quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Super Mamika

Quero apresentar pra vocês uma nova heroina: a Super Mamika!


Sacha Goldberger, é fotografo e teve a genial ideia de pedir pra sua avo posar pra ele. Parece que os dois se divertem muito se fantasiando e tirando fotos e Mamika morre de orgulho do netão querido. Todas as entrevistas que vi da super-heroina são hilarias, ela tem um bom-humor fantastico combinado com "não-ligo-para-o-que-os-outros-pensam". O resultado dessa brincadeira:













Super Mamika esta em exposição até dia 30 de novembro na galeria Wanted Paris.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Oz's people - Mariko

A Mariko é japonesa foi uma das primeiras pessoas que conheci quando cheguei na Australia. Ela fazia o mesmo curso de inglês que eu e apesar de estar em outra turma bem longe da minha era impossivel passar despercebida. Simplesmente todo mundo daquela escola sabia quem era a Mariko. Ela era muito expansiva, muito colorida, muito exagerada. A gente gostava muito uma da outra, mas tinhamos um probleminha basico: não conseguiamos nos comunicar. Não falavamos inglês direito e se para mim ja era frustrante não conseguir dizer o que eu queria, nem imagino como era para ela, que era uma tagarela de marca maior e tinha todas as coisas do mundo pra dizer, entaladas na garganta.

Até minha mãe a conheceu e disse pra ela que quando fosse ao Brasil era pra ficar la em casa. A Mariko ficou super feliz, deu gritinhos, bateu palmas e disse que minha mãe era sooo nice! Minha mãe não entendia uma palavra do que ela falava, mas morria de rir com seu jeito extravagante. Ficamos um mês juntas na escola, depois ela foi embora e um pouco depois, eu também. Mas alguns meses depois recebi um email dizendo que ela estava indo justamente para a cidade onde eu estava, Gold Coast, ja com o cheri a tiracolo. Ficamos super felizes de nos reencontrarmos, agora as duas com um inglês razoavel. Pudemos conversar melhor e na primeira oportunidade ela perguntou pra mim e pro cheri: "So, do you love each other?". Errrr, Mariko! Que saudade da época que ela não falava inglês! Ela nos convidou pra comer um okonomiyaki na casa dela, uma pizza japonesa. No meio do caminho quase foi atropelada e o cheri disse "Cuidado Mariko, senão oh, pah: japanese pizza no meio da rua!". Ela morreu de rir durante 15 minutos e depois me falou "Your boyfriend is sooo funny!". Pronto, cheri foi aprovado pela primeira vez por uma das minhas amigas.

Depois disso ela voltou pro Japão. Mas trabalhava durante uns dois meses, juntava dinheiro (sim, no Japão é possivel juntar dinheiro em dois meses) e viajava pra um pais diferente. Cada vez eu recebia fotos da Mariko nos lugares mais inimaginaveis do mundo! Dai que ela resolveu ir pra Guatemala, onde ficou por dois anos com um projeto lindo de educar meninas e mulheres no campo. Virou professora, mas aprendeu muita coisa também, entre elas o espanhol. Depois dessa longa estadia na Guatemala, ela viajou pela América Latina e passou pelo Brasil no caminho. Pena que eu não estava la. So não ficou na casa da minha mãe porque era carnaval e mami ia viajar. Mariko ficou na casa de uma amiga minha, mas elas mal se viram, pois a japinha tinha alguns amigos no Rio e elas acabavam se desencontrando mesmo dormindo na mesma casa.

Atualmente ela esta no Canada, mas parece que esta achando tudo calmo demais por la e quer voltar pra América Latina. Tenho certeza que qualquer dia desses a gente se esbarra por ai novamente. E dessa vez ninguém nos segura: estamos munidas de inglês e portunhol! O papo vai ser longo.

domingo, 14 de novembro de 2010

O mundo magico de Oz

Meus cinco leitores regulares ja sabem que passei um ano na Australia (2004/2005), onde encontrei o cheri. Morei em varias cidades, tive diversos empregos (principalmente na agricultura), mas sobretudo conheci muitas pessoas. Naquela época eu não tinha blog, alias nem sabia que eles existiam - olha que tonta, então sempre senti que tinha muitas historias pra contar, sem ter a oportunidade. Mesmo meus amigos sabem muito pouco do que eu vivi durante esse ano, pois na minha volta pro Rio a adaptação foi tão dificil (ok, ela nem aconteceu) que eu meio que me fechei durante os meses que morei no Brasil antes de vir pra França.

Eu tinha a impressão que eram mundos tão distantes que ninguém ia entender as coisas que eu queria contar. Acho que eu tive uma trip blues, pois minha vida no Rio ja não fazia mais sentido pra mim. Foi um periodo bem dificil e inesperado, ja que antes de ir pra Australia eu estava muito feliz no Rio e até achei uma pena ir embora em um momento tão legal. Mas muita coisa tinha mudado em mim. A Australia realmente mudou a minha vida: lembro de ter dito a alguns amigos na época "eu estou exatamente onde eu gostaria de estar e eu sou exatamente a pessoa que eu gostaria de ser". Tem felicidade maior?

Então quando voltei pra casa não consegui simplesmente pegar minha vida de volta e continuar do ponto em que havia parado. Tudo estava diferente e eu fiquei perdida. Briguei com amigos, fiquei timida no trabalho, não tinha vontade de sair de casa. Ainda tinha que decidir se casava ou separava, assim de uma hora pra outra por causa do visto do cheri. Foi um ano muito estressante e decepcionante, e acho que foi por causa disso que minhas memorias da Australia passaram completamente despercebidas. Mas elas continuam aqui e agora eu sinto vontade de dividi-las.

Hesitei em traze-las pra ca, pois na teoria o blog é para contar minhas experiências na França e a Australia não tem nada a ver com a historia. Mas não conseguiria manter um segundo blog e nem gostaria de criar um so pra falar sobre isso ja que pretendo escrever pouco, e como o Porte Dorée é acima de tudo um blog pessoal, mais do que um blog sobre a vida na França, decidir fazer aqui mesmo.

Em breve começo uma nova série: pessoas que conheci na Australia. :)

ps - pra quem não sabe, Oz é o diminutivo de Australia e sim, o Magico de Oz é australiano!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dia do armisticio e indicação de BD

Hoje é feriado de Armisticio na França, dia que marca o fim da primeira guerra mundial ou a Grande Guerra, como ficou conhecida na época (coitados, mal sabiam que ainda tinha mais vindo pela frente). Estar na França me deu mais consciência sobre as duas guerras mundiais, porque na escola quando eu as estudava parecia uma coisa muito distante, quase irreal. Acho que eu colocava a mitologia grega no mesmo patamar da historia mundial - acontecimentos tão surreais que eu não me identificava. Primeiro que tudo acontecia numa terra distante, que eu nem sonhava em pisar um dia. E depois porque o passado pra mim entrava tudo na mesma categoria: ido. Não importava muito se era na idade média ou ha 20 anos antes de eu nascer, era tudo velho. Não é à toa que eu sempre fui péssima para decorar datas historicas, errava facilmente de século e não tinha muita noção da sequencia dos acontecimentos (aqui jogo parcialmente a culpa nas escolas: como elas conseguem fazer um assunto interessante como historia ficar chato?).

Vir para a França me aproximou da historia mundial no tempo e no espaço. Eh so dar uma voltinha em qualquer bairro de Paris para rapidamente achar um monumento em homenagem aos herois das duas guerras mudiais. Em muitos prédios têm placas com inscrições do tipo "Homenagem à fulano de tal, morto pelas tropas nazistas em frente à esse prédio no dia tal". Eu sempre leio todas, fico pasma, olho em volta e penso como cada rua aqui tem historias pra contar. Eh estupido, eu sei, mas so me dei conta de como a segunda guerra mundial é recente ao ouvir pessoas me contando como era a vida sob a ocupação alemã. Tipo, aquela pessoa ali na minha frente viveu o nazismo! Ela é uma testemunha viva de uma das maiores catastrofes humanas! Poxa, a 2GM acabou apenas 10 anos antes dos meus pais nascerem! E o que são 10 anos? Nada! (acho que a gente so se da conta que 10 anos são nada quando fica um pouco mais velha, por isso não conseguia entender as coisas antes).

Hoje, infelizmente não existe mais nenhum soldado sobrevivente da 1GM na França. Quando cheguei ha 3 anos haviam apenas dois, mas morreram nesse tempo. O ultimo pediu que não fizessem nenhuma cerimonia especial, que ja estavam planejando, por respeito aos seus companheiros que morreram nas trincheiras e não tiveram a oportunidade de ter sequer um enterro. Essa guerra matou 13 milhões de pessoas, entre civis e militares. Eh muita gente. Eh muito triste.



Aproveito esse dia para indicar uma BD (historia em quadrinho) sobre a primeira guerra mundial- C'était la guerre des tranchées, de Jacques Tardi. Gostei muito porque não tem um personagem so, são varias historias de varios soldados, todas tragicas (o que não é tragico numa guerra?) uma mais tocante que a outra. A sorte - ou o azar - levou cada soldado pra uma situação diferente e eles fizeram seu melhor para sair dela da melhor forma possivel. Mérito para como o autor conseguiu passar a mensagem de que a guerra é uma guerra entre os grandes, que ficam atras de seus mapas tomando café, enquanto os pequenos se fodem no front. Soldados inimigos que em um contexto diferente poderiam ser melhores amigos. Gente simples que mata com remorso, sem saber porque esta matando, mas sentindo que tem alguma coisa de muito errada naquilo tudo.

O autor é filho de um militar e claramente pacifista. Ele critica a imbecilidade das guerras: "Apenas na França ha 930 hectares de cemitérios militares, boa terra pra beterraba, mas somente cruzes brotam à superficie! Se todos os mortos franceses desfilassem em filas de quatro no 14 de julho (comemoração da Revolução Francesa), seriam necessarios 6 dias e 5 noites antes do ultimo nos mostrar sua face livida".

Que tenham sempre flores frescas nos monumetos aos soldados.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Top 10 - As piores reformas Sarkozistas


Como disse o ex-primeiro ministro Dominique de Villepin ha dois dias: "Sarkozy representa hoje um dos principais problemas da França". Para quem estava querendo saber o que o presidente francês anda fazendo com seu pais, aqui vai uma pequena amostra do seu poder de destruição.
 

10- Expulsão dos ciganos
A França tem uma população de ciganos estimada entre 300 e 400 mil pessoas. Boa parte delas são originarias de paises da Europa oriental, como a România e a Bulgaria. Elas vivem em trailers e geralmente não ficam muito tempo no mesmo lugar, apesar de ter muitos ciganos instalados e levando uma vida mais ou menos como a nossa. O governo Sarkozy decidiu que os ciganos não eram mais bem-vindos na França e decidiu manda-los de volta aos seus paises de origem. Neste ano ja foram expulsos mais de 8 mil ciganos. O governo faz questão de divulgar os numeros de seu sucesso e alardear como estão conseguindo mandar de volta "de maneira voluntaria" os ciganos, mas faz papel de bobo, porque metade deles ja esta de volta na França. Criticado pela ONU, por outros paises europeus e por associações de direitos humanos, o governo francês esta respondendo a diversos processos por discriminação.

9- Lei Hadopi
Uma tentativa muito equivocada de punir a pirataria na internet. Trata-se de rastrear os downloads ilegais dos usuarios através do seu provedor. Na verdade a medida é super ultrapassada, ja que as pessoas entram na internet dos restaurantes, dos parques (a prefeitura oferece gratuitamente), dos vizinhos. Ja falei sobre a lei Hadopi aqui. Ela finalmente entrou em vigor, mas de pernas bambas e coração fraco. Os primeiros emails estão sendo enviados e junto com eles, vieram as primeiras reclamações de quem jura de pés juntos que não fez nenhum download ilegal. Uma das maiores operadoras do pais, a Freebox, se recusou a mandar as notificações, pois achou uma brecha na lei que lhe da o direito de preservar a privacidade dos seus clientes. A polêmica esta longe do fim.

8- Trabalho no domingo
No Brasil estamos acostumados com todo o comércio aberto no domingo, mas na França, a pausa dominical é algo muito importante, é um direito fundamental do funcionario. Ha um ano, a administração Sarkozy criou uma nova lei de trabalho aos domingos, favorecendo as empresas em detrimento dos funcionarios. Dependendo de sua localização, as empresas podem abrir domingo sem pagar nada a mais aos seus empregados. Na teoria, o trabalho dominical é voluntario, mas na pratica quem não aceita é mandado embora, por outros motivos, claro. Conheci uma funcionaria de loja de roupas que disse que antes da lei ela ja trabalhava aos domingos sem ganhar nada e que a medida so serviu para regularizar a pratica ilegal da loja. Ela continuou sem beneficios.

7- Aumento do poder policial
Como ministro do interior, Sarkozy ja vinha dando uma amostra de sua grande simpatia pela repressão policial, mas como presidente ele teve o poder de pôr suas ideias em pratica. Ja falei da violência policial aqui e disse que até a Anistia Internacional ja condenou as forças de ordem francesas. Sarkozy disse inumeras vezes que ele da todo seu apoio às forças policiais, que a prioridade do seu governo é a segurança nacional e que isso implica repressão, mesmo que seja contra estudantes protestando. Em 2008, o uso do taser foi permitido pelos agentes municipais e, entre indas e vindas atualmente é permitido, apesar dos sérios riscos alertados pelas organizações de saude e de direitos humanos.

6- Reforma das universidades
A Lei Pécresse (nome da ministra da educação francesa) quer transformar o sistema universitario do pais. Para quem não sabe, as universidades francesas hoje são gratuitas, acessiveis a todos e de qualidade. Temos que pagar apenas a inscrição, que custa menos de 500 euros com plano de saude, mas os bolsistas (que ja ganham em torno de 400 euros por mês) ficam isentos dessa taxa. A nova lei quer dar total autonomia para as universidades em 2012. Se hoje elas são financiadas igualmente pelo governo, no futuro elas poderão conseguir "patrocinios" de empresas interessadas na mão-de-obra que vai sair de la. Mas o que vai acontecer com os cursos da area de humanas, que não são tão rentaveis como os tecnologicos e biologicos? A qualidade vai cair, pois tera bem menos investimento. As universidades também terão, alias ja estão tendo, liberdade para selecionar quem entra e cobrar quanto quiser pela matricula. A universidade Paris-Dauphine vai aumentar sua taxa de inscrição de 231 euros para algo entre 1.500 e 4.000 euros. Em bom português: o governo esta privatizando as universidades. Sarkozy ja cansou de babar o ovo de Harvard, sim, aquela que custa 45 mil dolares por ano. 

5- Bouclier fiscal
O "escudo fiscal" foi criado pelo governo Sarkozy para diminuir os impostos pagos pelos ricos. A medida limita o imposto em até 50% da renda do contribuinte e esta custando aos cofres publicos cerca de 700 milhões de euros neste anos de 2010, mais de um bilhão e meio de reais. O principal argumento de quem é a favor do bouclier é o de que se uma pessoa ganha 100 por mês, nada mais justo garantir que ela receba pelo menos 50. Mas se o resto da população recebe 0,3? Não me parece nada justo. Ao mesmo tempo, o governo decidiu excluir uma lei fiscal que beneficiava os casais no primeiro ano de casamento. Como o bouclier fiscal beneficia apenas quem tem uma renda bastante elevada, na pratica a medida tira dos pobres e da pros ricos. O escândalo foi tão grande que o governo ja esta estudando sua supressão. As eleições de 2012 têm um papel importante nessa decisão, pois como Sarkozy anda muito impopular, a queda dessa reforma pode trazer alguns votos. Mesmo os leitores do jornal de direita Le Figaro, são a favor do fim da medida, como mostra uma enquete na qual 78% votou a favor da supressão.

4- Aposentadoria aos 62 anos
Quem tem algum contato com os franceses sabe que aposentadoria é algo sagrado pra eles. Trabalham a vida toda pra se aposentar, então imaginem o escândalo que foi o anuncio do aumento de dois anos na vida util de um funcionario. Muitas greves ja aconteceram. A oposição denuncia varios pontos criticos da nova lei, por exemplo, em como ela vai prejudicar as mulheres que escolheram trabalhar meio periodo para se dedicarem mais aos filhos. Mas provavelmente a maior preocupação seja o plano a longo prazo da reforma, ja que ela tem validade até 2018, ou seja, daqui a oito anos eles pretendem extender ainda mais a idade para se aposentar, especula-se em 67 anos. Eh realmente uma situação dificil para uma população que esta envelhecendo, mas a oposição alega que quando começaram a trabalhar havia um contrato moral de aposentadoria aos 60 anos, então não podem simplesmente modifica-lo.

3- Reforma da saude
Muita gente aposta que a proxima grande bomba do governo Sarkozy sera a reforma da seguridade social. Atualmente as mudanças ja acontecem, de forma timida, mas firmes. Na França, quando a pessoa vai ao médico, normalemente ela paga a consulta que custa 22 euros e mais tarde é reembolsada pelo governo. Antigamente o reembolso era quase integral, mas vem diminuindo a cada ano. Ha três anos fui ao médico e paguei 7 euros. Esse ano paguei 17, pois não tenho médico de familia. Os remédios também são reembolsados, mas muitos deles estão saindo da lista de reembolso e os que ficam, a porcentagem devolvida é cada vez menor. E apesar do preço da consulta estar estabelecido em 22 euros, cada vez mais os médicos estão aumentando a tarifa, o que é contra lei, mas totalmente negligenciado no atual governo.

2- Reforma dos professores
Na França a grande maioria das crianças frequentam a escola publica, que é considerada de excelente qualidade. Mas desde 2007 o governo decidiu suprimir radicalmente as vagas de professores e a politica adotada foi a de subistituir apenas a metade dos funcionarios aposentados. por ano Então foram suprimidas 8.700 vagas em 2007, 11.200 em 2008, 13.500 em 2009 e 16.000 en 2010. E ja foram anunciados novos cortes para o ano que vem. Além disso, o governo esta contratando cada vez menos professores especializados, como professores de inglês nativos, por exemplo. Agora é a professora de matematica ou historia que da aulas de linguas, muitas vezes sem sequer falar inglês. Como o numero de efetivos diminuiu muito, o tempo de treinamento diminuiu também e agora os professores saem do concurso direto para a sala de aula. Outro problema é que, adivinhem, faltam professores. Quando um fica doente, não tem substitutos. O governo Sarkozy ja sugeriu que para resolver esse problema, a solução seria colocar os estudantes de segundo grau para segurar as pontas.

1- Controle da imprensa
Não é exatamente uma lei ou reforma, mas talvez seja até mais importante que elas. Desde o inicio do mandato sarkozista ja aconteceram varios escândalos sobre a relação entre a midia e o presidente. Alguns leves, como o photoshop da barriga do presidente na praia para não fazer feio, outras mais sérias, como a demissão do apresentador do telejornal da TF1, porque falou mal do Petit Nicolas. O jornalista estava ha 21 anos no cargo e deveria deixa-lo apenas em 2012. Sarkozy ja demonstrou seu descontentamento contra o Canal Plus e recentemente o Petit Journal denunciou a constante vigilância que sofreu sua equipe em Deauville, cidade onde os chefes de Estado francês, russo e alemã estavam reunidos. A ong Reporteres Sem Fronteiras divulgou mês passado o ranking de liberdade de imprensa no mundo e a França aparece em 44° posição. Em 2002 ela estava em 11°. Segundo a lista, atualmente a França tem menos liberdade de imprensa quea Namibia, a Costa Rica e a Africa do Sul.

domingo, 7 de novembro de 2010

Paris x NY em simbolos

Um amigo indicou um site muito bacana comparando simbolos de Paris e NY. So não gostei de uma coisa: das legendas. Acho muito mais interessante colocar so as figuras e deixar a pessoa adivinhar sozinha do que se trata. Então aqui eu reproduzo algumas figuras sem legenda para vocês brincarem. Depois passem no site para ver as originais e outras que não estão aqui. Bom domingo!









 






quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Patriota ou nacionalista?

Quando postei o texto de ontem, confesso que fiquei com medo dos comentarios que viriam. Porque não é obvio defender os separatistas nesse momento em que racistas estão usando das mesmas armas para sustentar preconceitos. Mesmo em tempos normais defender separatistas não é muito bem visto. A Lola, por exemlo, sempre faz referências negativas a eles. Mas vocês foram otimas! Ninguém me cruxificou!

Eu pensei na razão pela qual uma fragmentação do Brasil não me incomoda e cheguei a uma conclusão simples: eu não amo o Brasil. Digo, a nação. Não sou uma patriota. Pode parecer contrasenso depois de toda a campanha pela Dilma que fiz, mas eu explico. Amo as pessoas e acho que a Dilma é a mulher certa pra cuidar delas. Eh dificil explicar a diferença entre as duas coisas, porque dizer que a Dilma é boa para o Brasil é quase a mesma coisa que dizer que a Dilma é boa para a população, ja que uma esta interligada à outra. Mas por exemplo, eu não dou a minima para a soberania brasileira. Se o Brasil decide entrar em guerra contra seus vizinhos para expandir seus territorios eu ia achar que era piada, tamanho o absurdo. Eu nunca aceitaria fazer parte de uma guerra, caso o RS pegasse em armas para fazer sua independência. Po, se o povo acha que viveria melhor assim, dou meu apoio.

Não sou patriota, acho que o patriotismo so atrapalha o desenvolvimento humano. Fico torcendo para que um dia todas as fronteiras acabem e vivamos num mundo sem muros, mas acho que ainda falta muito pra isso acontecer. A unica diferença entre o patriota e o nacionalista é que o primeiro é de esquerda e o segundo, de direita. Mas o pensamento é praticamente o mesmo. Lembro que na minha fase patriota, quando achava um absurdo as pessoas so comprarem bandeiras brasileiras na época da copa e não saber cantar o hino nacional de tras pra frente, comecei a ver nas ruas cartazes que diziam "Halloween é o cacete, viva a cultura nacional" e coisas desse tipo. Achei o maximo, finalmente alguém estava tomando iniciativa contra essa invasão estadunidense no nosso pais. Entrei no site e tive uma tremenda surpresa ao descobrir que era uma organização de extrema direita, com viés militar, inclusive. Fiquei besta e percebi como os extremos se encontram, como num circulo. O comunismo tem mais em comum com a extrema-direita do que gostaria de admitir. E foi assim que essa ideia de patriotismo foi saindo da minha cabeça.

Hoje eu acho engraçado como os brasileiros no exterior exibem suas bandeiras tupiniquins com o maior orgulho. Hoje eu também acho que os hinos nacionais deveriam ser extintos ou pelo menos atualizados -estão super ultrapassados falando de guerras, sangue e inimigos com palavras que ninguém entende. Quando acontece um acidente de avião, minha primeira preocupação não é saber quantos brasileiros estavam viajando, porque sinceramente, isso não é importante. A vida de um brasileiro pra mim não vale mais do que a vida de um senegalês ou de um americano. Estava lendo um quadrinho sobre a 1°GM (outro dia falo sobre ele) e tinha uma parte onde os alemães chegaram por uma estrada com mulheres e crianças belgas como escudo e os franceses receberam ordem de atirar mesmo assim, porque as mulheres e crianças não eram "dos nossos".

Eu não ligo para nacionalidades, naturalidades e essas coisas que não escolhemos ao nascer. Porém ligo para outras caracteristicas que a gente vai adquirindo ao longo da vida, que é o respeito pelo proximo, a educação, a gentileza, o interesse em fazer do nosso mundo um lugar melhor para se viver. Isso é importante. Todo mundo sabe que idiotas e gênios existem em todo lugar, mas todo mundo também insiste em generalizar, eu inclusive. Eh um exercicio diario que precisa de bastante esforço, mas que no fim das contas, vale a pena.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Separatistas e separatistas

Ainda estou de ressaca pela vitoria da Dilma. Muito, muito feliz! E aliviada de poder passar a outra coisa. Achava que as baixarias acabariam, mas estava enganada. Os tucanos não sabem perder e estão fazendo feio, muito feio. Me assusto com certas coisas que vejo escrito na internet, e o pior, nem de anônimos são! As pessoas estão tendo coragem de mostrar o quanto são preconceituosas! Ja faz tempo que estou devendo um post sobre minha segunda dissertação de mestrado, assim como fiz com a primeira, e parece que agora é o momento ideal para tocar nesse assunto. Pra quem não sabe, minha pesquisa foi sobre os movimentos separatistas no sul do Brasil, um tema que sempre me interessou muito, apesar de ser carioca.

Sempre me perguntei por quê o Brasil ficou inteiro, enquanto a colônia espanhola se dividiu em varios paises. Duas explicações me convenceram mais. A primeira é que o Brasil era a unica ex-colônia na América do Sul a ter adotado a monarquia como sistema de governo, o que agradava muito aos ingleses. Esses, que desejavam o fim da escravidão, relevavam um pouco o regime escravista no Brasil, justamente por causa da monarquia. Se o Brasil se fragmentasse, seria cada um por si contra a Inglaterra, e essa ideia não era nem um pouco atraente. A outra explicação é o mero acaso. Acho que o desenrolar de algumas batalhas acabaram decidindo todo o futuro da nação. Houve muitas lutas secessionistas ao longo da historia e esses movimentos foram todos derrotados. Mas qual o peso do acaso nisso tudo? Quem sabe com um pouco de sorte os separatistas não teriam ganho algumas guerras e hoje o mapa da AL seria muito diferente.

Devo surpreender alguns leitores, mas a verdade é que eu nunca pensei na separação do Sul hoje como uma coisa totalmente negativa. Achava a ideia um pouco ingênua, mas não necessariamente ruim. Na Europa tem diversas regiões que brigam por sua independência, como o pais basco, espremido entre a França e a Espanha, que tem sua propria lingua e cultura, mas foi dividido pela estratégia das linhas geograficas. A Africa então, nem se fala! Olhem no mapa, ela é toda quadrada, dividida como colônia europeia sem levar em consideração os povos que ali habitam. Nem preciso ir tão longe, ja que a França era composta de diversos povos diferentes, cada um com seus costumes, que foram obrigados a deixar tudo isso de lado para se tornarem franceses. As linguas locais passaram a ser consideradas dialetos inferiores e usadas por pessoas pouco educadas até que, pouco a pouco, foram desaparecendo (os bisavos do cheri não falavam francês, apenas occitan). Imagina quantos paises diferentes teriamos hoje se fossem levadas em consideração as culturas e não a estratégia militar. Então eu vejo a autodeterminação dos povos como algo positivo.

Mas sera que podemos considerar a separação do Sul como um caso de "autodeterminação dos povos", como pregam as organizações? Sera que colonizadores têm o direito de se dizer um povo à parte, de uma terra que pertence a eles ha tão pouco tempo? Demora quanto tempo para um povo ser considerado um povo? Sera que existe realmente um sentimento de identificação que une os sulistas ou os gauchos? Isso eu não posso responder, porque não sou sulista e nunca morei no sul. Mas quem sou eu pra dizer que uma pessoa deve se sentir mais brasileira do que sulista?

Vocês podem dizer que a discussão sobre o separatismo não é tão profunda e romântica quanto eu estou tentando apresentar, é apenas uma solução racista de reaças que so pensam no proprio umbigo. E eu digo que existe dois tipos de separatistas, aqueles que realmente acreditam que fazem parte de um pais dentro do pais e aqueles que se aproveitam dessa ideia para espalhar seus preconceitos por ai. Eu conversei com muitos separatistas e pude ver a paixão com que alguns falavam do seu estado (principalmente os gauchos) e de sua região. Muitos deles são inclusive de esquerda e votaram na Dilma. Sinto que eles são um pouco frustrados por não terem tido o mesmo destino do Uruguai no passado, pais com o qual se identificam culturalmente. Eh importante lembrar que o sul tem duas vezes mais fronteiras internacionais do que fronteiras com outros estados brasileiros.

Por outro lado, é muito conveniente desejar a separação de uma região do pais que é economicamente mais desenvolvida que as outras. E a verdade é que não temos como ter certeza de que esses separatistas também são xenofobos, mas se escondem atras do discurso de "cultura" e "costumes" para não admitir (quem sabe até para eles mesmos) um certo preconceito contra os nordestinos.

Mas o segundo grupo de separatistas é muito pior, é aquele que vem se destacando na internet nesses ultimos dias. São racistas e preconceituosos que na verdade não querem a separação do Sul, mas a expulsão do Norte/Nordeste. Eles acham que sustentam as duas regiões mais pobres, o que não é verdade. O dinheiro que entra e sai do Sul é bastante equilibrado. Mas esse pessoal não quer saber de nada, so quer espalhar seus preconceitos. Incrivel como as pessoas não têm vergonha de assumir seu lado nazista, dizendo com todas as letras que se acham superiores aos nordestinos. Nunca vi tanto odio contra os nordestinos e acho que a situação é muito grave. Quem defende a separação do Brasil nesse contexto de hoje, pos-eleição, pelos motivos mais equivocados desse mundo, esta assinando um certificado de estupidez e ignorância.

Que fique claro que eu não sou a favor da separação, nem acho que ela possa acontecer, mas procuro entender os bons argumentos de quem pensa diferente. Acho que a beleza do Brasil é justamente a diversidade e dizer que o Sul é a unica região que diverge do resto do Brasil é besteira. Nem vou entrar no mérito de "eleitores do Serra mostram a cara depois das eleições", pois acho que tem muita gente que pode fazer isso melhor do que eu. So quero mostrar um outro lado dos movimentos separatistas que as pessoas não vêem, pois o lado negativo sempre toma mais espaço. Existe gente bacana por tras das organizações sérias, que com certeza estão muito putos com o rumo que essa xenofobia esta tomando. So espero que eles não se aproveitem dessa onda racista para aliar simpatizantes, porque com certeza esse tipo de militante so vai trazer maleficios pras organizações.
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