segunda-feira, 20 de julho de 2009

O fantastico mundo dos blogs

Eu descobri os blogs um pouco tarde, so no ano passado, quando comecei a escrever o meu. Quer dizer, eu ja sabia que eles existiam, mas achava que não tinham nada demais, que eram tipo diarios abertos de vidas desinteressantes. Os blogs famosos so confirmavam esse meu pensamento preconceituoso, vide bruna surfistinha.

So que depois que criei o meu, descobri o universo dos blogs legais. E olha, existem muitos! Dai viciei. Fiquei tão empolgada com a minha descoberta que até tentei inventar uma palavra pra descrever essa sensação, mas não achei. Um dia estava falando com meu amigo Luis e disse: ‘Os blogs são incriveis, eles estão tipo, num mundo a parte’, dai ele respondeu ‘Eh, a blogsfera’. Olha isso, ja tinham inventado a palavra que eu estava procurando! E apesar de te-la ouvido varias vezes antes, aquela foi a primeira vez que ela fez sentido pra mim.

Um dia fui parar no blog da Lola, que é o que eu passo mais tempo lendo. Primeiro porque ela escreve super bem, de verdade mesmo, depois porque eu tenho a mesma visão das coisas do que ela, às vezes fico até assustada. E finalmente, porque ela escreve todo santo dia! As vezes duas vezes! Nada melhor para acompanhar blogs do que atualizações!

Então ela lançou um concurso de blogueiras sobre o tema feminismo e eu estou concorrendo com aquele post sobre a burca. Além do meu, tem mais 16 posts e eles são muito bons! Então se vocês quiserem conhecer blogs legais, que é a real intenção do concurso, passem por la. E votem! Desde que seja em mim, é claro. Brincadeira viu gente, votem em quem vocês quiserem. Li todos e adorei.

p.s. – outra coisa que descobri nessa blogsfera: blogueiros adoram comentarios! ;)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Je m'appelle...

Os brasileiros estão acostumados com os Nick, Amy, Joey, Carrie, Kevin dos filmes de Hollywood. A gente conhece bem os nomes anglofonos. Mas com certeza não estamos habituados com os nomes franceses. Normalmente achamos que todas as francesas se chamam Françoise e todos os franceses, Jean-Pierre (não é, dona Leila?). Mas desafio a encontrar alguém com esses nomes que não tenha vivido a segunda guerra mundial. Ta, um pouco de exagero, mas um otimo teste é esse site que encontrei, ele tem todas as estatisticas dos nomes na França. Naquela segunda coluna, é so colocar um nome (em francês é prenom) que ele vai te dar ano por ano, quantas crianças foram registradas com tal nome. Façam o teste do Jean-Pierre e da Françoise!

Algumas crianças que tomei conta tem nomes estranhos para nos brasileiros. Um bebê com nome de Inês (em francês se escreve Inès)? Augustin? Mas são super tendência na França! Inès então, mais na moda impossivel. Façam o teste no site. Outras crianças que tomei conta foram Sacha (menino), Siloha, Nell, Corentin, Rafaël. Os nomes mais populares de 2006 na França foram:

Meninas: Emma, Léa, Clara, Manon, Chloé, Camille, Inès, Sarah, Jade, Lucie
Meninos: Enzo, Lucas, Mathis, Tomas, Théo, Hugo, Nathan, Tom, Clement, Maxime

Amanda não tem muitas, mas tem uma variação mais popular: Amandine. Acho fofo. O cheri, apesar de ser mais conhecido como Jean-Pierre, ou JP pelos amigos brasileiros, se chama Aurélien (pronuncia-se Orrelian). Apesar de não usual pra gente, o nome dele é comum por aqui e muito na moda a partir dos anos 80. A versão feminina então, acho que de cada duas garotas de 28 anos, três de chamam Aurélie. Os nomes mais populares da nossa geração (1981):

Meninas: Céline, Emilie, Aurélie, Virginie, Stephanie, Laetitia (pronuncia-se Leticia), Marie, Sabrina, Audrey, Sandrine
Meninos: Nicolas, Sébastien, Julien, David, Christophe, Cédric, Jérome, Guillaume, Olivier

Alguns amigos franceses: Candice, Cyril, Gregory, Zoé, Mathilde, Aurore, Johan.

Pronto, agora vocês podem abandonar essa mania de Jean-Pierre! Não tem mais desculpa!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Quando os pobres votam extrema direita

Os franceses gostam de politica. Acho que na verdade é o assunto preferido deles, em qualquer nivel social. E aqui a esquerda e a direita estão bem divididas e pertencer à um grupo ou outro é uma questão de logica. Ou pelo menos era. Os mais ricos votam direita porque querem abrir o pais ao capitalismo, à competição de mercado, para terem mais lucro pessoal. Os mais pobres votam esquerda para lutar contra um modelo opressor que so beneficia a elite. So que nos ultimos tempos, cidades pobres tradicionalmente comunistas passaram a ser grandes eleitores da extrema direita. Assim, de um extremo ao outro sem passar pelo meio termo.


O mapa acima mostra o salario médio por pessoa na região parisiense. Quanto mais vermelho, mais ricos. A gente percebe bem onde estão os afortunados: no sudoeste de Paris e um pouco no sudeste. Os pobres estão concentrados no norte, em cidades como Saint-Denis, Bobiny, Bangnolet. Agora olhem para esse outro mapa:

Ele mostra a força da extrema direita na Île-de-France (região onde fica Paris). Quanto mais escuro, mais a extrema direita tem votos. Os dois mapas não estão na mesma escala, então quem não conhece bem a região pode ficar um pouco perdido. Paris é no meio daquele tumulto la no centro. E a gente pode ver que a parte norte de Paris esta bem escura.
Por que os pobres passaram a votar extrema direita? Porque aconteceu um fenômeno interessante. Antigamente essas cidades eram habitadas exclusivamente pelos operarios de fabricas e trabalhadores braçais, todos com grandes tradições sindicais, totalmente politizados. Votavam sempre extrema-esquerda. Dai um belo dia chegaram os imigrantes, que também eram pobres e acabaram se instalando nos mesmos bairros dos operarios. Passaram a disputar as vagas de empregos com eles e os operarios não gostaram muito dessa historia.
Encontraram no discurso da extrema direita, que é contra a imigração, uma possivel saida para seus problemas e passaram a votar neles. Os novos imigrantes, que não tem raizes sindicais e trabalhistas, não ligam para a politica e não votam. Muitos não podem nem votar porque estão ilegais e os que podem nem estão inscritos nas listas eleitorais. O nivel de abstenção em eleições nessas cidades do norte agora são muito altos.
Eh assim que os partidos ultra-conservadores estão ganhando terreno em zonas carentes. Ja nas areas ricas, apesar da direita ter grande parte dos votos, a extrema-direita não faz muito sucesso. Acho que quem tem uma educação privilegiada sabe que o Le Pen não vai trazer nenhum beneficio para a França.
Uma outra consequência desse fenômeno pode ser notada. Por não se sentirem representados politicamente, os imigrantes e seus descendentes procuram outras formas de lutarem por seus direitos, queimando carros, por exemplo, como aconteceu em 2005 e em quase todas as noites nos suburbios parisienses.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

BDs - Quadrinhos franceses

Uma das coisas que adoro na França são as revistas em quadrinhos, que aqui eles chamam de BD (bande dessinée). Quando criança, eu era viciada na Turma da Mônica, esperava ansiosamente minha assinatura de 15 em 15 dias. Aprendi a ler com elas. Alias, o cheri também aprendeu português com elas, especialmente com o Chico Bento, deve ser por isso que ele tem um sotaque meio caipira (mentira!). So que além da turma do Mauricio e da Disney, da invasão de mangas e umas revistas de super-herois e tal, não sobra muita coisa de BD no Brasil. Se eu estiver errada, me corrijam.

Aqui os quadrinhos ocupam boa parte das livrarias e a variedade é inacreditavel! Tem pra todos os gostos: humor, infantil, biografia, drama, terror, love story, erotico, ação, Historia… Até vi uma parodia que achei de muito mal gosto: Câncer and the City. So pra vocês verem que tem de tudo mesmo. Também li um que falava de pedofilia. Geralmente eles vem em capa dura e custam 10 euros, o que acho caro, se comparado ao preço dos livros. Eu pego muitos na biblioteca municipal, que é de graça.

O ultimo que li foi ‘Isnougoud’, que é a historia de um vizir que quer ser califa no lugar do califa (eles usam essa frase toda hora "être calife à la place du calife"). Eh bem engraçadinho. Descobri essa semana que tem um desenho animado também. Outro que li foi L’age d’or (a idade de ouro), que é sobre uma velhinha e seus amigos. Algo do tipo, Urbano, o aposentado. O proximo que quero comprar se chama Le goût du chlore (o gosto do cloro), que é sobre os encontros na piscina de uma ex-campeã de natação e um cara que nada por recomendações médicas.

Tenho dois grandes preferidos. O primeiro é Le retour à la terre (O retorno à terra), que é sobre um casal que sai da cidade pra se instalar no campo. Eh hilario! Esse vale muito a pena! Se você esta na França, compre. Tem 4 volumes, so li 3. E o outro é Persepolis, o BD que deu origem ao filme, que também é muito bom. Eu ri, chorei, aprendi, me choquei, me revoltei, tudo com esse livrinho. Ele conta a historia em primeira pessoa de uma menina iraniana através de todas as mudanças de seu pais e depois o peso de ser iraniana na Europa. Na verdade é uma autobiografia. Tem no Brasil tambem, traduzido ainda por cima.

BDs são uma otima forma de estudar francês, porque você acaba entendendo as palavras que não sabe pelo contexto e pelas figuras, nem precisa olhar no dicionario.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Burcas: diferentes pontos de vista

Volto ao assunto das burcas porque queria dividir o que li no Courrier International. Para quem não conhece, essa revista reune algumas das melhores reportagens publicadas em diversos paises durante a semana, traduzidas para o francês. Vou copiar alguns trechos que achei mais interessantes. A tradução para o português é minha.

Opressão do lado de la, opressão do lado de ca: "Onde vai?", "A Paris, claro! Na França, a burca vai ser proibida", "Você esta longe de estar pronta para um vestidinho de verão, olha essas pernas!", "Merda!",
‘Em Paris, ser contra a burca é ser de esquerda. Em Londres, é defender a extrema-direita. (…) Os principios republicanos de igualdade e de laicidade são tão profundamente enraizados no espirito francês que eles pertencem tanto a esquerda quanto a direita. (…) O discurso de Sarkozy significa que a França vai proibir seus cidadãos de usar a burca? Provavelmente não. Seu discurso deve ser antes de tudo considerado como como uma manobra politica. Ele quer reafirmar frente ao seu partido sua fidelidade aos ideais da Republica francesa e de lucro ainda ganhar a posição incerta da esquerda. (…) Visto da Grã-Betanha, os ideais franceses de igualdade e laicidade, muitas vezes mal-interpretados, parecem principios autoritarios e preconceituosos’, The Times, Londres.

‘A Franca aboliu a escravidão em 1848. E esta fora de questão hoje deixa-la se reinstalar sob a forma da burca’, ABC, Madri.

‘Diferentemente dos gurus do multiculturalismo, que inundam os escritorios europeus com iniciativas paternalistas sobre o Islã, Sarkozy não tem meias palavras: preservar a pluraridade de crenças de uma democracia é uma coisa, mais dai a permitir a segregação da mulher sob pretextos religiosos, esta fora de questão’, La Vanguardia, Barcelona.

‘Na sua luta pela igualdade, a França ao invés de encorajar o multiculturalismo, como fazemos na Inglaterra, se esforça em diminuir as diferenças e prega a integração. Essa vontade de abolir uma representação exterior do fundamentalismo muçulmano é uma prova da dificuldade do Estado francês de absorver um grupo de imigrantes que não quer ceder à sua laicidade. (…) Não sei quantas mulheres "escolheram" usar a burca, mas pensar que elas escolheram de boa vontade se cobrir com essa roupa triste é não entender o conceito de livre escolha pelo qual as feministas lutaram’, The Independent, Londres.

‘Quando passeamos voluntariamente pelo mundo como um espectro preto, impomos ao outro nossa necessidade egoista de nos taparmos. Eh um ato de agressão. Eh a liberdade que zomba da igualdade e da fraternidade’, De Volkskrant, Amsterdã.

‘Os arabes adoram lutar em batalhas previamente perdidas e adoram falar sobre os outros para chamar atenção sobre seus proprios problemas. E agora alguns se fazem mais democratas que os franceses e querem dar lições sobre os direitos das mulheres – sendo que em seus proprios paises as mulheres são privadas dos direitos mais elementares. (…) Seria mais util aceitar os direitos dos outros e entender que a unica forma de abordar as diferenças é tendo um debate construtivo. Isso provaria que procuramos nosso lugar (o lugar dos arabes) entre as nações e que não somos simples massas cegas pela colera’, Emarat Al-Youm, Dubai.

‘Quando Obama foi na Normandia para a comemoração do Desembarque e perguntaram o que ele achava da proibição do véu na França (note que a informaçao é falsa), ele reafirmou o que ja tinha dito no Cairo, "nos EUA, temos por principio não dizer às pessoas o que elas devem vestir". Uma atitude na qual os franceses fariam bem em se inspirar’, The Christian Science Monitor, Boston.

‘Uma vitima da moda ocidental é tão prisioneira de suas roupas do que uma mulher em burca. A liberdade real, para Hegel, não significa fazermos tudo o que queremos, mas nos liberarmos do condionamento social usando a razão. (…) Vão argumentar que as mulheres de burca são mais oprimidas que aquelas que se dobram à ditadura das revistas de moda. Efetivamente, eu sempre fico triste quando vejo uma mulher de burca – mas isso é problema meu’, The Sydney Morning Herald, Sydney.

‘Primeiro, Sarkozy não crê no Islã, senão ele saberia a alta estima que esta religião da as mulheres. Segundo, ele pertence a uma cultura que é injusta com as mulheres’, Gulf News, Dubai.

‘A partir do momento que as mulheres participam da vida da comunidade, usando essa roupa por escolha pessoal e não ameaçando a seguranca nacional do pais, qual o direito que temos de lhes dizer que tal roupa é mais libertaria que outra? Mais que tudo, a proibição da burca é um atentado aos direitos das mulheres’, The National, Abou Dhabi.

‘ A invasão do véu na Europa nos traz somente vitorias superficiais. Não ha nada do que se vangloriar de ter ter metido um pedaço de pano nas cabeças das mulheres na Champs-Elysées parisiene ou na Trafalgar londrina. Ja que nossas cabeças estão vazias e não são capazes nem de melhorar nossa situação deploravel, nem de oferecer ao mundo nada de positivo’, Al-Jarida, Koweit.

‘Algumas pessoas vão evocar a "liberdade pessoal" para refutar qualquer proibição. Esse argumento solido em si mesmo, perde muito de sua pertinência quando é posto à prova do contexto. (…) Esta na hora de parar com essas atitudes negativas que não somente desrespeitam a mulher, mas sobretudo desfiguram uma religião que como todas as outras é direcionada a encaminhar o homem à etica, ao amor e à espiritualidade. (…) Não estariam eles se excluindo eles mesmos de uma sociedade na qual deveriam se integrar para depois se dizerem vitimas de injustiça e de excusão?’, Courrier International, Paris.

Voila, tirem suas proprias conclusões.

sábado, 4 de julho de 2009

Petits boulots d'été

Por causa de uma maior igualdade social, a França tem um fenômeno que não temos no Brasil: os trabalhos temporarios de verão.

Durante as férias, muitos estudantes procuram um jeito de ganhar uma graninha extra e encontram a solução nos empregos de férias, que começa a partir de agora e vai até setembro, dependendo do curso. Vale tudo: lavador de louça, garçon, caixa de supermercado, estoquista, baba, arrumadeiro de quarto de hotel, animador em colônia de férias, o negocio é conseguir levantar um pouco de argent de poche, ‘dinheiro de bolso’ como eles chamam aqui.

Acho interessante porque praticamente todos os estudantes fazem esse tipo de ‘subemprego’ nem que seja pelo menos uma vez na vida. E isso é super importante para a classe média dar valor ao trabalho não intelectual, o trabalho pesado mesmo. Até o Sarko ja fez! Parece que não o suficiente, mas fez. Imagina so no Brasil se um estudante de segundo grau de uma escola particular ou de uma faculdade viraria caixa de supermercado no verão?! Primeiro que ele ia ter vergonha dos amigos o verem trabalhando la, e segundo, que o salario de um caixa de supermercado não vale nada para a classe média. Imagina trabalhar 9 horas por dia, provavelmente fins de semana, e ganhar 400 reais? Isso a mamãe da de mesada, oras! Por isso as classes sociais não se misturam no Brasil. Elas vivem em mundo diferentes. E o adolescente que acha que não vale a pena trabalhar por 400 reais, nunca vai descobrir por conta propria que a maioria da população ganha isso pra sustentar a familia inteira. Ele so vai ler essa noticia no jornal e ignorar, pois essa realidade esta muito longe dele. No maximo ele vai se solidarizar com a empregada da familia, mas nunca vai se comparar à ela.

Faz parte da formação do carater de uma pessoa compreender a situação dos menos favorecidos e no Brasil essa tarefa fica muito mais dificil se existir um abismo entre as classes por causa dos salarios desiguais. O unico contato que os ricos tem com os pobres sao seus porteiros, suas empregadas/escravas do lar, sempre em uma relação de superioridade.


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Proibição da burca na França

O governo francês quer implantar uma nova lei contra o uso das burcas na França. O presidente Sarkozy ja deu seu parecer favoravel (e ja foi devidamente ameaçado pela al- Qaida) e uma nova discursão se levanta por aqui: é legitimo decidir a roupa que as pessoas usam na rua?

Eu começo dizendo que essa pergunta por si so ja é falsa. Não é uma questão de roupas, é uma questão de mostrar o rosto ou não. A pergunta verdadeira seria: o governo tem direito de decidir se o rosto das mulheres deve ser escondido?

Eh bom lembrar que essa não é uma discursao religiosa, pois o Islã não cobra o uso da burca, é mais uma manifestação cultural, principalmente afegã, que se espalhou no ocidente como uma representação da religião muçulmana. Alias, aqui na França a maioria das muçulmanas não usa nem véu. Devemos nos perguntar por que então uso da burca no pais vem aumentando (segundo dizem as autoridades, pois eu pessoalmente nunca vi, e olha que estudo em Saint-Denis, cidade considerada como tendo o maior foco deles). Talvez seja uma reação ao preconceito contra o Islã, as pessoas querem se reafirmar e desafiar esse preconceito e encontraram no extremo sua resposta.

Até pouco tempo atras eu era completamente contra essa lei, mas agora ja não sei mais. Por mais que eu seja contra a burca, achava que proibir seu uso era uma porta aberta perigosa demais. Pensava que não era certo, em nome da liberdade, tirar a liberdade de escolha de quem quer usar a burca. Mas andei pensando e pesquisando e acho que existe um mito de que porque vivemos numa democracia, somos obrigados a aceitar todo e qualquer tipo de manifestação cultural, mesmo aqueles que abertamente são contra os principios da democracia. Ora, se fosse assim, teriamos que aceitar a poligamia também, ou o casamento forçado, ou o mutilamento feminino. Querendo provar que somos tão tolerantes, que aceitamos outras culturas, fazemos um retrocesso, principalmente nos direitos da mulher conquistados com tanta luta.

Do ponto de vista de uma democracia, nada mais democratico do que poder conversar com uma pessoa olhando nos olhos dela. Se ela vê seu rosto, porque você não pode ver o dela? Esse deve ser o principio mais basico da civilidade. O rosto é o minimo de sociabilidade de um espaco comum que é a rua, então vai sim, contra as normas de uma republica. Ver e não ser vista é voyeurismo.

Aceitar o uso do véu integral é matar o status da mulher. Eh tirar dela toda a humanidade. Acho que estamos todos de acordo com isso. O problema é se deve haver uma lei ou não. Do ponto de vista de um governo, acho sim que deveria ser ilegal, pois essa situação é uma quebra da democracia e dos principios basicos dos direitos da mulher. No entanto, é facil fazer uma lei e achar que isso vai resolver as coisas. Para o Estado, pode até ser que sim, pois não estaremos mais vendo o problema, mas e se o problema estiver trancafiado em casa?

Talvez uma lei seja uma solução preguiçosa para um problema muito mais profundo que envolve direitos civis e preconceito religioso. Mas alguma coisa precisa ser feita. O que?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Transporte durante a noite

Paris é uma cidade grande com espirito de cidade pequena. Acho incrivel como nessa megalopole de 12 milhões de habitantes (2 milhões em Paris e 10 nos arredores) os metrôs param de funcionar durante a noite. Como é possivel isso? Eh tão chato sair e ter que escolher entre voltar à meia-noite ou às seis da manha! Até tem um ônibus noturno, mas ele demora horas pra passar e não cobre a cidade toda. O mais perto me deixa ha 2,5km de casa. Tem também o velib, pra quem não conhece é um sistema de aluguel bicicletas implantado pelo governo ha 2 anos que vem dando super certo. So que é altamente desaconselhavel pegar numa bicicleta depois de sair de um bar, não é verdade Luci? Ainda mais eu que não sou nenhum às no guidon, especialmente entre os carros.

Os taxis são um capitulo à parte. Simplemente não existem em numero suficiente! Enquanto no Rio de cada três carros que passam, dois são taxis, em Paris eles são raros. E caros. Para se conseguir uma licença tem que se desembolsar cerca de 200 mil euros! Por isso é um mercado super fechado. Alias, li que o dono da Ryanair (a empresa de avião), comprou uma licença de taxi pro carro dele, so pra poder rodar na pista exclusiva. Excêntrico, não? Mas voltando às baladas, à noite aparecem os taxis piratas, porque tem demanda. So que depois do estupro e assassinato de uma sueca ano passado por um desses motoristas o pessoal esta de alerta. De qualquer forma, o preço de uma corrida é muito caro pro meu bolso, então nem cogito a possibilidade.

O que às vezes acontece, é a gente se preparar pra voltar de metrô à meia-noite, acabar perdendo o ultimo trem e ter que ir andando pra casa. Ta, isso acontece mais com o cheri quando ele sai sozinho, porque eu faço de tudo pra não ter que andar 2h durante a madrugada num frio dos infernos, por mais contraditorio que essa frase soe. Ele sempre se perde na saidera, tadinho.

Tem também os amigos dos amigos que estão de carro, e que quando te ouvem dizer que vai embora por causa do metrô, dizem que de maneira nenhuma, esta cedo ainda e além do mais ele vai te dar uma carona, pois a sua casa é no caminho da dele. Dai você fica. E quando vai perguntar pro seu amigo cadê o amigo dele, ele te diz que ja foi embora, por que? E você fica com cara de tacho. Então ou você tem a sorte do lugar ficar aberto a noite toda, o que é raro, ou então escolhe entre esperar o primeiro metrô sentado na calçada ou andar pra casa. Geralmente se faz as contas de qual das duas opções se consegue chegar em casa primeiro.

Eu me desanimo a sair so de pensar no perrengue que é voltar pra casa depois. Ja estou sem muita - ou nenhuma - disposição pra balada (sera que estou ficando velha?), ainda mais com o sistema de transportes de Paris contra mim. Assim desisto facil.

Vamos tomar uma providencia, monsier Delanoë, e colocar os metrôs pra funcionar de madrugada! Assim não da, né?!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...