domingo, 8 de novembro de 2009

Piada sem graça


"O arquipelago da Palestina Oriental", segundo o atlas do Le Monde Diplomatique (clique para aumentar)

A excelente publicaçao francesa Le Monde Diplomatique cometeu uma gafe das grandes. Nao sei se foi um golpe de marketing (o que nao é muito o estilo do jornal) ou uma tentativa legitima e ingênua de fazer humor com coisas que nao devem ser engraçadas, mas o fato é que esse mapa ai de cima saiu nao so no atlas do LMD, mas em pôster. O mapa representa o territorio palestino como ilhas e Israel desaparece, dando lugar ao mar. Seria até interessante para mostrar como o territorio palestino é injustamente recortado por causa da ocupaçao israelense, mas o primeiro erro essencial esta justamente ai: se o territorio fosse realmente um arquipelago, a circulaçao seria possivel atraves de barcos, o que nao é acontece na realidade, pois o transito é controlado por Israel e o direito de ir e vir nao é um direito dos palestinos.

Mas tudo bem, se fosse so esse o problema seria compreensivel. So que o mapa vai mais longe na sua piada e a legenda mostra o itinerario dos barcos, as praias, os portos, as estaçoes balnearias, as areas de camping (?), assim, como se fosse um lugar que as pessoas vao para passar as férias. As cores usadas sao frias, bem diferentes das cores quentes normalmente usadas em mapas para mostrar zonas de conflitos. Tem ainda algumas areas designadas como colonias israelenses, destacadas com um azul bem claro, quase divino, em vez de um vermelho para mostrar a gravidade do problema. Tem até uma "Ilha do Mel" ali no meio. Que maravilha de lugar, heim? Nem sombra de Jerusalém.

Muita gente adorou a "sacada", mas outras ficaram realmente decepcionadas. Se eu fosse um palestino ficaria revoltadissima por retratarem o cenario de um conflito onde meus compatriotas morrem todos os dias, como uma colônia de férias. O humor é muito eficaz para desdramatizar uma situaçao em crise, até mesmo para ridiculariza-la. Fiquei espantada que o LMD, que é uma publicaçao séria e comprometida tenha pisado na bola tao feio assim.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A nossa velha França


Lembro quando minha mãe estava planejando sua primeira viagem à França em 2003 e perguntou se eu queria ir com ela. Eu respondi que não, eu que não queria ir pra aquele pais velho! Preferi ir pra Australia, nação novinha em folha, bem moderna. Hoje sei que a minha impressão estava completamente errada, mas acho que ainda tem muita gente que pensa que o velho continente parou no tempo e é um museu gigantesco.

Essa impressão não é à toa. Todas as nossas referências da França estão ultrapassadas. Quando o cheri estava morando no Brasil, alguém pediu pra ele, com um olhar romântico no rosto, colocar uma musica francesa pra tocar. Tinha que ver o tamanho do desgosto da pessoa ao ouvir uma musica popular e, pasmem, com guitarra! "Isso não é musica francesa". Porque o que a gente espera de uma musica francesa é ela ter mais de 50 anos e ter gemidos. Se perguntarmos pra um brasileiro quem é a francesa mais bonita, aposto que ele vai responder Brigitte Bardot. Alguém avisa pra ele, que esta é a Brigitte Bardot. Aqui na França, ela é considerada uma pessoa super desagradavel, que ja deu declarações racistas e hoje milita pelo direito dos animais. Mas nos, brasileiros, so lembramos dos seus dias de gloria na praia de Buzios.

Mesma coisa com as outras personalidades. Filosofos, escritores, artistas, poetas, todos que conhecemos são antigos. E alguns deles, que foram revolucionarios na sua época, hoje ja estão ultrapassados. O cheri é geografo e estava pesquisando o curso de doutorado da USP e quando ele viu o programa ficou na duvida se queria estudar la, porque todos os geografos de referência, muitos franceses, estão em desuso ha anos na França e suas ideias ja foram recicladas.

Quando os turistas chegam em Paris e que dão de cara com tantos imigrantes, tantos arabes, tanta gente diferente da França ariana que eles tinham imaginado, ficam surpresos. Mas poxa, não é porque estamos mais ocupados hoje em dia acompanhando a tendência americana, que a França deixou de evoluir. As coisas mudam, mesmo se a gente não esta olhando. Se os prédios parecem velhos por fora, por dentro é a mais pura tecnologia. E essa França tradicional que a gente conhece bem, aqui não passa de uma boa lembrança do passado, que não volta mais.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dores de cabeça



Semana passada cheri e eu tinhamos pela frente inéditos 4 dias de folga. Fui logo procurar passagens de ultima hora e achei varias baratas. Ueba, finalmente vamos fazer um passeiozinho! Mas que nada, cheri achou que ficar doente era mais legal e eu, esperta, copiei. Ficamos os dois gripados em casa imaginando como teria sido nossa incrivel viagem à Veneza, ou Barcelona, ou qualquer outro lugar do mundo que não fosse Paris.

A gripe me pegou de verdade e eu nem pude ir na faculdade. Fiquei em casa de sexta-feira até hoje, quarta, e morri de tédio. Via televisão o dia todo e não tinha forças para fazer o trabalho da faculdade que deveria estar pronto ha uma semana. Esperava o cheri voltar pra casa pra poder explicar pra ele detalhadamente a evolução da minha gripe. Ele nunca parecia muito interessado. Po, era so isso que tinha acontecido comigo o dia todo! Agora sei como os velhinhos se sentem. Eu até prestei atenção quando a minha vizinha recebeu um amigo enquanto o marido estava fora. Hummm.


Quando minha gripe estava indo embora, percebi que algo de pior estava pra acontecer: meu dente siso estava se manifestando de novo e parece que agora ele decidiu sair de vez! Pra começo de conversa, onde ja se viu uma pessoa com quase 27 anos ter siso nascendo? Eu nunca vi. Sera que ele esperou eu ter coragem de arranca-lo pra poder aparecer? Isso me traz à uma nova maratona: como arrancar um dente na França. Deve ter uns 150 formularios me esperando. Primeiro tenho que ver se meu seguro-saude basico de estudante cobre, caso contrario vou ter que ver qual a melhor solução para não gastar muito... Se alguém tiver alguma sugestão, me fale!

sábado, 24 de outubro de 2009

Passagem de ida para Cabul

O governo francês realizou na ultima quarta-feira uma operação conjunta com a Inglaterra para expulsar refugiados afegãos. A França enviou de volta três refugiados e a Inglaterra, 24, em um avião fretado especialmente para esse fim. A medida revoltou boa parte da opinião publica francesa, que considera que a medida desobedece a constituição dos direitos humanos, que proibe a deportação de refugiados que correm riscos em seu pais de origem, especialmente em um pais em guerra. O governo francês alega que eles não foram enviados para suas regiões de origem e que na capital Cabul, por exemplo, estariam seguros. A oposição rebate dizendo que "estar seguro" no Afeganistão é não estar no lugar errado, na hora errada, devido ao grande numero de explosões e ataques suicidas, principalmente na capital.

O governo francês parece se contradizer. Basta acessar o site do ministério de Relações Exteriores e ler o que dizem sobre o Afeganistão: "A situação da segurança é ruim. Os atentados suicidas são cada vez mais frequentes, assim como os atentados com explosivos telecomandados. A criminalidade, ligada principalmente com a produção de opio e com o narcotrafico, aumenta. Sequestros de ocidentais e afegãos para troca de prisioneiros Talibans se multiplicam. Os assassinatos de pessoas sequestradas e as vitimas de atentados não param de aumentar". O discurso se modifica de acordo com os interesses: quando se justifica a presença militar francesa no Afeganistão, o pais esta mergulhado no caos e a violência é constante; quando se explica porquê mandaram de volta refugiados de um pais em guerra, é conveniente dizer que o lugar não esta tão mal assim.

A opinião publica francesa é contra a expulsão. Segundo uma pesquisa publicada no jornal Le Parisien, 44% se dizem contra a medida, 36% se dizem favoraveis e 20% não tem opinião.

Se na França o renvio dos refugiados gera polêmica, na Inglaterra é coisa corriqueira. So no ano passado 3840 afegãos foram expulsos do pais, sem muita balburdia. Neste ultimo caso, os unicos jornais que falaram sobre o assunto, o fizeram por motivos menos humanitarios que os franceses: associações de contribuintes chamaram atenção para o custo da operação: 220 mil euros. A midia mais conservadora ainda deu um puxão de orelha na França por expulsar "apenas" três afegãos. Além disso, os refugiados da França contaram com um maior apoio do que aqueles vindos da Inglaterra. Os três sob responsabilidade francesa receberam 2 mil euros na sua chegada ao Afeganistão para ajudar a recomeçar a vida e contam com o apoio do consulado francês em Cabul. Enquanto não tem lugar para ficar, eles dormem em um hotel. Ja os refugiados vindos da Inglaterra têm que se contentar com 200 euros e um goodbye no aeroporto.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Duas obras na minha rua


Ano passado houve um referendum no meu bairro pra saber se a populaçao concordava ou nao com a construçao de um tramway, tipo um bonde que circularia quase Paris inteira. Houve uma grande mobilizaçao na vizinhança, todo mundo se informando e indo nas reunioes explicativas. No inicio eu adorei a ideia do trem, mas depois de ouvir os argumentos contra, confesso que fiquei na duvida. Mas como eu nao posso votar mesmo, minha opiniao nao valia muita coisa e ninguém se preocupou com o que eu pensava. O pessoal do contra dizia que esse era um meio de transporte antigo e fora de proposito, que existia ha 50 anos, dai tiraram todo o trilho e agora querem por tudo de novo. Falaram que por falta de espaço, o transito iria piorar muito. Mas apesar de todo o esforço desse pessoal, o povo votou a favor do tramway. Imediatamente surgiram painéis explicativos nas ruas informando a populaçao as etapas das obras, os prazos de entrega e os valores investidos. Panfletos de informaçao começaram a surgir nas caixas de correio, cada um mais criativo que o outro. As obras de reforço da estrutura dos pavimentos (eu li os panfletos) começaram rapidamente. Eu ia dormir uma noite, e quando acordava tinha um canteiro de obra na minha janela, todo cercado e devidamente sinalizado. Até a pintura do chao eles mudavam, pra avisar os motoristas sobre a obra. Uma semana depois eles terminavam o trabalho, tiravam toda a cerca, os banheiros quimicos, apagavam o chao e saiam numa rapidez que parecia que nem tinham passado por la. Cada dia tinha obra num ponto da rua. Muda sinal de trânsito do lugar, apaga faixa de pedreste, pinta outra, cerca, bota banheiro quimico, fura o chao, tapa o chao, limpam tudo e começam num lugar diferente. Mas tudo numa agilidade impressionante. E sempre informando o que estavam fazendo, por quê e quanto custava. Dava até pra entrar no site da obra e ganhar um ipod. O trem começa a funcionar so em 2012, mas a gente tem a impressao de que tudo esta indo bem, estamos vendo a rapidez dos trabalhos e ainda temos a impressao de fazer parte disso tudo.


Saibam vocês que na minha rua la no Rio também houve uma obra. As comparaçoes sao inevitaveis, logico. Foi assim: comecei a perceber que tinham uns caras quebrando toda nossa rua. Quebravam de um lado, largavam, quebravam do outro, mudavam de ideia. Cercado ou sinalizacao?? A gente que tinha que se cuidar pra nao cair num buraco, por conta propria. As vezes um morador enfiava um pedaço de madeira pra avisar sobre o perigo. O por quê da obra? Boa pergunta. Fui me informar com a maior autoridade da rua: meu porteiro. Ele disse que era alguma coisa relacionada com o gas, mas nao estava certo. Os buracos aumentavam, a poeira era insuportavel, o transito ficou impossivel. Quase um ano depois a obra ainda estava instalada na rua, sem a menor pressa de sair. Fui pra Australia, onde fiquei um ano e quando voltei, surpresa, ela tinha acabado! Mas perai, ela deixou alguns frutos. Meus olhos incredulos estavam vendo pontos de onibus do outro lado da rua? Do lado que é CONTRA-MAO? E as vagas de estacionamento estavam todas viradas ao contrario! Ao que tudo indica, Cesar Maia, prefeito do Rio naquela época, tinha decidido colocar mao dupla na rua uruguai, mas depois mudou de ideia, assim, do nada. Mas a gente so pode trabalhar com hipoteses, ja que nao teve nenhum painel informativo ou folheto na caixa de correio, ou ipod no site, muito menos referendum pra saber a opiniao da populacao. Mostrar o custo da obra? Piada, ne? Banheiro pros trabalhadores? Nao, eles podem muito bem mijar no muro da sua casa.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Moi, mon papa, il est président

"Na França, o que conta para ter sucesso não é ser bem-nascido, mas estudar e trabalhar duro". Essa declaração do presidente francês Nicolas Sarkozy sobre a reforma da educação não caiu em boa hora, apesar de ter sido proposital. A grande polêmica do momento no pais é a indicação de seu filho, Jean Sarkozy, para a presidência do EPAD, estabelecimento publico que administra a area de negocios mais importante da Europa, o quartier de La Défense.

De acordo com uma pesquisa de opinião publicada do jornal Le Parisien, cerca de dois terços dos franceses são contra a eleição de Jean Sarkozy. Mesmo os apoiadores do presidente não gostaram da idéia: somente 32% dos eleitores da direita afirmaram que a posse do jovem seria uma boa coisa. Os politicos do partido de Sarkozy (o pai) estão passando por maus momentos tentando defender a candidatura de Sarkozy (o filho) e deixam transparecer seu mal-estar e sua falta de motivação para cumprir a tarefa. O argumento mais eficaz, e mesmo assim facilmente debativel, foi feito pelo porta-voz do governo e ministro da Educação, Luc Chatel, que perguntou durante uma entrevista "O que vocês querem? Proibir a eleição de um candidato por causa de sua origem social e do seu nome? Isso é coerente com a Republica?". Essa defesa funcionaria bem se o candidato em questão tivesse os requisitos necessarios para assumir um cargo alta importância. Mas Jean Sarkozy não tem.

Um popular programa satirico francês resumiu bem a situação exibindo o percurso profissional do jovem: "Em 1986 nasceu Jean Sarkozy". Ponto. Com 23 anos, o herdeiro esta no segundo ano da facudade de direito, depois de ter repetido de ano. A falta de experiência também não é um ponto positivo. O que justicaria uma candidatura precoce então? Em entrevista, Jean Sarkozy nega que seu nome tenha aberto portas, muito pelo contrario. O jovem alega que portar seu sobrenome so deixa as coisas mais dificeis, como provam os "violentos ataques pessoais" dos quais tem sido vitima. Para sua rapida ascenção profissional, ele tem uma resposta melhor: sua paixão pela politica.

A noticia vem sendo tratada pela midia mundial como uma piada. Digna de uma république bananière, como os franceses chamam certas nações onde todos os absurdos politicos podem acontecer. O jornal inglês The Guardian evoca um novo caso de nepotismo e fala em "dinastia Sarkozy". Na Italia, o Corriere de la Serra trata o filho do presidente francês de "Sarkozy II, o jovem". Um apresentador de um telejornal alemão não resistiu e riu enquanto transmitia a noticia.

A eleição sera em dezembro e Jean Sarkozy fara prova de determinação se conseguir resistir a toda essa pressão e manter sua candidatura. Até la os franceses vão esgotar seu estoque de criatividade para protestar, especialmente na Internet. Algumas mostras ja foram dadas, como os quatro jovens que tentaram pedir a Nicolas Sarkozy um processo de adoção para serem filhos do presidente. Se Jean Sarkozy resistir a toda essa ridicularização, pelo menos vai provar que esta pronto para entrar na vida politica da França.

Atualizaçao: Jean Sarkozy abandonou sua candidatura.
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**** A partir de agora também vou escrever textos mais jornalisticos no blog. Espero que gostem!

sábado, 17 de outubro de 2009

Reality show à la française

Nas ultimas semanas eu tenho me sentido super integrada com os franceses. Motivo? Estou acompanhando um programa de TV popular por aqui, o Koh Lanta, que é uma versão do nosso No Limite. No dia da estreia, calhou da televisão estar ligada no canal e aos poucos eu fui deixando meu livro de lado pra prestar atenção ao programa. No final eu ja sabia o nome de todos os participantes e ja tinha meus preferidos. Na semana seguinte eu ja estava preparada pra assistir, sem nem cogitar fazer outra coisa. Pronto, depois disso as sextas-feiras ja tinham programa certo.

Dai fui entendendo as piadas dos franceses que faziam referência ao programa. Por exemplo, nos debates da TV alguém comparava um politico à um participante de Koh-Lanta e eu morria de rir junto com todo mundo. Ou se uma pessoa dizia brincando que sexta ela não podia ir no cinema por causa de Koh-Lanta, eu sabia bem do que ela estava falando e fazia um sorrisinho de cumplicidade. Até a Clara me aceitou como uma igual quando eu disse que assistia o programa.

Os franceses gostam tanto desses programas de gosto duvidoso -com excessão do Koh-Lanta que é de otima qualidade ;) - tanto quanto os brasileiros. Aqui não tem mais Big Brother, mas tem Secret Story, (assim em inglês mesmo), que é febre nacional. Todo mundo diz que é uma porcaria, que as pessoas que participam são desinteressantes e burras, que so falam palavrão, enfim, que o programa é péssimo, mas todo mundo sabe o que acontece dentro da casa. A primeira vez que vi achei engraçado, porque la tem umas missões secretas a serem cumpridas pelos participantes. Dai uma vez a missão de uma moça especialmente superficial era de acertar o maior numero possivel de perguntas do jogo de cultura geral. Para isso ela ia receber todas as respostas antes. Eu morri de rir ao ver a cara do pessoal vendo aquela ameba acertar tudo!

Fora isso, não me interessei muito por Secret Story não. Mas deu pra ver que na França existe muito menos falso moralismo na TV do que no Brasil. Alguns participantes tomavam banho pelados, completamente pelados, sem nem ligar que estavam sendo filmados. Homens e mulheres juntos. Ouvi dizer também que no primeiro Big Brother, uma garota transou com dois caras (um de cada vez pessoal) e adivinha so?, ganhou o programa. Arrisco a dizer que no Brasil isso NUNCA aconteceria.

Eu ainda tenho duas semanas pra assistir Koh Lanta e aproveitar meu periodo de intensa integração na sociedade francesa. Quando o proximo reality show começar, talvez eu deixe a televisão ligada assim meio por acaso, sabe, em nome da aceitação francesa.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

No caminho do bem

Não tenho a menor duvida de que a coisa mais dificil de se morar fora é a saudade das pessoas queridas. A internet facilitou muito a vida de quem esta longe (não imagino como eu sobreviveria sem ela), mas é uma ferramenta que diz, "ei, estou aqui, não se esqueçam de mim!" enquanto a gente esta longe, mas não substitui a presença.

Minha familia esta se multiplicando e os novos bebês não vão me reconhecer quando me verem. Meus amigos estão fazendo varias coisas legais juntos e eu não estou la pra participar. Eles estão evoluindo nos seus empregos, conseguindo diplomas incriveis, se tornando as pessoas mais bacanas desse mundo e eu não estou la pra participar disso tudo. Eles estão viajando, saindo, indo pro samba, bebendo cerveja e comendo churrasco e eu estou longe, tentando explicar pra esses franceses o que é uma feijoada.

Dai quando o Brunito me mandou esse video que ele fez, sobre o nosso amigo Rodrigo, eu so pude sentir um puta orgulho dos meus amigos e me perguntar o que diabos estou fazendo longe deles. O que justifica eu estar longe das pessoas que escolhi? Não sei.

Coloco aqui o video, mesmo estando indignada de não estar presente na ultima cena.