terça-feira, 17 de agosto de 2010

Igreja ou museu?

Estou pra fazer esse post ha um tempão, mas agora tenho um bom motivo: se eu não fizer logo, a Luci, que esta em Berlin, vai me roubar o assunto! :)

Na minha viagem para Munique, Praga e Berlin com minha mãe, o que mais vi foram igrejas. Eu ja disse que estava com minha mãe, né? Na verdade eu so entrava mesmo pra descansar - essa era a unica oportunidade que ela me dava, mesmo que involuntariamente, de esticar as pernas. Eu ficava la sentadinha olhando pro teto e pras outras centenas de turistas pensando como a função da igreja estava ultrapassada. Tudo era tão velho, tão arcaico, tão fora da nossa realidade que as pessoas não podiam se conter e tiravam fotos de tudo. A igreja como função religiosa esta perdendo espaço para a igreja função museu. Todos os outros serviços da sociedade foram se modernizando, menos a igreja, que se manteve exatamente do jeitinho que era, tornando-se uma espécie de portal do tempo.

Em Praga, calhou de ter uma missa numa das igrejas que entramos. Cumprindo o ritual, fui logo me sentando enquanto minha mãe rumava para a lojinha de souvenir (a igreja pode ser velha mas não é nada boba). Fiquei assistindo aquela missa estranha, com turistas fotografando a igreja, a missa e os fieis como se fosse um ritual exotico. Os flashes na cara do padre me constrangiam, mas ele parecia estar acostumado. Pensei em ligar o laptop, "sera que aqui ja tem wireless?", achei melhor não. Então chegou o momento da missa onde as pessoas têm que cumprimentar umas às outras e eu me senti aliviada ao ver que estava afastada dos outros e não precisaria participar da brincadeira. Mas vi que o padre não acabava nunca seus cumprimentos e ja tinha passado da metade da igreja. E veio vindo. Dai notei que ele perguntava em inglês pra todo mundo que estava sentado "Where are you from?". Quando ele chegou perto de mim pensei que tinha sido uma boa ideia não ter ligado o computador.

- Where are you from?
- Brazil.
- Brazil! Very good, very good!

Isso é que é padre globalizado. Os flashes até aumentaram.

Estava nessa dinâmica de igreja-museu, quando em Berlim me deparei com a unica igreja que realmente me impressionou. Na verdade duas, uma do lado da outra. A primeira era uma igreja destruida pelos bombardeios da guerra, que eles não restauraram e deixaram ela la, em ruinas, para lembrar os estragos que uma guerra pode fazer. Em vez disso, construiram ao lado uma nova igreja, bem moderna, pra contrastar com a antiguidade da primeira e lembrar que bom, as coisas evoluem. A-do-rei a igreja! Ela é linda, clean e cool, como uma igreja que acompanha seu tempo deveria ser. Acho que assistir uma missa ali faria muito mais sentido do que naqueles museus com pinturas datadas e imagens assustadoras. Veja bem, não estou contestando a arte, mas na nossa realidade atual não nos identificamos mais com aqueles personagens para fazer parte do nosso dia-a-dia! Parece que a nova igreja de Berlin respeita mais a inteligência de seus fieis, dizendo, ei, você esta vendo, a gente evolui junto contigo! Você não precisa mais rezar em bancos duros e desconfortaveis! Aquela decoração ultrapassada a gente deixa pros museus! Aqui é apenas um local de fé, esperança e compreensão! Querer prender os fieis no século retrasado não da, né?

O problema é que a modernização mais necessaria da Igreja Catolica eles não podem fazer: atualizar a biblia para nossa realidade. Goodbye, fieis!






8 comentários:

Rita disse...

Oi, Amanda!

Menina, não sou religiosa, mas adoro uma igreja. Explico: adoro os monumentos, as construções absurdas, a arquitetura geralmente magnífica e quanto mais velho, mais eu gosto. Sempre que tenho a chance de visitar um desses templos, vou com gosto. Adoro as catedrais, abadias, capelas, o que for. São, via de regra, lindíssimas. Deixo o simbolismo religioso de lado e viajo nas histórias por trás das cosntruções. Por isso gostei tanto de ler Os Pilares da Terra, do Follet, já leu? Ih... barulho estranho no computador, vou desligar. Volto depois.Bj!

Rita

Caso me esqueçam disse...

poxa, amanda, eu tinha preparado um post com esse mesmo tema e titulo!

brincadeirinha! hihi

eu nao cheguei a entrar nessa igreja do jesus em neon, porque o que vai me interessar mesmo eh sempre o antigo. no dia em que as igrejas passarem a ser todas modernas, vao me perder como turista, afinal, eu nao vejo muita serventia em igreja :) (e a igreja nao deve ver muita serventia em mim) :D

Aline Mariane disse...

tem várias igrejas católicas modernosas na arquitetura no Brasil!! A da frente do apê que eu morava, na Vila Madalena em SP, por exemplo (horrorosa, mas design).
A da Pampulha, em BH, e a catedral de Brasília valem a visita como monumento arquitetônico.
Já modernidade no conteúdo (ou quase isso)... sempre que vou à missa aqui na França, penso no quanto a renovação carismática (as igrejas pentecostais evangélicas, na verdade) são importantes no Brasil. Aqui as musiquinhas são tristes, as pessoas são sérias e a missa é incrivelmente chata. Enquanto no Brasil, pelo menos, é animadinha!

Camila disse...

Aqui na Alemanha as igrejas clean sao protestantes. Ainda que no passado o prédio tenha pertencido à Igreja católica, o interior simples é característico da simplicidade luterana.

Rita disse...

Oi, Amanda, desculpa o comentário largado no meio, meu computador parecia que ia explodir ontem à noite. Bom, só para completar o raciocínio, coleciono visitas a igrejas quando viajo. Nossa, sou encantada com tantas delas... quando morei em Londres, mil anos atrás, cheguei a ir a Canterbury só para conhecer a de lá - e valeu muito a pena. Os padres, monges, frades, sei lá, devem me achar a maior católica do pedaço, hohoho, mal sabem eles que a única coisa que me faz pôr o pé nos templos deles é a beleza artística - em minha opinião, até hoje imbatível. Sonho com uma viagem a Barcelona só para ver de perto a Igreja da Sagrada Família. Sem rezas, só queixos caídos. :-)

Beijocas!!
Rita

Carol Nogueira disse...

A Dom Bosco! :) Você vai amar a Dom Bosco, na minha cidade. :o)

Cris disse...

Oi Amanda,

A igreja alemã q vc cita, não sei se vc sabe, é assim não por renovação instituição Igreja, mas por questões históricas.

Resumindo: "A igreja Kaiser-Wilhelm-Gedachtniskirche, ao contrário das demais zonas bombardeadas, não foi reconstruída. Manteve-se apenas uma parte dela, uma nova torre e uma nova nave foram construídas. Hoje, ela é um símbolo da destruição da II Guerra Mundial.

Pare que a finalidade (ou a justificativa) era preservar a memória da destruição (e reconstrução) com relação a II Guerra Mundial."

Eu falei de Berlim lá no meu blog, dá uma olhada:

http://notaslusitanas.blogspot.com/2009/03/berlim-em-fotos.html

Cris disse...

Vc sabia q, de acordo com a época, arquitetura das igrejas mudava (alias, em algumas épocas a arquitetura mudava por conta da Igreja) de acordo com a visão/interpetração que tinham do divino e da sua adoração?

É um estudo de arte bem interessante e, sendo mais clara, vc tem razão! essas igrejas já não combinam com nossa época (nem com nossa idéia de Deus).

Mas, eu vi em muitos lugares, proibições severas qt a fotografaer igrejas durante os cultos.

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