago antes dele entrar.
Outro passeio que fizemos foi ir pra uma praia selvagem mais distante. Bom, selvagem entre aspas, né? Porque nessa época do ano você nunca está sozinho. Fizemos snorkel e vimos vários peixinhos lindos. Mas eu nunca me acostumo com essa máscara! Passei 16 anos cotidianamente na piscina sem respirar debaixo d'água, não vai ser em um dia que vou mudar meus hábitos. Eu esquecia que dava pra respirar e ficava segurando o fôlego. Ridículo quando eu dava umas braçadas e depois virava a cabeça pra respirar. Não espalhem.
Como estou postando da minha tablete, não sei se vou conseguir postar fotos e nem onde elas vão parar, então relevem. Muito menos tive tempo de revisar. E também não sei se terei energia pra carregar o aparelho nos próximos campings. Até a próxima parada! :)
sábado, 13 de agosto de 2011
Lot, amor à primeira vista - parte 2
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Lot, amor à primeira vista - parte 1
sábado, 6 de agosto de 2011
Lyon, um detalhe geografico
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Sintomas graves de parisienses
Sintomas mais comuns:
- saber a temperatura que vai fazer nos proximos dias
- achar as sobremesas do brasil doces demais
- não comer mais queijo e presunto no café da manhã
- achar que um apartamento de dois quartos é luxo
- não puxar mais assunto quando ouve alguém falar português na rua, como fazia antigamente
- passar cinco minutos procurando um equivalente em portugues para uma palavra em francês que representa exatamente aquilo que vc quer dizer (e que geralmente não existe em português)
- saber nomear mais ministros franceses que ministros brasileiros
- não entender como os brasileiros podem trabalhar tanto e ter tão poucas férias
- ser mais pontual
- ficar irritado quando o turistão fica parado do lado esquerdo da escada rolante no metrô
- aprender a se virar: fazer faxina, cozinhar (bem!), consertar eletrodomesticos, montar moveis, muitas vezes até cortar o proprio cabelo
- descobrir qual é a melhor padaria do bairro e implicar com as outras
- esperar os soldes pra fazer compras
- no inverno, não sair mais com cinco casacos, três calças, sete meias, luvas, gorro de lã e cachecol, como fazia antigamente
- programar as férias para o mês de agosto
- se for mulher achar os biquinis brasileiros pequenos demais e se for homem jurar que nunca mais veste uma sunga na vida
- chamar Mc Donalds de McDo
- dizer os numeros de telefones em dezenas
- achar que o rosé é um vinho subjulgado no Brasil
Se você sentir algum sintoma não listado, por favor deixe na caixa de comentarios para podermos prevenir os recém-chegados dessa terrivel ameaça.
























