terça-feira, 18 de agosto de 2009

Meu caso de amor e odio com as piscinas

Piscina de Reuilly, onde sempre nado em Paris. Não da agua na boca.
Até meus 16 anos, eu era atleta de natação. Na verdade eu vivia para nadar. Achava que meu futuro estava nas piscinas, que eu ia competir as Olimpiadas, que eu ia bater muitos recordes. Bom, o tempo passou e eu aposentei minha 'promissora' carreira esportiva, e hoje aquele universo me parece muito distante. Agora me contento com umas braçadinhas de vez em quando nas piscinas que vou encontrando pelo caminho.

A grande desvantagem do Brasil em relação às piscinas é que la você não pode nadar por conta propria, sempre tem que ter aulas com um professor. Mas às vezes a gente so quer nadar e nadar sem ninguém enchendo o saco, principalmente alguém que provavelmente sabe menos de natação e de técnicas do que você. E então depois de ouvir alguns absurdos como "Agora vamos nadar costas com pernada de peito", desisti da natação não-comprometida no Rio. Tem os banhos-livres, mas todo mundo que vai nesse horario vai pra brincar e os pobres nadadores são obrigados a desviar de crianças o tempo todo.

Quando fui pra Australia descobri o paraiso na terra. Afinal de contas, a Australia é o pais dos esportes e mais precisamente, da natação. Fiquei super feliz em descobrir que em algum lugar do mundo as pessoas dividiam a mesma paixão que eu e ja tinham um sistema todo adaptado. Me senti em casa, como revendo velhos amigos. As piscinas eram do governo, bem baratinhas, e não tinham professores! Passei a nadar todo dia de manhã antes de ir pras aulas de inglês. 6h da manhã e a piscina lotada! Dava até gosto. Mas dava pra nadar legal porque a piscina era bem grande, de 50m com 10 raias e o principal: era tudo muito bem organizado. As raias eram divididas em devagar, média, rapida e super rapida, de acordo com a sua velocidade. Dai eu metida, fui logo me metendo na super rapida e fiquei surpresa ao ver que era rapida demais pra mim! Uau! As pessoas aqui nadam de verdade! Aposto que ninguém vai nadar "costas com pernada de peito"! Fiquei la feliz na vida, debaixo de um sol gostoso, no meio daquele clima onipresente de olimpiadas. A unica dificuldade que tive foi descobrir que até na piscina a mão é inglesa! Quase dei umas cabeçadas até acostumar.

Ja a França é o meio termo entre Brasil e Australia. Aqui pelo menos tem varias piscinas publicas, mas bem pequenas e longe da eficiência e espirito esportivo australianos. Pra começar, sempre tem gente demais, e os "atletas" parisienses estão longe de ter a velocidade dos australianos. Acho que se eu for de cachorrinho nado mais rapido que eles. Algumas piscinas também tem divisão, mas em "com material" e "sem material". Na raia com material ficam as garotas com prancha que não querem molhar os cabelos e os caras se debatendo com pé-de-pato, pullboy, palmar, so faltando a mascara de mergulho. A raia sem material não é muito melhor, as pessoas nadam muito devagar e param a cada volta que dão. Eu ainda saio em desvantagem, porque os caras fortões saem correndo na minha frente, achando que nadam mais rapido que eu e depois tenho o maior trabalhão de ficar ultrapassando todo mundo. Não que eu ainda nade bem como antigamente, mas é que eles realmente nadam muito mal. Ah se os australianos vissem... Iam morrer de rir.

Por causa disso tudo, desanimo de nadar aqui em Paris. Além do mais o frio me tira qualquer força de encarar uma piscina. Eh tanta roupa pra tirar que nem cabe num armario so. No inverno então, não da vontade nem de sair de casa, que dira fazer esporte. Prefiro me entupir de chocolate. Agora esta o maior calor, mas isso significa que as piscinas estão lotadas, então nem adianta tentar. Nessas horas vai me dando uma saudade da Australia.....
Piscina Centenary, em Brisbane, Australia, onde eu nadava todos os dias. Qual das duas da mais vontade de nadar? Covardia né? "O que estou fazendo em Paris???"

7 comentários:

Helena disse...

No fim, as piscinas do Brasil levam alguma vantagem, hehehe, porque pelo menos as pessoas nadam! Me irritava muito nas piscinas francesas as crianças brincando, os velhinhos conversando, as bóias e tudo mais que tu descreveste. Nadar era o que menos se fazia... e pelo visto continua assim.

Carol Nogueira disse...

Amanda, você conhece a piscine Keller, metro Charles Michel (10)? É nova e é grande.
E eu vou te mandar um email depois que a avalanche passar pra gente ir fazer as fotos, combinado? Beijo

.Priscila Schip disse...

Olá, li um post seu sobre as burcas na França e já que mora por ai, gostaria de saber como esta o caso da lei?
Não há mais nenhum comentário?

luci disse...

"prefiro me entupir de chocolate" o verdadeiro espirito de uma esportista! hahaha camilo tbm nadava. no brasil ele tentou, mas se as piscinas do rio sao toscas, imagina as da PB. coitado. tentou retomar a coisa el lyon, mas as piscinas publicas daqui tbm sao uma merda. acho que ele vai voltar de qq jeito: tah com tendinite e precisa fazer exercicio. :/

Bel Butcher disse...

Tem uma, lááá em Malakoff, que é enorme. e aberta. mas, por experiência própria, não vá num fim de semana. Tá mais para piscinão de ramos. Abarrotada!

Stade Nautique Intercommunal de Chatillon-Malakoff

mas dê uma olhada no paris.fr. Há uma variedade boa de piscinas e algumas são abertas.


Bom, meu problema é outro. Eu estou completamente fora de forma. Aí, resolvi fazer uma aula numa associação aqui na piscina do beaubourg para experimentar. Eu, tartaruga que sou, quase fui afogada pelos franceses apressadinhos. Mas o problema é que eram duas raias para a tal associação que tinha 20, VINTE alunos. Isso mesmo, dez por raia. Dez nadadores, todos mais rápidos, todos apressados como se estivessem perdendo a conexão do RER.
não deu pra mim...

Bel Butcher disse...

Ah, só pra minha defesa: nas aulas os franceses querem mostrar serviço e nadam, não fazem "recreação".

Amanda disse...

Ontem fez 35 graus em Paris. La fui eu pra piscina (aberta, dessa vez), mas nem tava esperando conseguir nadar, era so pra refrescar mesmo. Lotada!!! Estilo o piscinão de Ramos que a Bel falou. Cheri desistiu e voltou pra casa. Eu fiquei, pois acho que a unica forma de me divertir no calor, é com agua. Adorei!

Carol, sempre passo por essa piscina de ônibus, voltando da radio. Qualquer dia eu paro no caminho. Eh nessa que vc vai?

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