segunda-feira, 21 de março de 2011

Mocinhos e bandidos


E o mundo tem um novo inimigo. Kadafi é muito facil de ser odiado: aquela expressão antipatica no rosto, aquelas excentricidades, aqueles discursos arrogantes, aquela vaidade, aquela obstinação cega. Décadas no poder - perfeito, nos amamos odiar ditadores. E ele parece se encaixar tão bem no papel de vilão, que a gente atribui a Kadafi todos os defeitos do mundo, alguns até inexistentes.

Eh que nos temos essa mania de procurar bonzinhos e malvados em todas as historias. Então muitas vezes caimos no erro de acreditar que um malvado so vai fazer coisas mas e que todos os outros vilões estarão do lado dele. Foi assim que ouvi muitas pessoas falando na aliança entre Kadafi e Ahmadinejad, ou em como a Al Qaeda esta apoiando o governo libiano, ou no fanatismo religioso de Kadafi e em como ele fere os direitos femininos.

Não é bem assim. Pra começar, se tem uma coisa positiva na ditadura libiana é justamente esse afastamento da religião, tão atipico em governos islâmicos. E é justamente por isso que os radicais muçulmanos da região estão adorando o espetaculo da queda de Kadafi, pois eles têm fortes esperanças de instaurar um governo islâmico depois que essa bagunça acabar. Os indices sociais da Libia também não são tão ruins. O IDH, que mede a qualidade de vida da população, é mais elevado no pais africano do que no Brasil, por exemplo. A desigualdade social também é bem menor do que a nossa (alias, dificil achar um pais mais desigual que o nosso). E é por isso que Kadafi continua tendo apoio de alguns grupos de libianos.

Não me entendam mal, não defendo Kadafi. Até porque não existem argumentos para defender alguém que abre fogo contra a propria população. So estou querendo apontar alguns erros que temos tendência a repetir. Não ha mocinhos e bandidos, ha apenas decisões tomadas de acordo com a necessidade do momento. Alguns tomam decisões mais erradas (ou em nome de valores considerados injustos) do que os outros.

11 comentários:

Helena disse...

Esse finde estava mesmo comentando isso com meu pai, dos bonzinhos e malvados... até pouco tempo atrás, Kadafi era parceiro de vários países que mudaram de opinião de uma hora para outra. E nossa opinião de quem é o mocinho e de quem é o vilão é moldada pela mídia que nos bombardeia de informações, como quase sempre, mostrando apenas um lado da moeda...

Milla disse...

Texto bem escrito.
Precisamos ter cuidado com os rótulos.
Adoro uma frase (varias na verdade) do Cazuza: "existe o certo, o errado e todo o resto..."
Acho que é por aí...
Parabéns o seu blog é muito bom.
Beijinho.
Mirella (milla-delapraca.blogspot.com)

Quel disse...

Muito sensato seu post! Ainda mais um assunto tão polemico, que ainda está borbulhando. É dificil ver opinioes assim, como as suas.

Abraços!

Quel disse...

Muito sensato seu post! Ainda mais um assunto tão polemico, que ainda está borbulhando. É dificil ver opinioes assim, como as suas.

Abraços!

Marcelo Ribas disse...

O problema é que nessa história só há malvados: o Kadafi, os radicais muçulmanos e a intervenção atabalhoada dos países do Ocidente.

Mariana disse...

Não esqueçamos o petroleo!!! Se o Sarkozy esta assim preocupado não é so por causa da imagem dele mas porque a França é a segundo principal consumidor de petroleo da Libia! Se as fotinhos da visita oficial do Kadhafi à França mostravam um Sarkozy todo atencioso não é so por amizade! Mas ta, novamente, vamos todos fazer de conta que essa guerra também não é sobre o petroleo...

José Fernando disse...

Na mosca, Amanda. Se o Muamar kadafi é indefensável, o que podemos dizer de David Cameron, Nicolas Sarkozy, Silvio Berlusconi, Barak Obama e Stephen Harper? Será que essa super liga é composta de gente confiável? São esses os nossos mocinhos? Eu não entregaria a criação da minha filha para nenhum deles, não compraria um carro usado, não seria fiador deles para o aluguel de uma kitinete. Eles vão, sim, bombardear a população civil da Líbia, se é que já não o estão fazendo.

Rita disse...

Mas as armas de guerra precisam ser vendidas. Né? Às vezes acho que eles têm uma listinha: "agora é a vez da Líbia; depois vem o Quemseráquistão", e assim vai.

Helena disse...

No Iêmem, a população também está sendo morta pelo governo. Mas lá não há intervenção, pois o governo é parceiro dos EUA na luta contra o Osama Bin Bin...

Mercuryo disse...

"Eh que nos temos essa mania de procurar bonzinhos e malvados em todas as historias. Então muitas vezes caimos no erro de acreditar que um malvado so vai fazer coisas mas e que todos os outros vilões estarão do lado dele."
Muito bom, Amanda, as coisas são exatamente assim.. quase sempre, procuramos vilões. Eu sempre digo que ninguém (que não seja louco) acorda pela manhã e diz: hoje vou matar pessoas. Essas coisas acontecem durante o dia de quem tem esse tipo de poder.
Existem muitos outros exemplos de pessoas não são vilãs mas as vezes são vistos assim. É nossa tendência em construir uma "novela" e seus personagens em tudo.
Parabéns pelo texto.

Helena disse...

Amanda, nada a ver com o post, mas digitei o teu blog errado no navegador e caí em um irmãozinho do teu ;) http://portedoree.wordpress.com/

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